
Há questões da vida política que não compreendo.
Numa certa iniciativa que envolveu um certo político destacado, com missão no Governo, elaborava-se um cartaz que promovia um debate.
Quem se envolve nestas coisas sabe que o rigor é importante para o sucesso da iniciativa.
A promoção e divulgação é a parte visível após a organização e o convite aos intervenientes. É preciso tratar com os actores, encontrar o local, preparar o assunto e deixar todos os detalhes bem trabalhados. O acto implica alguma cerimónia, já que a formalidade é obrigatória para reduzir ao mínimo o risco do equívoco ou da falha de comunicação. Acredito na necessidade da formalidade.
Poucos dias para a iniciativa, tudo combinado e tudo tratado para divulgação. Surje um problema na proposta de cartaz: dois dos actores merecem distinção diferente. A velha vaidade do dr. antes do sujeito. Mas como se trata de um político destacado e doutorado é preciso acrescentar Professor Doutor antes do sujeito. Mas o outro actor não é apenas licenciado, merece por isso o Professor antes do sujeito. A alteração implica mexida em todo o cartaz. As sugestões vão chegando através de mails e telefonemas.
A pressão foi idiotamente grande e provocou atrasos na divulgação. A figura que mediava tudo, a quem admiro a razoabilidade, tentou uma explicação que não precisava de me ser dada. Mas só me ocorria Eclesiastes.
Por decisão destes e após algum impasse pediu-se que ficasse tudo como inicialmente. A inclusão dos epítetos no cartaz dava uma extensão maior aos nomes dos actores que o próprio tema em causa.