Sexta-feira

O que é um Plano Director Municipal


Um Plano Director Municipal é um plano de âmbito municipal que estabelece um modelo para a estrutura espacial do território municipal.


Constitui uma síntese da estratégia de desenvolvimento e ordenamento local, que conta também com a integração de opções nacionais e regionais que tenham incidência na área do município. O modelo espacial apresentado deve assentar na classificação do solo e o seu desenvolvimento deve realizar-se pela qualificação do mesmo. (Trabalhos de preparação para a Discussão Pública do PDME - Síntese de enquadramento)

Acrescentar património à Cidade


A Câmara de Évora adquiriu todo o o espólio do Estúdio Fotográfico de Manuel Neves, fotógrafo falecido em 2001.

Este estúdio foi construído em 1891 por Ricardo Santos, que no final da década de 1920 o vendeu a Eduardo Nogueira, que o vendeu ao Manuel Neves.

Desse espólio fazem parte mais de 30 000 negativos, diverso material fotográfico e adereços e móveis, que passam para os cuidados do arquivo fotográfico municipal.

Quinta-feira

Diplomacia

Almoço com Laure Bourdarot, Conselheira de Cooperação e de Acção Cultural e Directora do Instituto Franco-Português, Jean-Paul Lefevre, Director adjunto do Instituto Franco-Português, o Reitor da Universidade de Évora e outras individualidades da Universidade.
Ajudou a inteligência e simpatia de Jean-Paul. Trocámos impressões em relação ao papel da língua francesa em Portugal e da cultura. A meu favor tinha a geminação da cidade com Chartres, o apoio dado pela Autarquia à Aliance Française e, mais importante, a questão da Skylander e da GECI Internacional. O Governo Francês está a acompanhar a situação. Veio ainda à conversa a oferta de bens culturais na cidade. A algum desconhecimento da Vice-Reitora da Universidade coloquei uma agenda cultural da Cidade em cima da mesa. Fortuitamente levei para oferta a "Évora desaparecida" com as imagens de Laurent (um Francês em Portugal dos 800's). O que permitiu mais um momento de conversa interessante acerca da ligação das duas culturas e da riqueza cultural de Évora.
Ficam prometidos novos encontros. O Jean-Paul dirigiu um cumprimento especial ao José Ernesto, que "lhe ensinou que Cristovão Colombo era da Cuba".
Fiquei satisfeito com a missão e com o resultado que dela tive.
Um dia pleno.

Quarta-feira

O importante, o acessório e o insignificante


Em Évora discute-se, após cerca de 8 anos, o PDM.

Já assisti ao esgrimir dos argumentos dos que estão contra. Não há novidade, o PCP está sempre contra alguma coisa. Não vejo discutir, apesar da constante colocação do tema no centro do debate por parte do José Ernesto d'Oliveira, Presidente da Câmara Municipal, a estratégia de desenvolvimento para o Concelho.


Ouço insinuações, velhos jargões que julgava extintos, ofensas e ruído, muito ruído.

O Partido Socialista, como força que suporta a Câmara, tem obrigatoriamente de se envolver num debate dignificante e esclarecedor à população. O Partido Socialista não pode submeter-se, como o PCP pretende, às coisas mais superficiais da luta política.

Terça-feira

A Festa


5 dias sem disponibilidade (sobretudo física) para escrever uma qualquer nota. Apesar de alguns dias de correria, sem que nada de brilhante, ou pelo menos interessante acontecesse e que merecesse registo (exclua-se a admiração paternal com o Francisco e o almoço no Moinho das Mestras) chego a domingo e organizo uma saída em família com trabalho à mistura: a inauguração de obras na freguesia de S. Vicente do Pigeiro (Vendinha), aldeia a 27 km de Évora (a mais afastada do Concelho), que reconheceu publicamente a admiração pelo benemérito 1º Conde da Ervideira. Inaugurou-se a nova sede da Associação Juvenil (meritória associação que ocupa e envolve os seus associados na vida comunitária), a Praça 1.º de Maio (local de concentração e de conversas de fim de tarde) e a ermida de S. Vicente do Pigeiro (que já é local de pregrinação das populações vizinhas sobretudo graças à beleza que a rodeia e ao isolamento que inspira a reflexão).


O Sr. Presidente da Junta de Freguesia mobiliza a aldeia (talvez pela obra em apenas 2 anos, talvez pelo jeito de tratar toda a gente com familiaridade) e as figuras destacadas da região, Presidente da Câmara, Governadora Civil, Presidentes de Juntas do Concelho, familiares do Conde homenageado e uma Deputada pelo círculo de Évora. Os discursos são de contentamento mas também de avisos à oposição que, alegadamente, tem feito circular boatos com o valor que os boatos têm. Retenho o forte sentido de comunidade, desconhecido das grandes urbes e das regiões fortemente industrializadas de onde passei a minha adolescência. Reconheço que vivo numa grande região com gente genuína. Estou em ambiente de festa e comigo tenho a minha jovem família.

Um bálsamo para o desgaste da vida política.

Quinta-feira

Um privilégio


Ouvi uma idosa eborense entrevistada dizer que há 75 anos que aqui vivia e todos os dias descobria na Cidade um detalhe novo. Apesar da distância do mar ou da ausência de um rio (o Djebe é um pequeno rio), Évora é uma Cidade espantosa. A mais bonita do País e, seguramente, uma das mais belas do mundo. A moldura da planície dá-lhe beleza muito antes de a ela se chegar.

E Évora, apesar da sua história secular que lhe dá uma solidez imutável, a dos edifícios e monumentos, muda com as estações. Évora é bela na Primavera e igualmente admirável no dia mais rigoroso, com sol ou neve. Raramente mas Évora também tem as suas horas de neve.

Quarta-feira

Dia Mundial da Poesia e início da Primavera


O meu Amor



Já foi deserto árido e irreconhecível.

Hoje, é prado manso num instante

e no tempo seguinte incêndio inextinguível.

E é sempre imaginação em pecado!



Helena de Sousa Freitas

Terça-feira

4 anos e 70 000 mortos


Passaram quatro anos desde a invasão do Iraque. Banalizou-se o atentado e a morte à hora do jantar no Ocidente. Quatro anos e cerca de 70 000 mortes depois o que melhorou no Iraque?


Salih Abu Mehdi, 43 anos, pai de seis filhos:
"Não acho que nenhum iraquiano pense no futuro, eles pararam de pensar no futuro. Só pensamos em como chegar ao fim do dia".


Nada do que se disser ou fizer é suficiente para minorar o erro.


Segunda-feira

Diario de Irak

Saad Eskander, Director da Biblioteca Nacional do Iraque, mantém um blogue detalhando o quotidiano difícil do Iraque, o seu trabalho, as suas expectativas, os seus desabafos e as mortes, sempre as mortes. http://blogs.elpais.com/diario_desde_irak

Sexta-feira

Temos rapaz


Onde é que este rapaz parece ter o três meses que tem?

O Francisco é uma novidade todos os dias. E é obcecado pela mãe. Nem mesmo um dia longo de trabalho me impede de passar o seu resto com ele ao colo. Nem os seus mais de 6 kg.

Quinta-feira

Privado Público


Desde Março de 2005 que, enquanto empresário, trabalho numa Parceria de Desenvolvimento do Projecto i9tur, do Fundo Social Europeu (projecto que faz parte de um vasto laboratório de novas ideias para a Estratégia Europeia de Emprego e para o processo de inclusão social). Os conceitos de responsabilidade social e ambiental, introduzidos na praxis empresarial, não são cosmética.
Há ganhos a todos os níveis, incluindo financeiros. Naturalmente que estes ganhos são importantes, tanto como os ganhos sociais e os ganhos de afirmação pessoal. Ao fim de dois anos de projecto, para além da relação benéfica da parceria entre o sistema público e privado (Câmara Municipal de Cuba, Vidigueira, Alvito e Ferreira do Alentejo, assim com a Associação Terras de Regadio, o Instituto Politécnico de Beja e a Região de Turismo Planície Dourada) estão criadas 6 empresas (prevendo-se 10 até ao final do projecto) e aproximamo-nos da conclusão de um projecto de atracção turística através da organização de uma grande prova de aventura (Challenge 4All) no território, de 5 percursos turísticos (um em cada concelho parceiro e um trans-concelhio).
Mas o objectivo que me merece uma maior atenção é a Empresa Inter-Municipal que está em preparação e que irá gerir pós projecto, as actividades dinamizadas. O domínio público com dinâmica e responsabilidade empresarial e o domínio privado com responsabilidade social. Um bom caminho.

Quarta-feira

Espelhos

Girl before a mirror - Pablo Picasso


Não sou uma pessoa inflexível. Quando me engano admito-o.

Apesar do idealismo mudo de ideias quando encontro melhores.

Não consigo ser duas coisas diferentes ao mesmo tempo e, com dano para a diplomacia, não disfarço uma razoável antipatia quando a sinto.

No entanto parece ser um jogo fácil o de ser e dizer uma coisa e o seu contrário, conforme a situação.

A coluna (bendita) impede-me contudo de semelhantes dobras.


Terça-feira

Decidir


A decisão é solitária. E decidir bem é ouvir. Ouvir gente e ruído. Depois, solitariamente, reflectir, separar e decidir. É preciso não temer as decisões difíceis. É preciso assumir, com todos os riscos.

Prefiro errar que não decidir. A decisão é ânimo e o erro ensina.

Segunda-feira

Be Ye Men of Valour


Churchill foi o político que mais contribuiu para impedir a derrocada ocidental com os avanços do exército nazi.


Estavamos em Maio de 1940 e os Alemães tinham penetrado nas defesas francesas em Sedan, num ataque devastador. A resignação era geral e as tropas francesas estavam desmoralizadas. A Inglaterra temia o impacto deste avanço. No seu primeiro discurso à Nação enquanto primeiro-ministro (numa emissão da BBC) Churchill faz um dos seus mais famosos discursos conhecido pelo Be Ye Men of Valour e com uma passagem imortalizada na História:


...whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender...

Domingo

O Centro Churchill


O Centro Churchill, criado com o objectivo de manter viva a memória e o legado à democracia deste grande político, aceita quem se queira associar.

O site tem uma particularidade. Organizou um centro de documentação e recebeu os contributos de quem acompanhou Churchill ao longo da sua vida.

Para memória futura: http://www.winstonchurchill.org

Quinta-feira

Os Circos


Confesso que não fui uma criança deslumbrada com o Circo.

Em pequeno e na terra da minha mãe lembro-me de uma família pobre que vivia numa colina, numa casa de adobe. Lembro-me que lhes chamavam "os do Circo". Lembro-me também de uma noite de espectáculo, com vagas imagens de fogo soprado. Lembro-me que eram pobres e que não eram tratados com respeito. Associo desde aí o Circo à miséria triste. Acresce que grande parte deles (dos Circos) ainda é mais deprimente pela forma como usa animais. Não os respeita.

Recusando fundamentalismos sou um favorável ao fim dos circos com animais. Admiro um único Circo, o da escola francesa.

Os circos já não têm público e isso faz deles ainda mais miseráveis. Que esse circo deprimente seja dado como extinto neste século. E já vai tarde.

Quarta-feira

Ansioso pela Primavera


Apesar da chuva dei conta das andorinhas (confessou-me um vizinha na paragem do autocarro que eram uma chatice por causa do lixo que faziam).

Desde que começou o inverno e que encurtaram os dias que desejo a volta da Primavera. Aborrecem-me os casacos e as mudanças da temperatura (as contas de energia excuso de adjectivar).


Todos os dias de manhã abro a janela da sala e olho para o meu projecto de jardim, como se a atitude acelerasse o crescimento do verde. Não acelera mas permite-me acompanhar a mutação lenta das coisas (em compensação o Francisco cresce rapidamente). Pela floração da ameixoeira japonesa (sinais da ansiada Primavera) descobri que troquei, por engano, a posição das árvores que plantei. As flores que aqui se vêm deviam ser o verde da Mélia.


E a ver por outros indícios parece que vou ter mais surpresas.


Terça-feira

O Ícone


Adquiri um ícone.

Para uns é um carro velho (tem 12 anos). Para outros é uma fonte de despesa. Para mim é um símbolo. E estou tão satisfeito como se tivesse comprado um SUV.

No dia a seguir fui assistir à 25ª aula de código da estrada. Sim porque com os meus 34 anos ainda não conduzo. Mas é um estímulo.

Segunda-feira

A importância do irrelevante


Há questões da vida política que não compreendo.

Numa certa iniciativa que envolveu um certo político destacado, com missão no Governo, elaborava-se um cartaz que promovia um debate.

Quem se envolve nestas coisas sabe que o rigor é importante para o sucesso da iniciativa.

A promoção e divulgação é a parte visível após a organização e o convite aos intervenientes. É preciso tratar com os actores, encontrar o local, preparar o assunto e deixar todos os detalhes bem trabalhados. O acto implica alguma cerimónia, já que a formalidade é obrigatória para reduzir ao mínimo o risco do equívoco ou da falha de comunicação. Acredito na necessidade da formalidade.

Poucos dias para a iniciativa, tudo combinado e tudo tratado para divulgação. Surje um problema na proposta de cartaz: dois dos actores merecem distinção diferente. A velha vaidade do dr. antes do sujeito. Mas como se trata de um político destacado e doutorado é preciso acrescentar Professor Doutor antes do sujeito. Mas o outro actor não é apenas licenciado, merece por isso o Professor antes do sujeito. A alteração implica mexida em todo o cartaz. As sugestões vão chegando através de mails e telefonemas.

A pressão foi idiotamente grande e provocou atrasos na divulgação. A figura que mediava tudo, a quem admiro a razoabilidade, tentou uma explicação que não precisava de me ser dada. Mas só me ocorria Eclesiastes.


Por decisão destes e após algum impasse pediu-se que ficasse tudo como inicialmente. A inclusão dos epítetos no cartaz dava uma extensão maior aos nomes dos actores que o próprio tema em causa.

Domingo

Sair por janelas e entrar por Portas



De uma assentada fez como se nada tivesse passado durante o tempo em que o Governo mais idiota de que há memória (o de Vasco Gonçalves merece outro adjectivo) governou o País.
Paulo Portas volta para, na suas palavras, resolver o problema do seu partido e o problema da oposição. É o incendiário que espalha fogo há espera que o contratem como bombeiro.

Para mim, que não sou sebastianista, resulta um facto desta sua volta, vamos ter uma vida política mais animada, com umas pitadas de intriga e golpes de corte (o truque da volta anima qualquer salão de baile), já sem Ribeiro e Castro.

E vamos ter um CDS, entenda-se Portas, há espera que Sócrates não consiga a segunda maioria absoluta e que assim surja a segunda oportunidade para brincar aos Estadistas.

Marques Mendes também está condenado.
Se bem que Santana também gostasse de voltar ao jogo, não vai ser com ele que Mendes tem de se preocupar.

Sexta-feira

Tranquilos


Ouvi a Fátima Felgueiras dizer que estava de consciência tranquila no caso do famoso saco azul. Valentim Loureiro também o afirmou, mas este num caso dourado. Em coro Pinto da Costa também o disse. Noutro caso, de outra cor, não só o sobrinho como o próprio Isaltino Morais também estavam de consciência tranquila. Alberto João Jardim também diz que sim.

Mas estas consciências aindam intraquilizam menos que as de Pinochet, Saddam Hussein (aqui o Ocidente também deve ter declarado em peso que, após a sua execução, ficava de consciência tranquila) ou de outros facínoras com sonos descansados. Adolf Hitler, Pol Pot, Estaline, entre outros, podiam bem ter declarado na sua altura, se já fosse moda, que estavam de consciência tranquila.

Há uns dias morreu descansada outra figura menos conhecida, Maurice Papon. Paz à alma dos que injustiçou.

Quinta-feira

Sinais


Sou um ouvinte da TSF e um admirador de Fernando Alves.

A sua crónica diária "Sinais", antes das 9, acompanha-me no percurso de autocarro para o trabalho.

O tom é quase sempre crítico mas tem a genialidade da isenção (nos dias que correm ela é difícil)e uma capacidade quase poética de nos atrair com as palavras e nos deixar a pensar com a limpidez da exposição.



Hoje referia, porque entendeu que merecia atenção, o facto de Marques Mendes, no calor da refrega democrática, ter chamado autista a José Sócrates quando este alegava que a situação do emprego estaria melhor. E sustentava que Marques Mendes fez o que fazem os políticos de argumento como arma de arremesso. Marques Mendes atirou em Sócrates, ignorando que o autismo afecta, só nos Estados Unidos, uma em cada 150 crianças. Um deslize.


Não o fez, claro, por maldade. Mas mostrou o preconceito. Parece pouco mas o alerta é sério.
Num mundo onde o ruído ocupa o lugar da comunicação e onde as pessoas se entendem cada vez menos, num mundo de dificuldades banalizadas a ofensa pesa tanto como as bombas e a morte que vem com elas. Num mundo rotinado com a devastação e com a injustiça ouvimos cada vez menos o outro. Mais depressa ofendemos.

Os autistas somos nós.