Quarta-feira

Pátria

Rui Barbosa, abolicionista brasileiro, amante da língua portuguesa, e admirador do parlamentarismo europeu, proferiu, em 1903, um discurso onde define a pátria, encarada como uma vigorosa afirmação da abrangência universal do conceito - acima de todas as divisões políticas, económicas e religiosas - é perene e está profundamente ligada ao conceito de democracia.


"A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação. A Pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.
"Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo.
"Porque todos os sentimentos grandes são benignos, e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado o mais difícil da vocação, e a sua dignidade, não está no matar, mas no morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é simplesmente a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia."


Tomo-a como minha.

Terça-feira

A história do Pedro

Deve existir mais do que uma versão mas a que conheço é esta, a história de um pequeno pastor, com nome de Pedro, que se divertia a arreliar os populares da sua aldeia, gritando por socorro que o atacavam lobos. Um dia as pessoas fartaram-se e a um novo apelo não apareceram. Pois os lobos apareceram e levaram o Pedro.
A falta de pudor é geral, no agitar de perigos, que, por tanto, se banaliza.
Lemos e ouvimos avisos assustadores de arautos da liberdade. A moda começou com os atentados à liberdade de impresa e as pressões aos Sr.s Jornalistas por causa da Licenciatura do Primeiro Ministro. Oportunamente, como é hábito, o discurso do Deputado Paulo Rangel nas comemorações do 25 de Abril, vem referir a famosa claustrofobia democratica.
Ainda houve espaço na comunicação social para o boçal Alberto João Jardim dizer que Sócrates era fascista.
Entre más alegorias e metáforas de fraca qualidade de Ministros com responsabilidades, aparecem e desaparecem mentiras em jornais (os pressionados e amordaçados) acerca da OTA e são cozinhadas declarações (como o foram na edição do Jornal SOL deste fim-de-semana, no Jornal Expresso e na boca do independente director do Público) acerca das terríficas desgraças de um aeroporto na OTA. Para condimentar a coisa surgem uns tiques (que nunca perdemos) de funcionários partidários excessivamente zelosos e idiotas a contribuir para a história do lobo.
Mas para gáudio dos espectadores eis que surge um menino guerreiro, de seu nome Pedro, que também vê totalitarismos no presidente do seu Partido.
Um dia aparece um Lobo a sério e o povo não acredita.

Aquilino


Uma vez um homem travou do bordão e partiu a correr as sete partidas do mundo. Andou, andou até que foi dar a uma terra de que ninguém faz ideia.

Sexta-feira

Um embaraço

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Se bem que de início entendi que o caso me merecia prudência, agora, e com insistência crescente me pergunto? Que falta de pudor é esta de querer resolver mesquinhamente um diferendo partidário que parece separar a Sr.ª Directora da Delegação Regional de Educação do Sr. Professor Charrua?

Que resposta merece, nos dias de hoje, um caso tão inadjectivável de delito de opinião?
A Sr.ª Moreira prestou um péssimo serviço ao País e embaraça o 1º Ministro e o Governo.

A situação é uma piada de muito mau gosto.

Quinta-feira

Efémera Persistência


Os vencedores do Concurso Imagem J - «Évora e o Templo» são já conhecidos e a entrega dos prémios vai realizar-se hoje, pelas 17h00, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Évora.


O primeiro lugar foi atribuído à fotografia intitulada «Efémera Persistência», de Jorge Emanuel Pereira Fernandes. Os trabalhos enviados por todos os concorrentes vão estar patentes numa exposição no Palácio de D. Manuel durante a Feira de São João 2007, de 22 de Junho a 1 de Julho.

Quarta-feira

O futuro a nós pertence


Somos os operários do nosso próprio destino, e desde já as nossas mãos o vão aperfeiçoando; terá a forma que lhe dermos.

Antero de Quental

1872

Terça-feira

A Graça

Foi a terceira sessão de debate do PDM nas freguesias rurais. Tal como as anteriores decorreu com normalidade.
A N.ª S.ª da Graça do Divor é uma pequena freguesia rural, a 10 km de Évora, na fronteira do Concelho, a noroeste, com 473 habitantes.
Com uma população envelhecida, o número de famílias tem-se mantido estável. Ainda assim o número de alojamentos aumentou cerca de 40%, nos últimos 10 anos.
A dispersão urbanistica actual é incoerente mas mantém um núcleo antigo muito preservado, com fortes características de povoado alentejano. Com um perímetro urbano de 20,19 hectares, a proposta actual de PDM propõe mais 15,95 hectares, o que fará totalizar o perímetro urbano e 36,14 hectares.
A estratégia de atracção e fixação de população na freguesia passa pela oferta de habitação de baixa densidade, em alternativa há dispersão provocada pelas "quintinhas" na zona envolvente da Cidade de Évora.
Registei o facto de ser contestada pela população a localização da zona industrial (no centro do futuro núcleo urbano), que merece na actual proposta uma expansão para o dobro da área. Ora acontece que o actual parque industrial já está implantado desde o anterior PDM e a expansão (já que não será economicamente viável a criação de dois parques industriais) é fruto também da anterior proposta de PDM, com o apadrinhamento do Sr. Presidente da Junta de Freguesia. Às insistentes dúvidas dos munícipes esclareceu e assumiu responsabilidades o próprio presidente da junta. Para surpresa de todos, pareceu-me.
A viagem para Évora foi descontraída. O Presidente, o Manuel Melgão, o Monarca Pinheiro e eu voltamos satisfeitos.

Sexta-feira

Duas Notas

Dois assuntos merecem a minha atenção, tão distantes que estão um do outro, a última sessão pública de debate sobre o PDM, na Freguesia Rural da Boa-Fé e o resultado da primeira sondagem da TSF às intenções de voto nas intercalares em Lisboa.
A participação da população no debate voltou a merecer que se lhe chame o que é; debate público. Notei que a proposta responde a grande parte dos anseios da freguesia, sobretudo no género de expansão que se defende (o de quintinhas com índices de construção baixo) e no tipos de equipamentos que se propõe construir. O Sr. Presidente da Junta de Freguesia está inevitavelmente atrás do seu tempo. O seu ensaio de crítica foi confuso e ineficaz. Um fim de um longo ciclo.
A promessa política local, um independente jovem e eloquente, conseguiu sublinhar todos os aspectos positivos da proposta, sintetizar as preocupações da população (que trata pelo nome) e demarcar um longo passado de inacção em em contraposição a um futuro de desenvolvimento.
A aposta no turismo e no projecto dos Almendres vai transformar a região, com todas as cautelas em termos de impacte ambiental (a qualidade do ambiente é a mais valia da região).
Quanto à questão das eleições em Lisboa, António Costa avança com apoios de peso, Saldanha Sanches e José Miguel Judíce. O candidato do PSD aparece tímido como qualquer escolha de recurso. Carmona desiste apesar de estar bem posicionado nesta sondagem (15,7%) e o resto dos candidatos dividem o que sobra de intenções de votos.
Ana Sá Lopes refere no DN de hoje o mito dos "independentes", o caso de Helena Roseta e do desistente Carmona. E lembra Cavaco e a sua constante distância higiénica do PSD ou de Manuel Alegre, o socialista mais "independente" de que se tem memória, com o seu milhão de votos nas última presidenciais.
Apesar de ser ainda muito cedo para tirar ilacções destes resultados sondados uma coisa deve-se reter, os Partidos Políticos devem analisar este seu aparente esgotamento. Quanto aos "independentes" como a Helena Roseta, já dependeu de demasiadas linhas e correntes partidárias para ser o que diz ser. Vamos ver se esse facto conta para os eleitores ou se a memória é mesmo curta.

Quinta-feira

35

Fui trabalhar cedo. Recebi telefonemas de familiares e amigos. Agradeci a memória de uns e o cuidado de agenda de outros. Não sou tão atento com os outros nas coisas das datas. Mas esforço-me. Partilhei um bolo com a equipa da Câmara (também um grupo de amigos), que confraternizou por alguns minutos, até que a insistência dos telefones nos obrigasse ao ritmo habitual. Almocei duas vezes, a primeira com o Presidente e com o Adjunto (um bom bacalhau à braz que o o Burgo Velho faz) e a segunda, sozinho, porque a Susana fartou-se de esperar e tinha fome, como é evidente que se tenha às 3 da tarde.
Parti um outro bolo acompanhado de vinho verde fresco (lá se foi a dieta), da Susana, do pequeno Francisco e do velho amigo António Fernandes, com velas sopradas e fotografias de telemóvel que se não encontra o carregador das pilhas e as boas máquinas que temos, sem elas, as pilhas, de nada servem. Acompanhei ainda e por uma hora a engenharia do Fernandes e a Obra que faz há um ano em casa. Nada posso dizer que seja suficiente para agradecer a amizade deste homem. Depois disto trabalho rumo à Boa-Fé.
Às 11 estou já a caminho de casa. E com fome que me esqueci de jantar. Ainda tenho tempo para passear o Gorki em 5 Km e pôr a conversa em dia com outro grande amigo, o Natanael. O único com quem 50 minutos de conversa telefónica não parecem nunca ser suficientes. Depois o momento mais importante do dia 1 hora a brincar com o pequeno Francisco entre conversas com a mãe dele e o "Estado da Nação" à mistura. Sou um priveligiado.

Quarta-feira

Tomar partido


Al Gore, o ex-futuro Presidente democrata dos EUA

É preguiçoso criticar Partidos Políticos, como é fácil criticar qualquer coisa, que não seja construtivamente. Tudo porque criticar ou opinar contrariamente a algo faz de quem o faça alguém atento e avisado, sobretudo se quem ouve não está informado nem procura informar-se. Mais a mais parece ser um acto de cidadania.


A diferença entre criticar construtivamente ou alternativamente já não é exercício para, em gíria futebolistica, treinadores de bancada. Ser-se proactivo. Nessa perspectiva, na que sempre tive na vida, a de não deixar em mãos alheias as minhas convicções e opiniões, assumi-me cedo como um proactivo. Dizer que a vida partidária é enferma de muitos males é revelar evidência, mas mais do que apontar a falha o importante é contribuir para a solução.


Levei cerca de 10 anos com uma simpatia partidária e assumi-a quando tive a certeza da decisão que tomava, quando achei que a decisão devia ser tomada. Vivo a vida partidária no respeito pelas regras com que esta se organiza e com sentido crítico.


Lida-se mal com os jogos de espelhos e com as lutas por lugares. Mas encontro a minha diferença, como muitos outros, no facto de defender uma vida político-partidária por ideias. E se essas ideias me levam a algum lugar não me envergonho de o ocupar.


Amíude têm os aparelhos, que são feitos por pessoas, esta tendência de discutir lugares e fulanizar problemas. Ora quando a atitude se torna regra o problema faz-se grande. É como que se colocasse o carro à frente dos bois. Primeiro as ideias e sempre as ideias, que como dizer os projectos.


Não há aqui nenhuma ingenuidade nem romantismo. Mesmo quando nos batemos por uma boa ideia a política pode ser agressiva. Muitos caem, outros derrubam.


Atento a Sarkozy quando diz que em política não há nada para pedir, há que conquistar. O bom móbil é a ideia e o grau de exigência que se tem na sua execução.
Não há segredo nenhum. Pensamento e acção, rigor e trabalho.

As pessoas confiam nas boas ideias e em quem vejam capacidade de as executar. Basta merecê-las.

Terça-feira

Canaviais

A primeira sessão da discussão pública do PDM de Évora, referente a freguesias rurais, no caso a freguesia dos Canaviais, decorreu como ninguém esperava. O salão da Casa do Povo esteve repleto; as intervenções, com algumas excepções, apartidárias; os técnicos da Câmara expeditos; as provocações nulas e o Presidente da Câmara sem precisar de intervir.
Não que o debate em torno do PDM não careça de intervenção política, mas porque essa intervenção tem locais próprios. Ontem não se constrangeram as questões da população e as resposta foram claras. Apesar de tudo continua a notar-se a ausência de figuras políticas da Cidade, muitas delas parte envolvida na elaboração desta proposta de PDM. Porquê? Isso deixo para análise dos analistas.

Du’a Khalil Aswad


Du'a Khalil Aswad, com 17 anos, morreu apedrejada pelas mãos de familiares, por se ter apaixonada por um muçulmano e se ter convertido ao islão.


O El Pais descreve o acto bárbaro depois de ver as imagens gravadas por um assistente, através da câmara de um telemóvel, e colocadas na internet. Uma rapariga morena, vestida de vermelho, tenta evitar as pedras. Está coberta pelo seu próprio sangue. Tenta levantar-se mas alguém a empurra e outra pessoa desfere-lhe um golpe na cabeça com um bloco de cimento. Agonizou 30 minutos.


O conceito é o de crime de honra, a vítima é sempre a mulher.




Quinta-feira

A rede de aglomerados rurais do Concelho

A tendência de despovoamento continuado dos aglomerados rurais constitui um dos problemas estruturais com que se debate o concelho de Évora, originando um profundo desequilíbrio do respectivo modelo de organização espacial. Este processo, que não pode ser dissociado da erosão da base económica rural, possui ainda como ónus o desaproveitamento de infra-estruturas e equipamentos já instalados.

Neste sentido, esta opção estratégica visa promover a consolidação da rede de aglomerados rurais do concelho, dotando-os de condições acrescidas para a fixação de população e actividades. As principais modalidades de intervenção previstas envolvem:
1-a requalificação do espaço público dos aglomerados;
2-a criação de lotes para fins habitacionais;
3-a criação de lotes para o desenvolvimento de actividades económicas;
4-a construção de novos acessos rodoviários e/ou melhoria dos existentes.

Importa referir que as medidas preconizadas visam, também, criar alternativas credíveis e de qualidade aos processos de ocupação desordenada que têm vindo a ganhar expressão na periferia da cidade, contribuindo assim para a qualificação territorial e urbanística do concelho.
Síntese de enquadramento do PDME

Quarta-feira

As Novas Centralidades na Cidade

A cidade de Évora é hoje caracterizada pela situação de excessivo congestionamento do seu centro histórico e pela deficiente estruturação que caracteriza o seu crescimento periférico. Neste sentido, revela-se adequado estimular a criação de novas centralidades na periferia urbana, as quais visam qualificar a cidade como um todo e aliviar as pressões actualmente incidentes sobre o centro histórico.

Esta opção estratégica, a prosseguir em articulação com um programa específico para a recuperação e valorização do centro histórico, consubstanciar-se-á na construção de equipamentos estruturantes na Cidade Extra-muros que visam criar novas referências na estruturação funcional do espaço urbano, como sendo:

1-o Parque de Feiras e Exposições na zona oriental da cidade, o qual albergará também a relocalização de alguns serviços públicos que actualmente provocam forte congestionamento ao tráfego da cidade;
2-o Hospital Regional (localização a definir);
3-uma grande Zona Desportiva (zona sul da cidade);
4-a Biblioteca Pública e o Arquivo Regional (zona norte da cidade).

Deve notar-se que a visão policêntrica aqui preconizada pretende marcar uma nova forma de entender a própria cidade de Évora, a qual, beneficiando de investimentos infra-estruturais recentes (p.ex. Grande Circular de Évora), se revela fundamental para encarar as perspectivas de aumento populacional consideradas pelo PDME. Da mesma forma, está-se a assumir que esta nova forma de entender a cidade constitui uma via essencial para ganhar dimensão critica no quadro do sistema urbano regional e nacional, com reflexos positivos no padrão de qualidade de vida desejado.

Síntese de Enquadramento do PDME

Terça-feira

PDM - Afirmar Évora

A cidade de Évora constitui o principal centro urbano da região do Alentejo e também a maior bolsa de resistência em relação às tendências de profunda desvitalização sócio-económica que aí têm lugar. Neste sentido, considera-se fundamental potenciar a capacidade de dinamização da envolvente regional que poderá decorrer da afirmação da cidade de Évora em três contextos distintos mas complementares:

§ a valorização da posição geográfica no contexto dos corredores de ligação entre o litoral português e o território espanhol (designadamente nas zonas envolventes aos eixos viários Lisboa-Évora-Madrid e Sines-Évora-Madrid), promovendo o alargamento da base económica concelhia e a respectiva integração em dinâmicas supra-regionais e transnacionais;
§ a articulação de estratégias no contexto do sistema urbano regional (que inclui pólos como Beja, Portalegre, Elvas e Estremoz), promovendo a potenciação conjunta da base de recursos presente na região;
§ a afirmação da centralidade no contexto da envolvente regional de proximidade, promovendo a coesão sócio-territorial e o papel de principal centro de estruturação e qualificação da sub-região Alentejo Central.

À luz deste quadro, torna-se evidente que a afirmação da cidade de Évora, enquanto pólo estruturante do território regional, pressupõe um esforço acrescido no desenvolvimento de funções de nível hierárquico superior. A construção de um Hospital Regional e de um grande Parque de Feiras e Exposições, bem como a conclusão de infra-estruturas viárias de ligação à envolvente constituem exemplos das medidas que, na nossa perspectiva, poderão contribuir para fazer de Évora uma cidade de referência nos três contextos atrás referidos.
PDM - Síntese de enquadramento

Segunda-feira

DARFUR


Petição contra o genocídio no Darfur e pelo envio de uma força de interposição. Assine: http://www.europetition-darfour.fr/europetition_fr/index.php

A vida continua


Segunda-feira, 7 de Maio. Dentro de 10 dias chego aos 35 anos. Sarkozy ganha a presidência francesa (sem grande surpresa) e Alberto João Jardim é reeleito pela enésima vez para o Governo regional da Madeira e o PS-Madeira paga caro por "servir os colonialistas de Lisboa" (sem surpresa absolutamente). José Sócrates veio a Évora dizer que os PDM passarão a ser revistos com maior responsabilidade das autarquias e em 24 meses no máximo. Não consta que reveja a lei das finanças locais só porque Jardim acha que poderá berrar mais alto.

Marques Mendes (com uma irresponsabilidade que não lhe reconhecia) culpa Carmona Rodrigues e a oposição (PCP, PS e CDS-PP) pela situação em Lisboa, elogia Alberto João Jardim, afirma que os Madeirenses deram um sinal ao 1ªº Ministro e que a Lei das Finanças Locais (que Cavaco promulgou) é injusta e prejudica a Madeira.

Depois surpreendem-se que José Sócrates, após 2 anos de governação austera e com uns últimos meses atribulados para a sua imagem, ainda mantenha a preferência da maioria dos portugueses.

Sexta-feira

"Arbeit macht frei" idiota


Traduzido significa o trabalho liberta. Frase usada cinicamente a encimar os portões do campo de morte nazi, Auschwitz e outros.


Paulo Portas disse no Funchal: nós acreditamos no valor do trabalho. Nós acreditamos que o trabalho liberta.


Ninguém sóbrio usa o termo por lapso. Não se trata de um qualquer termo ou expressão corrente. Trata-se de um articulado que deu nome a uma novela de um alemão nacionalista, Lorenz Diefenbach, em 1872. Foi usada posteriormente pelo Governo do Weimar, numa campanha de obras públicas em larga escala e, mais tarde, usada ofensivamente em vários campos de morte nazis.
Usá-la como foi usada, só por idiotice ou maldade.


Quinta-feira

Admirador de Ségolene


Acompanho as eleições francesas com mais entusiasmo com que acompanho as na Madeira. A verdade é que as primeiras têm sido, do ponto de vista das ideias, estimulantes. As segundas revelam o cacique e o nepótico no seu melhor. E excuso-me a comentar mais.


Sarkozy é uma figura admirável, com um talento político reconhecido. E tem uma característica que simpatizo, o pragmatismo (na acepção da teoria segundo a qual a verdade de uma ideia reside na sua utilidade).


Ségolene Royal é contudo muito mais interessante. A começar não cultiva o dogma do aparelho partidário, o que faz dela uma pessoa independente e objectiva. O facto de ser mulher também a favorece. Acredito que o papel da mulher na sociedade (inclui política e poder) só pode ser enriquecedor. Respeito a coragem e determinação das mulheres que conheço e que são obrigadas a provar duplamente que merecem a mesma confiança que um homem. Sublinho duplamente.


Acredito na sua sensibilidade e na diferença com que abordam os problemas. Não sou paternalista, respeito-as ponto.


Mas é no plano das ideias que mais admiro Ségolene. Apesar da simpatia ao pragmático não deixo de ser idealista. Olho para a ideia como uma moldura do quadro humano. A ideia é para mim um elemento estrutural e estruturante. O pragmatismo pode ser, segundo o meu ponto de vista, a estratégia para a resolução dos problemas do quotidiano das pessoas. Mas o que as move é a ideia, a ideia de um futuro tranquilo, confortável e seguro. Bem sei que o verbo é fácil mas fazer sem explicar o porquê não funciona. Aí reside a grande diferença: achar que se sabe o que os outros precisam e agir em função ou mobilizar os outros através de referências (as ideias) e fazê-los participar na acção.


Para os que a apelidam de não socialista (é pragmática o quanto baste) responde: a tarefa dos socialistas do século XXI é enfrentar as questões novas. A verdadeira fidelidade não é a repetição.


Intrigante?


Boa sorte França.



Terça-feira

A perda de qualidades


Numa conversa entre Abdool Vakil, Presidente do Banco Efisa e Abílio Fernandes, membro da Assembleia Municipal de Évora, no Diário Económico:

“Tive uma fase em que fui escuteiro! Fui escuteiro católico!”
Abdool lembra-se bem: “Isso nos anos 60 e qualquer coisa, ainda na rua Castilho, quando morávamos lá. Depois, tu, de repente, mudaste outra vez e deixaste de acreditar”.

“Nessa altura não foi uma opção do Partido Comunista”, lembra o amigo deputado, “foi uma opção natural da vida, porque eu só sou comunista desde 1976”.
O que era antes?”, pergunto-lhe.
“Era democrata”, responde o comunista.
“Ainda és democrata!”, emenda-o rapidamente o amigo banqueiro.
“Pois… era ‘só’ democrata”.
“Ah, bom!”, Abdool faz um ar aliviado, entre risos…

Enternecedor e respeitável, com o respeito que merecem todos os homens com vidas dedicados à causa pública, mesmo que com correntes de pensamento diferentes.

Mas há também constrangimento quando escuto o esbracejar verbal do Dr. Abílio Fernandes nas sessões de Assembleia Municipal, sobretudo quando é grosseiro com quem não partilha da sua opinião, ultrapassando os limites do razoável.

Ouço o desembrulhar de uma cartilha sem qualquer alcance político, a protestar verdades inverosímeis.
Quem ouve cala por compaixão. Dos seus colegas de bancada reparo nos olhos baixos, noutros a incredulidade.

O Dr. Abílio Fernandes não é um democrata. Pode já ter sido.