A Arena d'Évora é um equipamento construído com verbas da Câmara e da União Europeia. É resultado de uma recuperação que valoriza a Cidade e salva da ruína um espaço de espectáculos tão nobre como foi a antiga Praça de Toiros, que não teve, ao que se sabe, só espectáculos de toiros.
A Arena d'Évora custou cerca de 3 milhões de euros mas não é uma praça de toiros (terá 10 corridas ao longo do ano). É um pavilhão multi-usos, que, através de uma programação variada como a que assistimos durante a Feira de S. João, servirá todos os tipos de espectáculos. Desportivos, Musicais, de Dança, Comédia, Conferências e Congressos (do PS, do PSD, do PCP e de todos os que assim o pretenderem).
Évora não tinha uma infra-estrutura deste género, o que e tendo em conta a sua capitalidade, a deixava em desvantagem em relação a outras cidades bem mais pequenas, que lhe estão próximas.
Como é habitual (não significa que seja aceitável), vamos lendo e ouvindo aqui e ali o bota-abaixismo crónico. Não conheço outra figura, que é nacional, que ilustre tão bem o que refiro, a dos velhos do Restelo.
A resistência à novidade e a desvalorização do que se faz são dois freios à competitividade e ao progresso. A referência ao "mal português" é antiga mas a novidade é que ela vem agora de "gente pensante".
O sectarismo político-partidário (não há partido inocente, nem o povo se ilude com ele) é o que temos, o que justifica, em parte, este afastamento entre as pessoas e os políticos. Quando os da classe se desrespeitam tanto porque razão hão-de os outros reverênciá-los?
O sectarismo simples (que goza de tanto proveito como o de uma carta anónima) é contudo mais eficaz, porque, vindo de alguém que aparentemente é isento, alimenta o apetite pelo picante, pelo detalhe do insólito que chega a substanciar o mito urbano.
Isto a propósito da insistência do Luís Maneta em fazer campanha pela menorização ou da Arena d'Évora ou do trabalho da Câmara Municipal e do Presidente da Câmara Municipal de Évora, de quem, por sinal, já foi colaborador como agora eu sou. Chamar insistentemente ao Pavilhão Multi-usos de Praça de Touros só serve para reforçar a sua ideia (do Luís Maneta) que o investimento foi desperdício de recursos públicos, como já o afirmou, aproveitando a aceitação de quem, como ele ,parece não admirar particularmente as corridas de toiros.
Ao contrário do que diz Luís Maneta construir equipamentos é difícil.
Recuperar, revalorizar e dar nova funcionalidade a equipamentos já construídos é ainda mais difícil, o que é o caso. São projectos caros e que obrigam a soluções de engenharia complexas (note-se a magnífica solução do tecto amovível do Pavilhão ou o respeito pelos seus 16 lados exteriores, assimétricos uns dos outros, entre outros).
Depois tudo o que o Luís Maneta defende num pavilhão de raiz (com recurso a um discurso relativizador como inovação e modernidade, vanguarda e tradição) fez-se num local nobre da cidade, salvando aquela estrutura da ruína.
Não é possível concordar com ele em momento nenhum porque, se bem que algumas das questões que coloca sejam razoáveis, da dificuldade em transformar o espaço em motor de desenvolvimento e da questão da programação, sublinhe-se a diferença entre desejar que tudo seja bem feito (como é o meu caso e onde não tenho exclusividade) e o anseio que o futuro da Arena d'Évora permita alimentar a pequena polémica e que justifica a existência de semelhante campanha (como é o seu caso e o de outros, se bem que, acredito, em menor número).
A gestão deste espaço desperta naturalmente curiosidade. As palavras do Presidente da Câmara a este respeito foram da intenção de criar um empresa municipal para gerir tanto este como os outros espaços culturais da cidade (o que diga-se, é uma nova abordagem perante as estruturas que a cidade já tem) como o são o Salão Central (que tem projecto em fase de conclusão e se transformará numa black box), o Teatro Garcia de Resende, a Casa da Música ou o recentemente recuperado Convento dos Remédios.
Gerir a manutenção e a programação. Não os espectáculos. Quanto a estes será dado espaço à iniciativa privada (que tem abordado já a CME com a intenção de explorar comercialmente diversos espectáculos), que promoverá variedade e qualidade
A seu tempo (logo após o debate feito nos órgãos próprios) será apresentado o modelo de gestão.
Não querendo ser mais papista que o Papa digo, se bem que nem tudo é perfeito, o esforço da Câmara em modernizar e valorizar a Cidade e a sua qualidade de vida é um esforço consistente e estrategicamente desenhado. E tenho a convicção que todas as críticas construtivas são precisas.
Agora o que a Cidade não precisa é que lhe digam que "não são precisas avenidas tão largas, porque, nas ruas que temos, passam bem carroças".