Sexta-feira

Carlos Sampaio

Amanhã o Felgueiras (nome de guerra ainda antes dos portugueses conhecerem Fátima Felgueiras) casa-se em Monfortinho. Para além de poder estar com ele, vou poder rever o António Barata e o Nuno Cajão. São meus amigos, foram meus companheiros de casa e camaradas nos tempos conturbados da política universitária. Um activista, um estratega e um diplomatico.
De memória guardo a camaradagem, o facto de aceitarmos os defeitos uns dos outros, e a grande generosidade de qualquer um deles.
Por mais tempo que estejamos sem falar uns com os outros, é possível sempre recomeçar a conversa onde ela foi interrompida.

Quinta-feira

A nobreza da verticalidade

Ter o Abrupto na coluna de leituras diária é qualificar qualquer leitor e, por consequência, qualquer blogue.
Gosto da verticalidade do Pacheco Pereira. Não concordo sempre com o que diz mas quem sou eu?
Isto a propósito do seu post acerca da questão da Dr. Dalila Ferreira.

Ao fazer o que fez (e já antes em várias alturas tinha procedido igualmente mal), Dalila Rodrigues colocou-se numa situação insustentável. Não é suposto uma funcionária pública abandonar o dever de lealdade e isenção e, se queria fazer o que fez, poderia muito bem fazê-lo noutra condição, noutro estatuto, de outra maneira. Tudo aquilo era possível, com Marques Mendes visitando o Museu ao lado de Dalila Rodrigues, ambos como cidadãos e políticos, no pleno exercício dos seus direitos, criticando o Governo como entendessem, mas Dalila Rodrigues não poderia estar ali como directora do Museu, mesmo demissionária, nem poderia colocar-se ao lado do líder da oposição na casa do Estado que gere, para atacar o Governo legítimo do seu país. Insisto: é uma questão de Estado.
Nem mais.
O Presidente da República também não ficou bem na fotografia.

Quarta-feira

Ver o longe

foto de amigosdacuba.no.sapo.pt

Foram cerca de duas centenas as pessoas que acompanharam o Dr. Flamínio Roza a Ferreira do Alentejo, onde foi cremado. Figuras como a do Eduardo Catroga, Fernando Madrinha ou Eduardo Cabrita estiveram na despedida, entre os muitos populares e figuras institucionais de Évora.


Na volta visitámos Cuba. Parámos na recente mas já famosa estátua de Cristóvão Colon que, também acredito, é originário da Cuba. Uma oferta do Dr. Flamínio ao município.

O José Ernesto convidou-nos, a mim, ao Monarca Pinheiro e ao Sr. Joaquim Manuel, para almoçar no Lucas. Contou-nos que o Flamínio Roza começou muito novo (cerca de 10 anos) e pobre, a trabalhar na ceifa e a guardar animais. Lutou muito e, no intervalo do trabalho do campo, ia à escola.
Foi seminarista por algum tempo. Mais tarde na tropa conheceu um dos Champalimaud, de quem ficou muito amigo. Fez-se advogado trabalhador. O destino apanha-o na Siderurgia Nacional aquando o 25 de Abril. Daí até aos nossos dias trabalhou, arriscou e enriqueceu.


A realidade mostra que não quis a riqueza para si. Fez muito trabalho social e, sozinho, construiu a Fundação Alentejo Terra Mãe. Deixa também obra na área cultural e promocional do Alentejo e um vazio que só homens como ele deixam.

Como António Alves disse, a melhor homenagem que se lhe pode fazer é continuar a sua obra.

Terça-feira

A perda


Morreu José Flamínio Roza.


Foi-me apresentado há dois anos.
Teve a simpatia de me dizer que um dia gostaria que trabalhasse com ele. Em rigor devo dizer que os que com quem privo privaram com ele e eu estive presente, várias vezes.
O que vi no homem admirei.

Um lutador que hoje deixou de lutar. Uma perda para o Alentejo, que agradece o trabalho benemérito e a criação da Fundação Alentejo Terra-Mãe.

Amanhã prestamos-lhe homenagem na Rua dos Penedos, antes de partir para Ferreira do Alentejo, onde será cremado.

Adeus José Flamínio Roza.

Segunda-feira

A Família


À medida que o tempo passa vamo-nos apercebendo do valor que as coisas têm e compreendemos o porquê de muito que nos foi ensinado pelos pais, pelos avós, enfim, pelos membros da família.

E mesmo sendo um lugar comum sublinho, a família é o mais importante. E quanto maiores e mais sólidos forem os laços entre membros, maior consistência tem o carácter destes.


Tudo isto a propósito do que Gabriel Marcel chamou de "convívio secreto" no Homo Viator.

Ontem nasceu o membro mais novo da minha família, a Leonor, filha do meu primo Paulo Renato (que agora deve sentir aquilo que só os pais sentem). Coincide este data, a de 26 de Agosto, com a do aniversário de casamento dos meus tios Cezário e Fátima (29 anos de um casamento forte), que me fizeram uma visita para conhecer o Francisco. Trouxeram com eles os meus 3 primos, o que é espantoso quando as crianças, já não tão crianças, passam a não gostar de viajar com os pais. O Marco tem 27, a Priscila deduzo que 22 e o Alexandre 14.


E mesmo à distância reagimos todos como se lá estivessemos, juntos ao Renato, a comemorar a nossa extensão no tempo. Bem vinda Leonor, a esta grande Família.

Sexta-feira

Gapminder - TED 2007 - The seemingly impossible is possible


A Maria Helena Guerra fez-me chegar ao mail a GapMinder TED 2007 - Debunking third-world myths with the best stats you've ever seen.

Uns cliques levaram-me aos objectivos do milénio, mas o que me despertou a atenção foi a apresentação de
Hans Roslings na TED Conference em 2006. Quem disse que as apresentações estatísticas têm de ser chatas?

Quinta-feira

Regiões, Sim

Imagem do tagish

Pode ler-se no regiões.

Adriano Pimpão foi nomeado o coordenador de um grupo de trabalho que elaborará um documento em defesa da regionalização, no seio do núcleo regional do Algarve do movimento cívico «Regiões, Sim!».


O até há pouco tempo reitor da Universidade do Algarve e ex-Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional nos governos de António Guterres vai chefiar uma equipa multidisciplinar, com um total de 11 elementos. A equipa, criada na passada semana, conta com o jornalista Vasco Grade como vice-coordenador. Além dos coordenadores, integram este grupo Álvaro Anjo (professor), Ana Vidigal (advogada), António Pires de Carvalho (médico veterinário), Bruno Lage (engenheiro do Ambiente), Conceição Branco (jornalista), Mafalda Reis (técnica superior de Turismo), Marcos Guia (engenheiro agrónomo e quadro superior da Ualg), Nuno Antunes (Consultor de TecnologiasGrupos semelhantes ao criado no Algarve vão ser compostos nos outros núcleos regionais do movimento. Deste trabalho sairá um «Manual Prático», que será posteriormente divulgado por todo o país.

O debate é mais que oportuno, mesmo que este só venha a ser colocado na agenda da próxima legislatura.


Somague

O caso merece um post mas é melhor aguardar para ver. Para impulsivo já basta o Miguel Portas.

Quarta-feira

Iniciativa

Depois de uma conversa com um antigo colega reforcei a ideia que existem várias maneiras de ganhar autonomia na vida mas nenhuma é tão respeitável quanto aquela que depende de nós e da nossa iniciativa, e as tentativas falhadas também contam para o currículo.
Este meu amigo tem um percurso semelhante ao meu: decidiu fazer uma licenciatura depois de ter interrompido os estudos do secundário, fê-lo sem que fosse um encargo pesado para os pais (não teve a mesma vantagem que eu já que não conseguiu uma bolsa de estudo). Terminado o curso e sem perspectivas que não dependessem dele iniciou um negócio, mesmo não tendo muita disponibilidade financeira nem formação em gestão.
Conseguiu em 4 meses um apoio financeiro do Instituto de Emprego e Formação Profissional, através de uma Iniciativa Local de Emprego (eu esperei quase um ano), criou e mantém 6 postos de trabalho (eu tenho metade), e hoje vive com outras preocupações que não as de perspectivas de futuro.
Há cerca de um ano fui convidado pela Associação de Desenvolvimento Terras do Regadio para falar acerca desta experiência a uma plateia de jovens há procura de uma oportunidade. Transmiti o que entendi que devia transmitir. Fui optimista e deixei de lado a parte dura dos obstáculos e das dificuldades que surgem no difícil processo de se ser empresário (mais para mais quando o orador anterior a mim fez um discurso que quase comparava a vida de um empresário à de um escravo). Mas avisei que ser empresário não é para quem desiste ao primeiro sinal de dificuldade. É preciso ser tenaz e exigente. Se na altura já tivesse tido a conversa que tive com o meu amigo empresário teria acrescentado o que cumplicemente me disse: vencer é uma luta constante e difícil mas é muito melhor que ser vencido.
Era isto que teria acrescentado.

Terça-feira

A parvoíce não é resposta à estupidez

O frenesim em torno do caso dos ecoestúpidos e da destruição que causaram no campo de milho transgénico demonstra a que ponto está a oposição do PSD e de muitos pensadores da blogoesfera, opositores ou antipáticos ao governo.
Esgrimem-se argumentos jurídicos e conceptuais. Tudo tão excessivo quanto a atitude daquele grupo de jovens mal-educado.

Ver aquele turba a destruir o trabalho ardúo na propriedade de um cidadão num Estado de Direito é de ficar perplexo, mas toda a agitação do PSD em torno do caso fica explicada com o deslize do Abrupto (escuso de ser irónico e dizer que se trata de honestidade intelectual de Pacheco Pereira). Este trata de ligar este caso ao da licenciatura de José Sócrates e fazer da "coisa" um problema controlo de comunicação.
Para mim foi apenas isto.
Com ajuda dos agitadores do costume.
Agora que se punam os culpados e que este compensem o dano causado ao prejudicado. Trata-se de justiça. Seja feita.
E, já agora, faça-se política.

Segunda-feira

Ecoestupidez

A atitude do extremismo e da irresponsabilidade mantém os assuntos ambientais durante demasiado tempo como tabu.
Não são tomadas de posição como as que vimos no sábado, de jovens ululantes a destruir propriedade privada, que atrairão para a questão as nossas simpatias, pelo menos as simpatias de gente civilizada.

Sexta-feira

O mau jornalismo de Martha Gellhorn


Leio a Ípsilon (Público) e detenho-me numa fotografia provavelmente com mais de 50 anos, de uma mulher que, não sendo bela prende a atenção. É Martha Gellhorn, jornalista, a chamada teceira mulher de Hemingway, o que, por sinal, detestava.


Diz o artigo que visitou Dachau quando os fornos crematórios ainda estavam mornos, após o abandono do campo pelos nazis. Diz também o artigo que o que viu a marcou profunda e irremediavelmente. Escutou da boca de um sobrevivente meio vivo que a guerra tinha terminado mas diz que, por um pudor que nunca foi capaz de explicar, não o conseguiu olhar nos olhos. Sentiu-se envergonhada pela humanidade.


Transformou a reportagem de guerra numa aventura do ódio.


Escreve Paulo Moura: Os seus textos são demasiado belos para que os possamos criticar. Demasiado humanos, demasiado comoventes. Muitas vezes levam-nos a esquecer o bom senso. Levam-nos a compreender, para além da razão. Por vezes levam-nos a odiar. Mas nunca a deixar de acreditar na Humanidade, mesmo quando é ela, Martha, a jurar-nos que, depois de Dachau, deixou de acreditar.

São textos falhados, de mau jornalismo. Pior que tudo: são imprescindíveis.




Quinta-feira

O homem que engole sapos

Está visto que o líder do PSD está disposto a tudo para ser reeleito. Primeiro a visita ao inominável Alberto João Jardim e a submissão ao grande líder (sic), agora a ida para a toca do lobo no Algarve. Mendes Bota tirou o tapete a Marques Mendes e estendeu a passadeira a Menezes.
Não invejo os dias que vive Marques Mendes.

Cuidem-se

Li no Portugal Diário que a CIA e o Vaticano, entre outros, possuem software capaz de identificar utilizadores e alterar as entradas na Wikipedia e, diz a notícia, já o têm feito.

Naturalmente que esta capacidade é, a acreditar no que se noticia, mal usada. Mas é também certo que as empresas, as instituições e mesmo o cidadão têm necessidade de se defender dos ataques que sofrem diariamente nas suas páginas oficiais, institucionais e pessoais.

A internet precisa de regras de uso, de segurança e de transparência. E é possível, mesmo para o cidadão comum, defender-se dos utilizadores abusivos, normalmente escondidos atrás do anonimato.
Certo é que a CIA e o Vaticano (entre outros), são (no caso) também eles abusadores.

Quarta-feira

A falta de notícia


Enquanto escrevo este post ainda decorrem as "notícias" em torno do Benfica, na SIC. Fiquei contente com os 2 golos de Rui Costa contra o Copenhaga mas daí a ter que assistir a mais de 6 minutos de comentário em torno do feito, com teorias mirabolantes (o comentador diz que Rui Costa marcou e evidenciou-se porque o resto, o termo é meu, não presta) é demais.
Ainda assim seguiram-se mais cerca de 4 minutos com a divulgação de segredos da justiça no caso do "Apito Dourado", envolvendo Luís Filipe Vieira (os segredos são bons demais para que não os partilhemos).
Na falta dos fogos (uma boa notícia) e com a política de férias, o País fica assim, indolente.

Terça-feira

Obrigado por discordar

O meu caro Manuel Cabeça deu-se ao trabalho de discordar do meu post anterior, coisa que lhe agradeço.
um comentário entre o prático e o tecnocrático com o qual não posso concordar;considero que o nosso sistema social se constroi com base na acção das pessoas, dos seus objectivos e interesses, dos seus momentos e circunstâncias, dos constrangimentos e das oportunidades que cada um vê em face de um dado contexto;reduzir essa construção social à sua estrutura (organizacional ou institucional) é reduzir a acção das pessoas a um determinismo que lhe é exterior e ficar por ele cerciado; ( Manuel Cabeça)
E por isso resolvi explicar-me:

Da reflexão não se pode intuir nada tecnocrático nem nenhum determinismo externo. O sistema de relações sociais é construído pelos homens e mulheres e não por nenhuma divindade (pelo menos é o que acredito). Estes organizam-se com regras que instituem (por exemplo e sem querer ser bíblico: não matar, não roubar, não violar..).

Se o nosso sistema se organizasse como diz o que teríamos era o caos (não deixa de ser uma visão pragmática a sua) em que cada um agia segundo as suas próprias regras e com base nos seus impulsos e apetites.

O meu escrito não é uma dissertação nem contém a verdade absoluta, é uma abordagem precisamente do ponto de vista organizacional.

Se for redutor depreendo do seu comentário que limita a construção social à vontade do indivíduo, ao seu sentido de oportunidade, o que é, em extremo, uma relação de predadores e de presas. O que inviabilizaria a forma como nos organizamos.

A minha abordagem refere como figura central o agente da acção e dos comportamentos padrão que dele se esperam.
Com o conceito de “papel” indicamos sempre uma posição que vai para além da sua definição formal ou tradicional.

Se quisermos chegar à unidade básica da vida social, ao elemento a que ela pode ser reduzida, não partimos do indivíduo isoladamente mas da relação social que se estabelece entre dois ou mais indivíduos.

Posso dizer que existe relação social quando mais do que um indivíduo ou mesmo grupos de indivíduos tem expectativas recíprocas em relação ao comportamento dos outros (com quem interagem) de forma a que tendem a comportamentos padronizados.

Sem essa rotina dos comportamentos padronizados a vida social teria demasiados factores de imprevisibilidade e a confiança seria quase nula (se bem que ela ande pelas ruas da amargura).

Esta tendência das relações sociais para o comportamento padronizado acontece porque as pessoas trazem para as relações não a sua personalidade total mas sim aspectos da sua personalidade.

Vai concordar comigo que por exemplo a imagem de um político ou outro profissional significa a sua apresentação social: Conhece-se deles a sua imagem e não a sua personalidade total.

Contudo algumas relações implicam um envolvimento mais profundo das pessoas. A relação amorosa é um exemplo. Mas sobre ela não se edificam organizações como aqui se querem abordar. Estamos nos domínio do espontâneo, no campo da liberdade do sentimento.

E não é sobre esse campo que escrevo.

Não esqueça, este é apenas um dos lados do 4.
Um abraço e obrigado por se dar ao trabalho de discordar

Segunda-feira

Papéis


O que permite à sociedade organizar-se e evoluir é o grau de previsibilidade das acções dos indíviduos entre si, no desempenho dos seus papéis. Repare-se na relação entre vendedor e consumidor, médico e paciente, polícia e condutor, pai e filho, político e eleitor, etc.

Quanto maior for o papel desempenhado (depende da abrangência sobre quem se desempenha determinado papel) maiores são as gratificações e honras no bom desempenho, mas maiores e mais severas são as punições no caso de erro. O que nos remete para o facto da sociedade não se deixar depender apenas pela boa vontade dos actores (ela prevê também o erro e possui mecanismos para afastar quem os comete).

A linguagem política do século passado preferiu o conceito de instituição ao de estrutura e o de cargo ao de papel.
Contudo estrutura e papel são mais abrangentes e permitem comparar sociedades com graus de desenvolvimento diferentes, já que só às mais modernas é possível referenciar instituições e cargos.

A previsibilidade existe não só nos papéis dos actores mas na definição das instituições ou estruturas e na suposição que os actores são substituíveis, sem que daí resulte prejuizo do resultado da actividade.
Apesar do cunho pessoal que cada indivíduo imprime a cada cargo, este sobrevive sempre ao que o interpreta.

Nenhum presidente da república ou primeiro-ministro substituiu por si a ideia de cargo que ocupou, i.é, os presidentes e primeiros-ministros passam mas o conceito da instituição mantém-se.

O nosso sistema social constrói-se sobre papéis organizados em estruturas e não sobre a particularidade dos indíviduos. Isto a propósito da fragilização que sofre a sociedade quando as estruturas se personalizam. Sempre que uma instituição ou estrutura se personaliza perde a sua autoridade e ganha em troca as fragilidades do indivíduo.

Sexta-feira

A crise como oportunidade


Em períodos de crise financeira as administrações políticas (as responsáveis) sofrem um desgaste político tanto menor quanto maior for o realismo com que se enfrenta o problema. Embora a tendência para grande parte dos políticos seja a de acreditar no contrário.


Uma das soluções mais imediatas é a da redução generalizada da despesa, o que implica mudanças sérias nas vidas das pessoas, nas suas expectativas, do seu modo de vida. Daí que seja fundamental dar a conhecer os motivos das políticas restritivas de despesa. Esta redução da despesa é uma forma de dar equílibrio ao orçamento, mantendo os serviços prestados mas com menores recursos. Os americanos chamaram-lhe downsizing.


No entanto existem outras soluções e de resultado mais rigoroso. Trata-se de medidas de ajuste (rightsizing), o que implica uma análise qualitativa da situação. O objectivo é reduzir quantitativamente a despesa através de critérios qualitativos, isto é, a transferência de verbas de uns programas para os outros, priorizando o melhor e reduzindo o pior (em termos de resultados ou de eficácia).


Dentro destas opções considera-se ainda a revisão das estruturas administrativas. Surgem aqui as oportunidades para estrategicamente proceder a alterações que de outra maneira não eram possíveis. A própria gravidade da crise gera nas pessoas maior aceitação para medidas mais severas e legitima políticos mais austeros.

Neste caso uma crise não é uma catástrofe mas sim uma oportunidade para evoluir e adaptar.

Pequenas soluções resolvem grandes problemas


Os pequenos mapas de Évora, em tamanho A3, têm ajudado milhares de turistas a descobrir a Cidade. Fiquei a saber que a Câmara de Évora manda imprimir 100 000 exemplares por ano.


Apesar do investimento não ser grande é ainda considerável. O que foi relevante para procurar financiar este custo por privados, no caso unidades hoteleiras da Cidade. Lá para Outubro estarão disponíveis os novos mapas, sem encargos para o orçamento da Câmara, promovendo os mecenas que demonstraram interesse e mantendo a qualidade que têm.


Quinta-feira

A hora da Graça do Divor

Estevão Cardoso, membro da Assembleia de Freguesia da Graça do Divor discorda do tom da entrevista do Presidente da Junta. O comentário foi publicado no Diário do Sul, no dia 8 de Agosto. Mereceu ainda uma nota editorial do jornal, que aparece no final do texto, a bold.

Sou um leitor assíduo do Diário do Sul desde que me lembro. Fico satisfeito com a forma como o jornal dá cobertura ao que vai acontecendo na nossa terra e mais fiquei quando o Jornal iniciou a publicação de entrevistas aos Presidentes de Junta de Freguesia do nosso Concelho. Enquanto elemento da Assembleia de Freguesia da Graça do Divor, sinto que é importante a existência de espaço na comunicação social para que todos possam conhecer não só os pedaços de terra que compõem este grande concelho de Évora mas também as gentes e os projectos que os agentes políticos, associativos e culturais aí desenvolvem.

É uma boa oportunidade para os Presidentes de Junta falarem dos seus projectos, das suas ideias, enfim, do trabalho que têm feito e daquilo que ainda é preciso fazer para melhorar a vida dos nossos concidadãos.

Admito que fiquei perplexo com a entrevista feita ao Sr. Presidente da Junta de Freguesia da Graça do Divor. A Graça do Divor é a minha freguesia. É uma terra de gente trabalhadora, que construiu com as suas mãos todas aquelas casas e ruas e construiu aqueles campos outrora cultivados. Gente honesta e inteligente, que sabe o que quer e luta por isso.

Essa marca tão própria dos meus conterrâneos contrasta com a atitude do Presidente de Junta que, está visto, mostra cansaço e que não tem ambição para a sua freguesia. Na oportunidade que teve desperdiçou-a. Não falou dos seus projectos nem das suas ideias. Muito menos falou das potencialidades e da qualidade que esta terra tem.

Preferiu falar de uma Graça do Divor “dormitório” e com desemprego do que nas potencialidades que esta tem para atrair pessoas e empresas, acusou a Câmara Municipal daquilo que a Junta de Freguesia não consegue fazer.

Ofendeu o Dr. José Ernesto, Presidente da Câmara, quando este tem apoiado, apesar da crise, esta freguesia e as suas associações e nunca faltou ao respeito a nenhuma pessoa desta terra. O Sr. Presidente da Junta de Freguesia foi ainda pouco simpático com a população da Graça do Divor ao querer passar a ideia que esta população anda adormecida. E terminou dizendo que preferia pertencer ao Concelho de Arraiolos em vez de Évora, mostrando que para ele é mais importante o partido político que aí manda do que séculos da nossa história.

A Graça do Divor merece ser governada com energia e por alguém que esteja à altura da sua população.

Felicidades ao Diário do Sul e ao seu fundador pelo serviço público que presta ao Alentejo.

Estêvão Cardoso
NR.«Diário do Sul» ao abrir as suas colunas aos Presidentes das Juntas de Freguesia do Alentejo, tinha consciência que se poderiam registar opiniões diferentes ou contraditórias de elementos dessas Juntas.
Mas resolvemos enfrentar as circunstâncias, com a finalidade de esclarecer as populações sobre a acção das Juntas de Freguesia, que são de inestimável valor autárquico. Não desejamos politizar essas entrevistas, preferindo que elas sejam um espelho do empenho dos autarcas na valorização das suas freguesias.

Quarta-feira

Convenção de autores de blogs Liberais

Chamou à atenção o Abrupto, em tom irónico, o second annual Yearly Cos Convention, que reuniu blogueiros liberais e activistas políticos em Chicago, EUA. Depois de visitar o local fiquei com uma ideia do que cá será dentro de uns anos.

De longe

Fotografia de Renato Costa 2007

Algures em Sakhalin, na Rússia. Se o MQI enviasse legenda ficávamos a saber o quê e onde. Longo desvendaremos.

Terça-feira

Porquê a surpresa?


Tenho indagado porque se mostram alguns políticos e fazedores de opinião indignados com o afastamento da ainda Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dr.ª Dalila Rodrigues? Note-se que mesmo o Sr. Presidente da República mostrou alguma perplexidade.

Independentemente das qualidades da Sr.ª Directora, que não discuto, a sua crescente incompatibilidade com as políticas do Governo para o sector, que ela não nega, criou uma situação de instabilidade entre o Museu e o Ministério da Cultura e pôs em causa a relação de lealdade funcional que esta deve ao Governo e cujas política deve implementar.

Se determinado nomeado (julgo que a Dr.ª Dalila foi nomeada pelo governo de Durão Barroso) discorda com as políticas de um governo eleito então deve demitir-se.

Não está aqui em causa se a política é boa ou não (e a política em causa merece-me tanto respeito quanto a capacidade da Dr.ª Dalila). Está em causa sim o princípio da aceitação das políticas de um governo eleito democraticamente por um cargo político do estado, cuja função é implementar o programa sufragado.

Quem não distingue cargos públicos (de nomeação política) de função pública (de carreira e cujas funções decorrem da lei), não percebe o que se trata. Que a Sr.ª Directora o faça é grave mas já incompreensível é a posição de comentadores e partidos políticos com responsabilidades.




Segunda-feira

O meu velho amigo

O meu velho amigo está, apesar de tudo, bem. Mais magro mas com a mesma disposição.
O meu velho amigo não cultiva a auto piedade e enfrenta a doença com determinação e sobriedade. Podia ser diferente e ninguém, em direito, criticaria. Mas não. O meu velho amigo desvaloriza e banaliza o seu mal, sem falsos optimismos ou irrealismo.
Lá no fundo eu noto que o meu velho amigo não está preocupado consigo. O que o preocupa são os seus e aquilo que sentem.
Põe-te bom depressa. Ainda nos vamos rir de tudo, mais do que já fizemos ontem.

Sábado

Desta acertei

Saí de Évora (41 graus celsius) e vim para Setúbal (32 graus).
Voltei ao Portinho da Arrábida, de onde tenho memória de umas boas férias há quase 10 anos e admirei a parecença com o Mónaco que dão os corredores em betão colocados na estrada para Galápos. A serra recupera após os incêndios de 2003.
Amanhã espera-me um reecontro com um velho amigo.

Sexta-feira

Boçalidade

O Diário do Sul iniciou uma série de entrevistas aos Presidentes de Junta das Freguesias de Évora. A primeira foi feita ao Presidente dos Canaviais. Registo a força de vontade perante as dificuldades e a criatividade de uma equipa que, em dois anos, mudou já a face da freguesia.
Quanto ao presidente da Junta da Graça do Divor percebo o inverso. Um executivo já desgastado, sem iniciativa, que chega a acusar os próprios fregueses de andarem a dormir porque, segundo ele, a responsável por tudo o que não se faz é a Câmara e "as pessoas não acordam".
Restos de um regime antigo.
Um presidente que confunde assistência social com construção e que chega a dizer que estava melhor no Concelho de Arraiolos.
Muito pobre.

Quinta-feira

Torneio Olímpico de Pré-Qualificação em Évora


Começo hoje a tarefa de recolher apoios institucionais e privados para financiar os 35 000 euros necessários à vinda para Évora do Torneio Olímpico de Pré-Qualificação de Voleibol para os Jogos Olípicos de 2008 em Pequim.

Tudo para que em Novembro possamos cá ter, na Arena d'Évora, 6 Selecções "A" mundiais, onde se inclui a Selecção Nacional.

Será um torneio com 4 dias, com transmissão televisiva mundial, o que faz desta iniciativa uma boa oportunidade de mostrar Évora ao mundo.

Sismo

VirtualTourist.com

Ouço as notícias na TSF e fico a saber que o Japão está em alerta máximo para o perigo de tsunami. Um sismo com intensidade superior a 6 na escala de richter, com epicentro a norte da Ilha Russa de Sakhalin, matou pelo menos duas pessoas.


Liguei ao meu irmão e o sinal deu repetidamente interrompido. Por fracções pensei o pior. Mas acabou por atender com a boa disposição habitual. Disse-me que um sismo era uma coisa frequente.


Pesquisei no google e é como ele diz, frequente.

Quarta-feira

Antes tarde que nunca


A morte e o crime olham-se com desinteresse nos dias que temos, sobretudo se forem cometidos à distância. Este facto faz-me recordar dois momentos precisos em que me apercebi da condição humana e de como ela pode chocar: a banalização da morte com a Peste Negra na Idade Média e a inexplicável obra do mal da Alemanha Nazi.

Vem isto a propósito de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU em enviar 26 mil capacetes azuis para Darfur. Quantos dias passamos nós sem pensar nos crimes e na morte no Darfur?