Segunda-feira

A ligeireza da política

Se olharmos para o panorama político actual percebemos que parecem estar criadas as condições para que o debate sobre a Regionalização do País seja feito.

E podia adiantar também que a questão colocada a referendo tinha agora grandes hipóteses de vir a ser aprovada, se bem que nesse campo já não arriscaria que chegássemos a um resultado vinculativo. E isto vale para todos os outros referendos.

Apesar de concordantes, as principais forças políticas têm divergências de forma e de conteúdo em relação ao que é a proposta de Regionalização das cinco regiões, que, afinal, são as regiões das actuais Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

E se bem que a grande maioria dos portugueses ainda não se tenha detido sobre esta proposta, a implementação do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado é uma realidade e visa preparar a futura reforma administrativa para 2009.

Contudo o início do debate preocupa-me.

Parece-me que alguma classe política insiste em desperdiçar mais uma oportunidade, provavelmente, a última nos próximos 10 anos, para pensar a região estrategicamente e, sobretudo, para esclarecer as pessoas.

A reorganização dos serviços descentralizados do Estado está a gerar este diálogo de surdos e arrisca-se a dar respostas avulsas a exigências de pressão política.

A reorganização de serviços como as delegações regionais do Instituto Português da Juventude ou uma pretensa extinção dos Serviços Distritais das Finanças e das Regiões de Turismo já resultaram em declarações de catástrofe proferidas por um elemento do PSD local, que pré-anuncia a “destruição política do pilar administrativo de Évora”. (sic)

Para além de um certo bairrismo extemporâneo revela-se para já a falta de vontade de pensar a Região como um todo.

Mas a questão da criação de uma única região de turismo para o Alentejo ainda está a ir mais longe. O Presidente da Câmara Municipal de Beja defende que a sede da Região de Turismo seja em Beja. Porquê? Porque nas suas palavras o Governo leva tudo para Évora.

Com a mesma legitimidade o de Portalegre defende que esta deve ficar em Portalegre para combater o que chama de concentração de serviços regionais do Estado em Évora e em Beja.

O Presidente da Região de Turismo de Évora diz que para “criar unidade” a sede do Turismo deve ir para Grândola. E assim ninguém se zanga.

Lamento, como lamentou o Presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto d’Oliveira, que não se seja capaz de discutir com visão estratégica a melhor localização de qualquer um dos serviços desconcentrados do Estado e que esta fique entregue à lógica das clientelas locais.

Não admira que os partidários do não à regionalização sustentem muito da sua argumentação com estes interesses menores e saibam expor o que de pior existe nestes comportamentos bairristas.

O Governo, por sua vez, tem duas alternativas:
Ou cede às pressões e alimenta este clientelismo local ou centraliza a decisão e é acusado de não defender os interesses das regiões e de ser prepotente.

Uma coisa é certa: sem consenso e visão estratégica não haverá regionalização que valha ao Alentejo.
A ver vamos.

Sexta-feira

A besta Sergi Xavier

Sergi Xavier num bar em Barcelona após ter sido libertado. A notícia pode ser lida aqui.


A minha intolerância começa na intolerância dos outros.
Aquilo a que chamou Amos Oz a
essência do fanatismo.

Não é aceitável deixar um criminoso como Sergi Xavier sem uma pena exemplar. E a pobre jovem sem nome será apenas a
jovem equatoriana.

Quinta-feira

Évora com vida


A Câmara Municipal de Évora e a Associação Abraço dinamizam em parceria a Semana da Prevenção, este ano intitulada “Évora com Vida”, que até ao próximo dia 27, através de exposições, colóquios e tertúlias, visa esclarecer e sensibilizar os jovens para a importância da prevenção no que concerne à SIDA.

Quarta-feira

URAP


Durante o mês de Setembro recebemos na Câmara Municipal um grande grupo de pessoas, todas na casa dos 60, com quem acabamos por criar um laço de amizade, para lá da relação institucional a que estamos obrigados.

Conhecer aquele grupo de resistentes, todos eles com currículos de luta antifascista, foi espantoso. E as 3 horas de convívio, por serem curtas, obrigavam a uma visita em sua casa. Foi o que fizemos no Domingo (eu, o Lino e o Sr. Freixial).

Uma tarde de conversas e de histórias de outros tempos, que muitos deles recusam acreditar ser possível repetirem-se. Todos defendem que a História não se repete.

Fomos tratados como se estivessemos em casa.

Com um código de convívio assente na fraternidade e na solidariedade, a União de Resistentes Antifascistas renova-se e, acima de tudo, tem a capacidade de deixar aos mais novos a ideia de que nada está ganho e que a democracia não é um bem adquirido, luta-se por ela todos os dias.

Não vá tudo repetir-se.

Terça-feira

Os nossos dias

No mesmo dia em que Lisboa dava o nome a um acordo histórico entre 27 países europeus, manifestavam-se cerca de 200 000 pessoas, descontentes com as suas condições de vida no País.

E é um facto que nem este acordo nem um défice de 3% dão resposta às preocupações de qualquer uma delas.
É preocupante saber que cerca de 2 milhões de portugueses vive mal.

Mas este problema social não é circunstancial. É um problema crónico e que deve envergonhar-nos enquanto nação.

Mas, ao contrário dos catastrofistas, acredito que as pessoas têm expectativas e acreditam que a sua situação pode melhorar.

Apesar do gosto luso para o fado, não vejo que os portugueses sejam conformistas.

A nossa história mostra-nos que, apesar dos velhos do Restelo, partimos à descoberta do mundo e demos o nosso contributo para o mundo global como o conhecemos hoje.

Por isso acredito que os portugueses que se manifestam, fazem-no porque têm esse direito e porque as suas expectativas são superiores aquilo que se lhes oferece. E essa é a vitalidade e maturidade da nossa democracia.

Os manifestantes tiveram um propósito. E esse propósito foi o de lembrar o governo que os problemas existem e que se espera que sejam criadas condições para que eles se resolvam.

Atingir a meta dos 3% não me parece que mereça festejo desmesurado. Contudo foi o esforço dos portugueses que permitiu chegar a estes resultados e eles significam, sobretudo, credibilidade das nossas contas públicas e credibilidade do nosso Estado.

Tenho a firme convicção que os portugueses, que confiaram uma maioria absoluta ao governo, sabem que o que tem de ser feito está a ser feito.

Bem pode a oposição contestar o resultado.

Uns defendem mais investimento público, os outros menos intervenção do Estado.

A verdade é que não existem soluções mágicas e que já não se pode falar de uma economia alheada da conjuntura mundial. Em termos simplistas, não detemos agora os instrumentos que outrora tivemos para artificialmente e a curto prazo resolver as crises das nossas finanças.

Mas não me parece que neste ponto de vista haja algum tipo de conformismo. O que hoje temos é menor capacidade de adiar a resolução dos problemas.

Apesar do alto desemprego e das taxas de pobreza há sinais que nos indicam que o caminho percorrido é um caminho consistente.

É o caminho da sustentabilidade. Que começa no equilíbrio entre o que se ganha e o que se gasta, entre o produzido e o consumido.

Muitos dirão que estão de acordo mas que existem outras vias.

Contudo nenhuma outra via parece ter sido capaz de resolver o problema que agora se menoriza.

Outros defenderão a responsabilidade de um Estado abstracto que tudo suporta mas que a realidade mostra não ser já capaz de se auto-sustentar.

Parece-me razoável admitir que nem tudo é perfeito e que é preciso falar mais aos portugueses.

Não me parece contudo é que o País esteja disposto a aventuras do estilo napoleónico do “On s’engage et puis on voit”.

Sexta-feira

Um dia grande

Este dia inscrito na história da União Europeia, com duas figuras portuguesas preponderantes: José Sócrates e Durão Barroso.
Só a demagogia não dará o espaço devido ao facto.
Cá fora 200 000 pessoas protestavam e só a demagogia dirá que o protesto não tem relevância. É preciso que as políticas signifiquem esperança e se concretizem para as pessoas.

Quinta-feira

Pré-qualificação Olímpica de Volei em Évora

Já é oficial. Entre 28 de Novembro e 2 de Dezembro a Arena d'Évora acolhe as qualificações de volei para os Jogos Olímpicos. Ler mais...

Quarta-feira

Uma nova Constituição


O alarde feito, numa agenda "rupturista" (como lhe chamou Paulo Mota Pinto, ex-juiz do Tribunal Constitucional), em torno de uma nova Constituição faz de Luís Filipe Menezes um aventureirista.


Como diz Pedro Mexia, no Il gattopardo, deixem as revoluções constitucionais para a Venezuela.
Imagem tirada daqui

Terça-feira

Os défices

Dois temas merecem a atenção dos portugueses nesta semana: O Orçamento de Estado para 2008 e o Congresso do PSD em Torres Vedras.

Comecemos pelo PSD.

Ângelo Correia, que confirmou no Congresso que Santana Lopes ia ser líder da bancada parlamentar do PSD, afirmou a 5 de Outubro, no jornal Expresso, que o Santanismo era espuma sem substância.

Zita Seabra, que há uns dias advogava pela imediata baixa de impostos, pelo referendo europeu e contra a regionalização, hoje defende tudo ao contrário.

Santana Lopes que andou a desafiar os críticos Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa para irem ao Congresso falar, esteve lá e não se lhe ouviu palavra.

Luís Filipe Menezes, que disse estarem os portugueses há espera dele não conseguiu convencer os próprios militantes do PSD, falhando a maioria no Concelho Nacional do Partido.

Mota Amaral, o político há mais tempo na Assembleia da Republica, encabeça a lista de Menezes ao Concelho Nacional, num espírito de “renovação” do partido.

Eis o “novo” Partido Social Democrata que se prepara para reabilitar o governo de má memória de Pedro Santana Lopes e com ele, fazer oposição ao Governo.

Quanto ao Orçamento de Estado para 2008:

É um facto muito positivo o défice das contas públicas ficar nos 3%.

Significa que o Governo está a fazer o que Durão Barroso e a política económica de Manuela Ferreira Leite, prosseguida com o governo de Santana Lopes e a política de venda do património do Estado por Bagão Felix, não conseguiram fazer.

E é irresponsável menosprezar este resultado, que é um resultado do esforço dos portugueses.

Portugal cumpre com um ano de antecedência os compromissos de reduzir o défice excessivo com o Programa de Estabilidade e Crescimento. E esse simples facto faz uma diferença enorme.

A credibilidade externa e o prestígio internacional voltam a atrair investidores e o próprio ritmo das futuras reduções do défice pode abrandar um pouco, para além de que este orçamento dá os primeiros sinais de incentivo ao crescimento económico desde 2002.

Juntando-se os incentivos às PME’s no interior do País com reduções no IRC até 10%, reduções do IVA em bens alimentares, benefícios fiscais à requalificação urbana, redução dos prazos de pagamento do Estado e Autarquias aos fornecedores e travagem da perda de poder de compra dos funcionários públicos, nota-se um ponto de viragem na política orçamental. Não é o que gostaríamos mas é um início.

É certo que o que os portugueses mais querem ouvir neste momento é que o Governo vai descer os impostos.

Creio que esse momento chegará.
É que até agora foi a economia a sacrificar-se para a estabilização das contas públicas. Daqui em diante poderão ser as contas públicas a incentivar o crescimento económico.
Crónica na DianaFM

Segunda-feira

Rumo à Regionalização


No próximo sábado, dia 20, às 15 horas. No salão nobre do Teatro Garcia Resende.

Mais uma iniciativa do Gabinete de Estudos da Federação do PS de Évora.

A entrada é livre.

Sou um idealista

"Não sei para onde vou mas já vou a caminho..."

Não, não é a propósito no "novo" PSD resultado do Congresso deste último fim-de-semana.

Trata-se de uma expressão ditada por Carl Sandburg, poeta norte-americano, falecido em 1967, recuperada hoje pelo Público.

Sexta-feira

Al Nobel


Apesar do julgamento do Supremo Tribunal de Londres, que acusa "A verdade inconveniente" de conter nove passagens alarmistas (Público de hoje, pág. 52), Al Gore ganha o Nobel merecidamente.

Apesar de tudo (e tudo inclui o alarmismo), considero que Al Gore dá o maior contributo para que os políticos coloquem na sua agenda a questão do aquecimento global.

Apesar de tudo não é comparável o seu método com o dos militantes ambientalistas que já conhecemos há muito.
Nem os resultados que cada um consegue obter.

13, um dia aziago


No dia 13 de Outubro de 1307, Clemente V e Filipe IV, rei de França, uniram-se para manter a soberania do Vaticano. Daí resultaram milhares de mortos de cavaleiros templários. Faz amanhã 700 anos.

Quarta-feira

Geração Sol


É com gosto que vejo chegar à blogosfera Sr.ª Deputada por Évora e minha amiga, Paula de Deus. Ela que me desculpe o abuso.

Bom trabalho à Geração Sol e aos parceiros desta iniciativa.

http://geracaosol.blogspot.com/

Salomé com a cabeça de S. João Baptista, do Barroco Caravaggio


This painting (which was earlier in the Casita del Principe, Escorial) was executed by Caravaggio to send to the Grand Master of Malta to appease him. It essentially follows the earlier version, today in London. The only slight change is in the pose of the executioner. And yet the two works are very obviously different. This later version rises out of an abyss of shadow. The executioner thoughtfully observes the result of his work, instead of lifting up the Baptist's head with certainty.


Fausto Correia



Ontem perdemos Fausto Correia.

Terça-feira

O gene capaz

A mais de 4 ooo km de distância, casou-se em Sakhalin, o aventureiro com uma russa, chamada Juliana. E dali partirá para 3 anos de trabalho no Qatar, numa cidade de mesquitas e de bazares de ouro.
Mas para além do seu casamento, no sábado, dia 6 de Outubro de 2007, às 11:37 locais, outro facto mostra que a sua correria pela vida vai abrandar. O aventureiro pré-reformado quer ter uma base para onde possa voltar das suas viagens e poder dizer que é a sua casa. Que melhor sítio neste País?
A Cidade vai ganhar uma família.

Ruído

É interessante e parece que vem a propósito.
Enquanto ia escrevendo a crónica desta semana só me lembrava da "má moeda" de Cavaco, num célebre artigo no Expresso.
Ninguém está livre do erro.
Uma sentença respeitadora, excluindo os que nele persistem, claro.

Segunda-feira

Deambular

São 8,40 e eu faço o meu exercício diário bloguista. 4 dias sem escrever uma linha.
Faço as minhas visitas habituais. Alguns estão como habitualmente. Zangados. Outros divertem-se. Há uns que se esforçam. Outros que não.
Os blogues autênticos são o estado de espírito de quem os escreve. Os que não são também.
E lembro-me de Fernão Mendes Pinto, não pela peregrinação que faço mas do que dele dizia um Professor de História: Fernão Mendes Pinto não é menos fiável pelo facto de ter reconstruido a realidade nas suas crónicas. Importante é perceber porque o fez ele!
Começa o bulício de um dia de trabalho. Até mais ver.

Quinta-feira

Quase golos

Foto TSF

O Benfica quase que me levou ao Estádio da Luz ontem. A derrota com o Shakhtar da Ucrania fez-me ter menos pena por recusar o convite.

Mas hoje comecei o dia com vontade de me rir. É que ouvi Nuno Gomes dizer que foi azar e que o que o Benfica tinha feito foram "quase golos".

Quarta-feira

Notas do Blogouve-se

(ACTx2) Algumas notas sobre a proposta de Estatuto do Jornalista (por um jornalista):

1) Faz falta uma definição mais rigorosa do acto jornalístico (um relato de futebol é ou não um acto jornalístico?).
A formulação actual é muito vaga;
2) Da mesma forma que um deputado não pode ser jornalista (novidade neste Estatuto), também não penso que seja possível fazer jornalismo no Avante ou na Dica da Semana. Este tipo de publicações, comprometidas, deveria estar na lista de incompatibilidades;
ACT a 23/6/06: leio no 24H que a Comissão da Carteira recusou o título profissional a quem trabalha, precisamente, em jornais de hipermercados, mas houve recurso, favorável aos novos jornalistas. Para mim, trabalhar no Avante, Povo Livre ou Acção Socialista ainda é pior, do ponto de vista jornalístico, do que na Dica da Semana;
3) Se a TSF me enviar a Macau para eu entrevistar Stanley Ho, a TSF só pode (re)utilizar essa entrevista, dois anos depois, com a minha autorização. Não faz sentido. A proposta do Estatuto é absurda quando diz que nenhum trabalho de arquivo pode ser republicado sem a concordância do seu autor.
4) Concordo – e sempre o defendi aqui – com sanções disciplinares. Desconfio é da capacidade (interesse?) da Comissão da Carteira em as aplicar com justiça e razoabilidade;
5) Concordo com o Sindicato: o regime proposto para buscas às redacções deveria ser alargado à residência dos jornalistas, nomeadamente por causa dos freelancers;
6) Concordo com aquilo que o governo designa por período de carência (a impossibilidade de um ex-assessor, de regresso ao jornalismo, exercer na sua área de intervenção anterior). Mas acho seis meses muito pouco.
7) Concordo com a formação superior como condição de acesso ao jornalismo (e não, exclusivamente, a formação em comunicação social – que é e será o caminho natural de acesso às redacções).
ACT a 29/6/06: Fui contactado pelo gabinete do ministro Santos Silva com o objectivo de esclarecer uma questão relacionada a necessidade de autorização para republicar um trabalho. Um colaborador do ministro explicou que essa autorização individual e casuística não é necessária a partir do momento em que estiver prevista no (novo) contrato de trabalho assinado entre o jornalista e a entidade patronal. Pergunto eu: e se não houver novo contrato?

Terça-feira

Durão Barroso a preto e branco

Aproveitei a boleia do 5 dias e publicito um Durão a preto & branco.

A terrível banalidade do mal

United States Holocaust Memorial Museum
Karl Höcker, adjutant to the commandant of Auschwitz, and SS auxiliaries relaxing at a recreation lodge near the camp.



Enquanto milhões de homens, mulheres e crianças eram exterminadas pela máquina diabólica nazi, o mal gozava nos intervalos um quotidiano agradável. E tudo a escassos metros.

Crónica de um PSD

Bandeira do PSD invertida (abrupto.blogspot.com)


Contra aquilo que esperava Marques Mendes sai derrotado nas eleições internas do PSD. Açores e Évora contrariaram o panorama nacional, sendo que no nosso distrito Mendes recolheu mais de 72% dos votos dos militantes sociais democratas.


Luís Filipe Menezes cumpre assim um desejo pessoal, é líder do maior partido da oposição. Escusado será aprofundar que a representação que o PSD deu ao País é absolutamente desastrosa e mancha ainda mais a imagem da política aos olhos dos cidadãos.


A novela do pagamento das quotas e os ataques pessoais lançados entre defensores dos lados em disputa mostra crua e friamente uma luta sem ideias, de poder pelo poder. Apesar de não ter exclusividade na tropelia da luta pelo poder o PSD parece ter ido longe demais.


Já assistimos a campanhas eleitorais externas inqualificáveis como foram as que colocaram em disputa o actual Primeiro-Ministro José Sócrates e o PSD de Santana Lopes.


Mas as coisas passaram-se agora internamente e o PSD não foi capaz de mostrar que é governável quanto mais ser governo do País. E aquilo que por si só já não augurava nada de bom parece ter sido complicado com a eleição de Luís Filipe Menezes. Se se tratasse de alguém que significasse renovação e sem percurso na política seria injusto estar a lançar a Menezes qualquer crítica, sobretudo quando este ainda não teve oportunidade de mostrar o que vale enquanto líder dos laranjas.


Mas Luís Filipe Menezes, com um percurso político sinuoso e inconsistente, tem por hábito mudar de discurso conforme a circunstância e fica, sempre que pode, do lado da decisão que é mais popular. Marcelo Rebelo de Sousa atribuiu-lhe a Via Populista, tal como a Santana Lopes, que, note-se, parece estar em posição de ficar com a liderança da bancada parlamentar do PSD.


Contudo é prematuro chamar populista a Menezes.

José Adelino Maltez, Professor de Ciência Política, diz e bem, que o líder social democrata é antes Pré-populista, já que o populismo implica ser aceite pelas massas e possuir algum carisma, o que Menezes não tem. E esta inconsistência deve preocupar os Portugueses, não pelo ruído ou instabilidade que daí resulte mas pela qualidade da oposição que se fará.


É que acredito que uma má oposição pode transformar um bom governo com maioria absoluta num mau governo com maioria absoluta. E isso pode significar que os sólidos passos que damos para a resolução dos problemas crónicos do País, com o sacrifício dos portugueses no limite, possam ficar adiados ou mesmo irremediavelmente perdidos.


Aguardemos então.


Nota: Pacheco Pereira vaticina um futuro sombrio para o PSD, como o fez com a subida ao poder de Santana Lopes. Deve voltar a acertar.