Quinta-feira

6 da manhã na Portela

Na azáfama do nosso velho aeroporto notei uma segurança inusitada e olhos desconfiados do facto de estar a embarcar para o Qatar a minha cunhada russa que não diz uma palavra em português.
Em 23 dias da sua estada aproveitamos todos para actualizar o nosso inglês, que no meu caso soa a Speedy Gonzales (um amexicanizado inglês) .
E se o meu síndroma é na fala quanto ao Francisco é nas tentativas que faz para andar.


Mas importante é o facto do meu irmão receber hoje a sua mulher e tudo acabar em bem.

Quarta-feira

Évora

Admiro a inteligência dos eborenses e do facto de estes terem há muito compreendido que, ao recusar um modelo pictórico de cidade adormecida na imensa planície, e que o PCP defendeu durante 30 anos para Évora, onde pontualmente se agitavam as revolucionárias bandeiras negras do espectro da fome, da reforma agrária e do desaparecido proletário, assumiram ser donos do seu destino.
Durante cerca de 3 décadas optou-se pela fácil e estática preservação da Cidade como se preservam espécies empalhadas mas onde os tecidos inevitavelmente se vão degradando.
Não há rasgo genial no facto de se herdar terra sem que ela seja produtiva, e apenas manter pintadas as alfaias que já não trabalham.
A política é feita por homens (como por mulheres) e para os homens (como para as mulheres).
E estes só avançam com visão de futuro e não presos ao passado. Os eborenses não só escolheram preservar os que lhes foi legado como querem acrescentar mais ao que receberam.
E aqui chegamos ao novo paradigma de desenvolvimento que Évora escolheu.
Acontece que e apesar do betão, este já não basta para avaliar o grau de evolução de uma comunidade. A visão de futuro é preparar a região para a modernidade. E é na antecâmara dessa modernidade onde nos encontramos.
Mal ficam os que presos ao passado, a única coisa que têm a dizer é que é tudo propaganda.
A Indústria Aeronáutica, os Transportes de Alta Velocidade e os grandes investimentos turísticos na região já não se podem esconder com bota-abaixismos crónicos.
O projecto de Cidade que o Partido Socialista apresentou aos cidadãos, na candidatura de José Ernesto d'Oliveira em 2001, consolida-se.
Infraestruturar a região e criar de condições para um novo modelo de desenvolvimento económico; Criar qualidade de vida para as famílias e para os cidadãos e modernizar os serviços da CME e a sua relação com o cidadão.
Eis os 3 pilares da estratégia para a Évora do século XXI, com a sua legítima capitalidade.
A mudança ainda agora começa a fazer-se sentir mas ninguém lhe é indiferente. Mesmo os que querem a todo o custo uma Évora á espera de nada.

Terça-feira

O vício ocidental

A questão da carestia dos combustíveis instalou-se definitivamente na nossa sociedade. Mesmo o comum dos mortais, como eu, percebe a ligação entre a subida dos preços do barril de petróleo, a guerra no Iraque, a desvalorização do dólar, os devaneios de Hugo Chávez, a tensão iraniana e os avisos da Rússia exportadora de energia.

Para o comodista ocidental, super consumidor, a questão pode colocar-se no plano dos egoísmos externos. É a nossa tendência para projectarmos nos outros os defeitos que não reconhecemos em nós.

Mas é inútil vermos o assunto desse prisma.

Tornou-se mais importante para o cidadão do 1º mundo alimentar o seu apetite voraz por energia nem que, para isso, se agrave a fome física do terceiro mundo.

E a abordagem nem sequer é figurativa.

No ano que passou os preços do milho e da soja aumentaram entre 40 e 75 % nos Estado Unidos da América.
E pela análise que se faz dos factos não se trata de uma subida circunstancial mas que pode estender-se para a próxima década. É que noutras alturas estas subidas eram justificadas com maior procura em circunstâncias de um mau ano agrícola. Mas nos nossos dias tal justifica-se com factores conjunturais.

Um desses factos aponta o crescimento económico da Ásia e da América Latina e o aparecimento de uma classe média que viu melhoradas as suas condições de vida e com isso o aumento do consumo de ovos e carne, o que provocou um aumento da procura de cereais para alimentação de gado.

A par e com efeitos dúbios parece ser a crescente defesa da substituição dos combustíveis fósseis pelos biocarburantes, com o intuito de resolver a sua carestia e os problemas do aquecimento global.

O que coloca no tabuleiro da economia mundial uma disputa paradoxal entre sector alimentar e energético pelo uso das colheitas mundiais. E esta concorrência provoca o aumento dos preços dos cereais, o que torna tristemente caricata a defesa ecológica destas energias alternativas.

Graças à melhoria das técnicas de exploração de cereais a sua produção ultrapassou em certa altura as necessidades da população. Por isso a cotação dos cereais chegou a valores que os tornaram acessíveis às populações mais pobres. O que provocou uma diminuição do número de pessoas malnutridas no planeta. Ficava no passado a imagem terrível da criança morta de fome na longínqua Etiópia, na década de 80 do século XX.

Contudo e com a subida actual dos preços, as preocupações dos Países em vias de desenvolvimento aumentam. O que leva as Organizações Humanitárias a declarar que o problema da fome vai-se agravar e o ganês Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, a defender a urgente autonomia produtiva do Continente Africano, para fazer face a crise que se adivinha.

É que os Países mais ricos absorvem facilmente os aumentos dos preços, mas os mais pobres têm poucas condições de se defender. É pouco parece pesar nas nossas civilizadas consciências as mortes anuais de 5 milhões de crianças por subnutrição, segundo dados da UNICEF.

Os «stocks» mundiais de cereais nunca foram tão baixos, desde 1970, e por isso não deve surpreender a fúria reivindicativa de dezenas de milhares de mexicanos pela baixa do preço da tortilha, base da sua dieta alimentar, que já duplicou de preço neste último ano, só porque é mais rentável para os produtores locais de milho exportar a sua produção para os EUA, para produção de etanol.

Ao mesmo tempo no Egipto o Estado reforça as subvenções para manter o preço do pão acessível aos bolso da população e este ano, pelo terceiro ano consecutivo a humanidade terá consumido mais cereais do que produz.

Certo é que aliado a uma má campanha agrícola e a uma crescente procura, esta conjuntura levou a Comissão Europeia a suspender as taxas sobre os cereais até Junho de 2008. A Europa exportadora passou a importadora.

O alarme é absolutamente real.

E para nós europeus, com um estilo de vida insustentável, tanto quanto procurar energias alternativas, temos sobretudo a responsabilidade de poupar.

Por ora e enquanto outros menos afortunados vão contestando a sua crescente dificuldade em ter sequer para comer, nós, perdulários de um mundo tecnologicamente evoluído à custa da energia barata, preocupamo-nos em alimentar os nossos automóveis. O que só comprova o desequilíbrio em que vive a humanidade.

Até onde iremos nós?

Segunda-feira

Biocombustíveis

O título da capa da Courier Internacional 136 sugeriu-me algumas leituras e uma abordagem, confessamente pela rama, ao problema: Biodiesel pode matar-nos à fome.
Contudo o "pode" já mata. Os outros.

Quinta-feira

Imigração: Novas Leis, Melhor integração

Acontece, no próximo sábado, no Hotel da Cartuxa. Com a presença do Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, os Deputados Bravo Nico e Paula de Deus, Paulo Piçarra, o jornalista Paulo Magalhães, Carlos Zorrinho e Alberto Martins, presidente do Grupo Parlamentar do PS e Celeste Cordeiro, entre outros.
O Colóquio terá apoio à tradução para as línguas chinesa, russa, moldava e ucraniana.
24 de Novembro, às 9.30h.

Quarta-feira

O Arquitecto Paisagista


Tive a oportunidade de inaugurar, em representação do Presidente da Câmara, a exposição da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas e de ser redutor no meu conceito do seu trabalho (confessamente).

O facto de ter sido acompanhado na exposição pelo Arquitecto Paisagista Vitor Sol Carmo e o conteúdo da própria exposição corrigem a perspectiva de uma arquitectura paisagista cujo objecto é apenas moldura e não a obra admirada.

No Palácio D. Manuel, em Évora (Jardim Público), até 9 de Dezembro de 2007.

Segunda-feira

O dia da memória

Uma mulher, com 36 anos, morre num acidente de automóvel. Deixa 3 filhos.
Uma criança com nove anos morre atropelada numa passadeira.
Três jovens com idades entre os 20 e os 25 anos morrem numa colisão frontal.
Uma mulher e uma criança morrem num despiste automóvel.

Tudo isto no espaço de uma hora, nas nossas estradas.
Podia ser a nossa mulher, os nossos filhos, os nossos irmãos. Não são. Mas são mulheres, filhos e irmãos de outros como nós.

Excesso de Álcool, excesso de velocidade, excesso de confiança e excessiva estupidez alimentam uma contabilidade sinistra com vítimas que já chegam às 756 neste ano. Com muita probabilidade este número já não será actual quando o ouvirem.

Mas a nossa idiotice ultrapassa em larga escala estes números. E esta é uma forma delicada de reagir ao facto de serem mais de 24 000 as chamadas falsas efectuadas para o 112 em 2006, o que obrigou em média, por dia, à saída de 25 ambulâncias desnecessariamente.

Um comportamento, no mínimo, suicida.

Acrescem os dados da Direcção Geral de Saúde que apontam os acidentes de viação como uma das causas de morte mais significativas no País a seguir às doenças cerebrovasculares e ao cancro. Junte-se o facto dos acidentes de trânsito serem mesmo a principal causa de morte para os jovens entre os 15 e os 29 anos.

No passado domingo o dia da memória homenageou os que morreram nas estradas e os que sofrem com as perdas. E os números indicam que parece não haver uma família portuguesa que não tenha já sofrido uma perda nestes acidentes. Por vezes são famílias inteiras que se desfazem.

Este dia serviu também para lembrar a todos que a guerra nas estradas faz vítimas indiscriminadamente. O que significa que basta andar na estrada para se ser vítima.

E esta possibilidade deve causar-nos a maior angústia.

Fui confrontado com aterradoras estimativas que apontam cerca de 25 milhões de pessoas como vítimas de acidentes de viação em todo o mundo e durante o século XX. Tantos quantos os que morreram na 2.ª Guerra Mundial.

Neste dia da memória participei numa sessão onde esteve e interveio José Magalhães, Secretário de Estado Adjunto da Administração Interna. José Magalhães falou de dramas e de soluções. E da criatividade que todos os agentes devem ter na sensibilização das populações. Como ele defendo campanhas mais agressivas.

Perante o estado das coisas e notando que as campanhas de prevenção têm uma margem de sucesso limitado acredito em penalizações fortes, tolerância zero e dificuldade máxima na atribuição de licenças de condução.

Fica demonstrado que tudo o que se aprende numa escola de condução é imediatamente esquecido.

Conceitos como o de condução defensiva, prudência e previsão são colocados no sítio onde o português coloca tudo aquilo que julga desnecessário.

E quem assim procede não se junta às vítimas, faz vítimas.
Só me ocorre sugerir:
Sempre que conduzir pense nos seus.

Sexta-feira

Extraordinário

Merece registo e não mais que isso: as idas e vindas de Luis Filipe Menezes em relação aos "pactos de regime" que tanto difamou antes de ser Presidente do PSD. De manhã não temos pacto, à tarde é outra conversa.
Tudo isto traz-me à memória o ano de 2002 e uns famosos debates académicos acerca da lei 113/97. Um amigo, Presidente da Federação Nacional do Ensino Superior Politécnico na altura, dizia a uma plateia de jovens dirigentes, grande parte deles ligados ao PCP: andam ao pontapé ao pacote e quando o leite se entornar choram.
Nesse mesmo ano o Governo de Durão Barroso muda a lei e os mesmos jovens insurgem-se.
Os militantes do PSD andaram ao pontapé em Marques Mendes e agora é um desperdício de leite entornado.

A moratória


A presidência portuguesa da União Europeia promoveu, um grupo transregional apresentou (a Itália redigiu) e a ONU aprovou.

Num significativo avanço civilizacional e apesar da militante ignorância de responsáveis políticos do Botsuana ou do Egipto, entre outros, que entenderam a aprovação da moratória como uma ingerência colonialista aos assuntos internos dos seus Estados, fica dado um grande passo para a abolição da pena de morte mundial.

Quinta-feira

Cunha Vaz a brupto

Límpida a atitude de Pacheco Pereira ao publicar no Abrupto a carta que lhe dirigiu António Cunha Vaz, proprietário da agência de comunicação que fez, entre outras, a campanha interna para a eleição do líder do PSD, Luís Filipe Menezes.
E Pacheco Pereira deve ter sorrido de satisfação quando a recebeu. Ela (a missiva) é prova da "qualidade" do PSD de Menezes e do seu modus operandi e dá, por inteiro, consistência ao que Pacheco Pereira vem dizendo acerca deste "novo" PSD.
Pedro Picoito, do Cachimbo de Magritte, dá uma ajuda na exposição.

St Michael and the Dragon


In a bleak landscape with the silhouette of a burning city in the distance, Michael has just forced the Devil to the ground and is about to kill him with a blow from his sword. The monsters crawling out from all sides are reminiscent of those created by Hieronymus Bosch, while the figures in the centre recall those from the Inferno of Dante's epic poem the Divine Comedy. On the left are the hypocrites in leaden coats, condemned to follow their torturous path, while on the right are the thieves being tormented by serpents.


The St Michael and St George and the Dragon in the Louvre, and the St George of the National Gallery in Washington are bound together both by their subject - an armed youth fighting a dragon - and by stylistic elements. All three are assigned to the Florentine period and echo those stimuli which Raphael received from the great masters who worked in Florence or whose paintings were visible there. The influence of Leonardo - whose fighting warriors from the Battle of Anghiari (1505) in the Palazzo della Signoria provided an extraordinary example of martial art (the painting deteriorated very rapidly because of shortcomings in Leonardo's experimental technique and so is no longer visible) - predominates in these works. But references to Flemish painting suggest the environment of Urbino, where Northern influences were still quite vivid.

Terça-feira

Quando a esperança é inútil

A recente guerra de África relembra aos portugueses que não há as guerras boas.
Apesar das 3 décadas que nos separam desse tempo, só agora começamos a enfrentar esse período sem os excessos pascalianos da razão e da sua exclusão.

A Guerra de África foi mesmo assunto tabu dentro de muitas famílias que sofreram directa ou indirectamente com ela, sobretudo as pejorativamente classificadas de “retornadas”.

Tal facto não me impediu, enquanto criança, de escutar entre familiares, algumas histórias que enquadravam esta ou aquela situação aflitiva e que por pouco não significaram a morte.

Contava um familiar que se fazia acompanhar sempre do que depreendi serem três cartões de identificação política: um da UNITA, outro do MPLA e um terceiro da FNLA. E assim foi vendo facilitada a sua mobilidade independentemente das circunstâncias ou das zonas onde se movimentava.

Noutra situação contava-se que teria ficado toda a família junta, durante dias, abrigada em casa e sob ataques cruzados dos diversos grupos armados que operavam na região. Tudo isto quando já Portugal tinha retirado o último soldado de Angola (em Julho de 75) e os portugueses que ainda restavam (o caso da minha família) estavam por sua conta e risco.

Sabem todos o que é a violência banalizada e a ausência de ordem.

Obrigados a abandonar o País muitos portugueses foram concentrados em campos de refugiados, principalmente na África do Sul. Nesse campo cumprimentavam-se entre si com um: Isso vai? A expressão que substituía o bom-dia, a boa tarde ou a boa-noite parecia indicar que era inútil ter esperança que as coisa voltassem a ser o que tinham sido.

Quando Portugal se envolveu indirectamente no conflito no Iraque perguntei-me porquê?

Depois de conhecer minimamente os pressupostos da real politik internacional e das dúvidas generalizadas acerca da existência de armas de destruição massiva no Iraque não consegui aceitar o nosso papel naquilo que é um desastre ocidental.

No meio da destruição diária os iraquianos cumprimentam-se com um “Chako mako?”, que significa mais ou menos “Isso vai ou não vai?”.

Maad Fayad, jornalista de um jornal conhecido como o diário internacional dos árabes, fez a pergunta ritual a um viajante que lhe responde: Vai indo: carros armadilhados, atentados suicidas, tiros, cadáveres, inflação…

O mesmo viajante mostrou a Fayad 3 bilhetes de identidade: um com conotação cristã, um xiita e outro sunita… É difícil não ver o caso com familiaridade.

Os iraquianos parecem concluir que a esperança é inútil. E por isso não vivem, sobrevivem.

Portugal tem responsabilidades políticas no que se passa no Iraque. E é cada vez mais difícil aceitar que nos calemos devido a compromissos internacionais assumidos anteriormente.

Terminariam as mortes no Iraque acaso assumíssemos o erro?

De certeza que não, mas era um sinal do nosso grau de civilidade e um passo que daríamos na afirmação de uma nação não agressora.

Sem querer cometer o excesso de excluir a Razão ou de admitir apenas a Razão digo que os ideais podem estar acima das diferenças políticas, de raça ou de credo. E que é preciso assumi-los.

Afinal a esperança não pode ser inútil.

Segunda-feira

Fim-de-semana

Os dias no sul são óptimos. Sempre que falo com familiares dizem-me que no norte chove, ou faz frio. E eu em manga curta, a apanhar um sol que já não permite distinguir o "verão de S. Martinho".
O que me fez passar ao lado da castanhada.
E foi solarenga a manhã de sábado que me levou ao Ibis para um encontro com a ARAN. A discussão andou em torno do mundo real das oficinas de automóveis e das crescentes exigências com as regras ambientais.
Conheci um homem extraordinário, o Dr. Teixeira Lopes, presidente da associação. Convicto e resoluto.
Ao almoço aguardava-me o Club Motard o Templo. A informalidade e o encontro de velhos amigos fez-me sentir já de fim-de-semana. E mesmo que estivesse marcado voltar a casa às 15, só de lá saí quase às 17. Tornei-me um fã das Gold wing.

Quinta-feira

Um novo Jardim Público de Évora

imagem daqui»»

A preparação da requalificação do Jardim Público de Évora está a decorrer, numa fase de despistagens de trabalho arqueológico, para garantir não só um adequado projecto para o jardim como condições para que não se dê nenhuma interrupção durante os trabalhos (com custos desnecessários) .

E é muito interessante o que se vai revelando: uma série de panos de muralha aparentemente sem ligação que surpreendentemente estão revestidos de reboco muito bem conservado.
É possível visitar o jardim e observar as estruturas. Com sorte ainda se conseguem explicações das simpáticas arqueólogas que aí trabalham.

Terça-feira

Falar do futuro com gente de má memória

Não consigo evitar deixar de tocar no assunto.
Uma comunicação social desejosa de espectáculo contribuiu para a montagem cinematográfica de duelo ao sol entre José Sócrates e Santana Lopes.

E a verdade é que eu não quis subestimar Santana Lopes. Não pelo facto de achar que tem moral para discutir com o Governo mas por pensar que Santana Lopes (como pensa sempre muita gente) tem sempre alguma na manga para fazer parecer o que é no que não é e vice-versa.

O debate na AR acabou por ser aquilo que José Sócrates disse: o melhor que a direita conseguiu nestes dois anos e meio fora do Governo foi ter como protagonistas gente de um passado de má memória para discutir o futuro.

O PSD terminou a sua prestação de forma sofrível com Patinha Antão a falar de um Governo que o PSD seria se tivesse continuado a governar em 2005. E cheio de receios em relação ao orçamento de 2009 e de uma hipotética baixa de impostos nesse ano.

O PSD deixou de ser um defensor antecipado dos impostos (Mendes insistiu bastante neste assunto) para passar a defender que estes não baixem antes de 2009 (das eleições). Tudo medo de contribuir para a reeleição de José Sócrates.

Notaram-se as cadeiras vazias no PSD ao longo do debate.

José Sócrates continua decidido.

TGV


A cidade de Évora é o principal pólo urbano da região, em termos populacionais e funcionais. A dinâmica social e económica da cidade tem conseguido contrariar a tendência da região no seu conjunto, mantendo um crescimento idêntico ao de outras cidades médias portuguesas.


Acresce que Évora é governada com visão estratégica, digna da sua natural capitalidade e, objectivamente, não vive de miragens. Évora vive da sua preparação para a modernidade com a serenidade das cidades com consciência histórica, que respeita o seu património.


Pegue-se nos projectos como o Skylander ou o TGV e veja-se como a Região tem sabido defender o seu interesse sem alvoroço nem disputa com qualquer outra parte do Alentejo. Ler mais aqui»»

Sexta-feira

Os Estudantes e a Cidade

Pode dizer-se que Évora sente como seus os Estudantes da Universidade.
Sempre achei exagerados os que dizem que o relacionamento é difícil.
São importantes os contributos que fazem à Cidade:
cerca de 20% da riqueza criada; vivacidade à Cidade (é interessante mas os Estudantes têm ficado de fora na contagem de habitantes do Centro Histórico, o que, no meu ponto de vista artificializa a tese da desertificação); iniciativa cultural e científica e vida associativa.
Existem dois momentos de alguma tensão nesta relação com a Cidade (julgo que com bastante compreensão por parte da população). A Queima das Fitas e a Recepção ao Caloiro. Dois pontos altos da vida académica que, na sua actividade noturna, causam transtorno a uma parte da população da Cidade. No entanto essa tensão tem sido esbatida com mais ou menos intensidade, consoante a capacidade e empenho dos dirigentes estudantis e académicos.
Novidade é o facto de agora chegarem à Câmara Municipal, em número considerável, reclamações por escrito, de cidadãos (pasme-se que um casal de turistas alemães o fez) que entendem que as praxes efectuadas nas ruas da cidade são um atentado à liberdade e respeito pela dignidade dos novos estudantes.

Reconheço que muito do que vemos é folclore que nunca compreendi, mesmo enquanto estudante. Aceito o princípio iniciático da praxe mas o que tenho assistido só pode ser um desvirtuamento desse ritual com centenas de anos.

Não defendo nenhum tipo de censura aos estudantes. Entendo que eles próprios têm capacidade de alterar o estado das coisas. É com essa convicção de participo hoje no III Congresso da Tradição Académica.