Após uns dias de férias volto ao activo. Tenho saudades destes dias mas já tinha mais do trabalho.
Ainda estava fora e fui confrontado com a manifestação dos professores. Após a leitura de algumas opiniões dei com um texto interessante de João César das Neves, no Diário de Notícias de 12 de Março. Pensei, exactamente. E escrevi o que penso para a crónica da Diana FM desta semana.
Confesso que mesmo sendo simpático à classe docente deste País, casei com uma professora, não consigo deixar de defender que, não sendo bom para o nenhuma das partes o extremar de posições, Sindicatos e Ministério da Educação, a reforma que se faz no sector deve ser feita a bem do futuro do País, mesmo que tal custe a maioria absoluta de José Sócrates como já vaticinam alguns fazedores de opinião.
Esta dura reacção às política para a educação prende-se com um crescente descontentamento de uma classe que tem vindo a perder, desde as últimas décadas, um estatuto que teve em tempos idos, quando a democracia era apenas um desejo.
O facto é que muita coisa mudou desde então. A democratização do ensino levou à escola milhares de jovens que outrora ficavam de fora e milhares de professores foram precisos para educar tanta gente. Contudo a quebra demográfica travou este crescimento de alunos mas não fez reduzir o número de professores.
O descontentamento da classe docente tem muitas variáveis. Somada a diminuição do prestígio da classe, a precariedade, a instabilidade profissional, a crescente exigência da profissão às novas regras de progressão na carreira e ao processo de avaliação obtém-se a reacção possível, a corporativa.
Contudo não joga a seu favor o facto de não conhecermos as suas propostas. Fica-nos a ideia, por via do comportamento dos sindicatos, que elas simplesmente não existem. O que até agora ouvimos é o que sempre ouvimos: suspensão, adiamento, aplicação faseada, revogação (porque é esta a visão que têm os sindicatos do seu papel).
E com tanta indignação da classe docente em relação às “políticas da Ministra” como ouvimos repetidamente das bocas de anónimos manifestantes, o que sobra espremido para a opinião pública? Que os professores estão contra o facto de serem avaliados. Mesmo e apesar da posição ensaiada dos sindicatos que se está a favor da avaliação do corpo docente mas não da avaliação que se propõe, como está bem de se ver.
Admitamos que as declarações de alguns professores nas televisões ou nos jornais são excessivas e que, a não ser que estes sejam sindicalistas, o que normalmente os afasta das salas de aulas por muitos anos, os exemplos que assim dão dificultam seriamente a relação de respeito que tanto exigem ter dos próprios alunos.
E aqui a imagem que fica dos professores não é mais responsável que a naturalmente cábula dos seus alunos que desde sempre contestam que o teste devia ser de consulta, que é marcado para uma data que não dá jeito, que a matéria é difícil, e que, no fim, as notas não são justas, etc.
Não acredito, como não acredita a Ministra que alguma vez os sindicatos venham a definir um política educativa onde prevaleça o interesse dos alunos. E a prova é dada pela ameaça destes em levar a contestação para dentro das escolas.
Por isso defendo que a reforma deve ser levado a cabo por inteiro e, idealmente, sem crispação, o que pede, se possível, a tolerância dos professores. O País precisa deles como o futuro dos seus jovens alunos.
É possível estar do lado desta política e ao lado dos professores pela dignificação da sua carreira.
Não acredito mesmo é que a solução seja deixar tudo na mesma. Hoje sem conhecimento não há competitividade. Sem competitividade não há crescimento económico. E sem crescimento económico não há futuro. Ora o futuro é coisa que não se adia.