Sexta-feira

Acesso ao estudo

Pode ler-se o estudo de enquadramento estratégico do Centro Histórico de Évora, da Parque Expo, aqui .

Terça-feira

O arruaceiro

Leio e não me surpreende. A abjecta táctica do Sr. Presidente da Câmara de Mora no seu jogo da ofensa gratuita passou os limites do que o meu estômago pode aguentar.

Levar este assunto a sério exige o mesmo esforço que ouvir Alberto João Jardim ou levar este senhor a casa.

Turismo é economia


Sento-me num auditório cheio de gente decidida, numa sexta-feira chuvosa, para falar de património e desenvolvimento territorial.
A iniciativa traz gente de Espanha e da Inglaterra.

A abertura cabe a Eusébio Leránoz Urtasun, consultor de uma empresa espanhola chamada ICN – Artea, e depois de ouvir este senhor fiquei sem dúvidas, especialista em cidades, património e turismo.

E ao ouvi-lo, é uma daquelas pessoas que possui a capacidade de sintetizar muito do que já ouvimos, dar-lhe um corpo de coerência e comunicá-la perceptivelmente, pensava que o que nos falta muitos vezes, a nós portugueses, é tolerância e abertura.

Ora o que me prendeu mais de uma hora a este discurso foi não só a capacidade comunicativa do orador mas a qualidade verificável do que ia sendo dito.

E fixei-me na ideia que nem tudo o que possuímos como recurso patrimonial serve para construir um produto turístico e que a ausência de um produto turístico inovador pode destruir um recurso patrimonial de grande importância.

Pensei imediatamente em Évora e na nossa dificuldade em discutir a ligação necessária entre o passado e o futuro, entre a história e a inovação. E da desconfiança com que lidamos na relação dos conceitos de preservação e regeneração, por preferirmos o antagonismo à concordância.

A pergunta que nos devemos fazer é que tipo de produtos turísticos devemos construir?

Produtos que recuperem a auto-estima das gentes ao identificar territórios culturalmente únicos e que beneficiem realmente o maior número de pessoas, directa e indirectamente.

Querer turismo é querer economia. É defender que o produto cultural entre no domínio económico. O turismo tem de criar riqueza e tem de criar emprego. Mas só será capaz de o fazer realmente se for inovador. E esse carácter inovador pode depender em grande parte da forma como se interpreta um recurso e se coloca acessível ao turista.

Não há muito tempo locais como o nosso atraiam pequenos grupos de turistas à procura do pitoresco e do mistério.
Com o advento das cidades históricas de leste e a sua abertura ao mercado internacional do turismo, a competitividade cresceu.

Hoje o grande desafio está em conseguir dar resposta a uma grande diversidade de interesses de grupos maiores de turistas, cada um deles há procura da sua experiência positiva e emocionantemente única.

A arte torna-se o elo fundamental que liga o passado ao presente, agindo sobre a sensação, a emoção e o conhecimento do indivíduo. Não pode contudo ser uma arte para o consumo dos artistas mas uma arte capaz de se relacionar com todas as emoções, de todas as pessoas.

Existem museus, igrejas e catedrais por tudo o mundo. A chave é saber projectar as nossas particularidades com a maior criatividade. O que muita vezes implica a reconversão da função de determinados edifícios ou estruturas.

É preciso ter capacidade de atrair visitantes; criatividade; capacidade de envolver o visitante criando uma atmosfera única; capacidade de reconstruir e regenerar os nossos tesouros, garantido assim a sua preservação.

É bom que reflictamos sobre o futuro desta Cidade, que continua fragmentada entre o intramuros e o extramuros, com um centro histórico rico mas a precisar de se auto-reinventar, sem que aceitemos que seja seu fado ser uma cidade museu, com cenário, figurantes e um guião mas sem a espontaneidade das coisas vivas.

Por isso julgo que também é preciso receber de espírito aberto o Estudo de Enquadramento Estratégico para a Área do Centro Histórico de Évora, que considero uma verdadeira proposta de planificação estratégica da Cidade, a par com o recentemente aprovado Plano Director Municipal.

E é bom que não temamos, se for preciso, discutir alguns cânones que teimam em tomar-se como verdades absolutas.

Como a improbabilidade de fazer ligar a carne de porco com amêijoas, hoje um dos nossos pratos mais conhecidos do mundo. Prosaico, não será?

Sexta-feira

Património Ferroviário

Hoje, na Universidade de Évora, decorre o Seminário Internacional do Património Ferroviário e Desenvolvimento Territorial.
Depois de ouvir Eusebio Leránoz, da ICN Artea, recordo um professor que dizia que o património construído que não actualize a sua função é património condenado. E que se os locais históricos não tiverem pessoas valem tanto como um cenário.

Eusebio Leránoz disse desassombradamente que o património que não serve a economia, não serve ninguém e que o exercício maior dos que vivem num local de grande interesse histórico é o exercício do consenso.

Compreender isto é recuperar o nosso Centro Histórico.

Quarta-feira

Mora é do Distrito de Évora

Hoje temos uma manifestação das gentes de Mora em Évora. É com gosto que os recebemos. Até porque Mora é do Distrito de Évora.

Mas o Presidente da Câmara de Mora, homem de palavras intranquilas, confunde os seus munícipes ao misturar a questão da NUT 3 – Alentejo Central (Nomeclaturas de Unidades Territoriais - para fins Estatísticos) com a pertença de Mora ao Distrito Eborense.

E assim, de forma espalhafatosa, atira para todos os lados, culpando o Governo Central, o Governo Civil, o PS de Évora e, imagine-se, o Presidente da Câmara de Évora do facto de continuar a fazer parte da NUT 3 – Norte Alentejano.

O único culpado desse facto é a própria Câmara Municipal de Mora que assim o quis quando Cavaco Silva era Primeiro-Ministro. Agora sacode a “água do capote”, ofende os seus homólogos do mesmo Distrito e partidariza a questão.

Eis o PCP fazendo a política que melhor sabe fazer: a da arruaça. E nisso as boas gentes de Mora não têm culpa nenhuma.

É caso para dizer: é só fumaça.

Terça-feira

Évora Viva

Évora é o maior centro urbano do Alentejo e tem uma dinâmica de crescimento, assente sobretudo no turismo e nos serviços.
Em 2007, um dos melhores anos turístico para a região, as receitas tiveram um aumento de mais de 22%.

A sua localização, ligada estrategicamente ao eixo Lisboa-Madrid pela Alta Velocidade que a inclui na rede de cidades médias europeias, faz prever maior crescimento.

Os grandes projectos de interesse nacional dão à região um novo fôlego e trazem com eles emprego, pessoas e bens.

O recente infra-estruturado Parque de Actividades Económicas, acrescentou mais 40 hectares à nossa zona industrial, disponíveis para acolher mais empresas e emprego.

Évora tem projectado já um novo Hospital Distrital e a conclusão do IP2 na periferia da Cidade.

A aeronáutica, primeiro com a Academia Aeronáutica Internacional e agora com a Skylander, que faz os últimos preparativos para se cá se instalar, reforçam o papel da Cidade no mapa dos centros tecnológicos, com o já inestimável contributo, entre outras, da TYCO Electronics e a Amândio José Lobo, ambas em expansão, o que nos confere diversidade na competitividade.

Évora é também um centro de conhecimento assente na sua Universidade, com forte identidade e importância cultural e no milhar de professores e cientistas que aqui desenvolvem a sua actividade académica.

Mas Évora tem como riqueza maior, reconhecida como património da humanidade, um Centro Histórico único, fruto da preservação e valorização de sucessivas gerações de eborenses que foram acrescentando património ao património que herdaram.

Hoje as gerações actuais de eborenses confrontam-se com um problema que tem décadas e que é preciso resolver. A desertificação do seu Centro Histórico.
Esse Centro Histórico perde população e ganha ruína.

O diagnóstico está feito, existe vontade política, foi constituída uma Sociedade de Reabilitação Urbana para o efeito e está desenhado um óptimo plano de regeneração, executado por uma das mais competentes autoridades na matéria, a Parque Expo, que elaborou o Estudo de Enquadramento Estratégico para a Área do Centro Histórico de Évora.

Todos desejamos que a Cidade cresça mas que este crescimento urbano não descaracterize nem conflitue com a qualidade urbanística que caracteriza Évora.

Promover o casamento entre o património e a tradição que herdámos com a modernidade e a inovação é o maior desafio que enfrentamos. Foi com base nesta premissa que a Parque Expo elaborou este estudo de enquadramento.

Ele abrange uma área de 113 hectares e abrange as freguesias de Santo Antão, S. Mamede, Sé e S. Pedro, área que está classificada como área crítica de recuperação de reconversão urbanística e corresponde ao Centro Histórico da cidade.

Assim, da forma mais simplificada e perceptível para todos, num prazo de 10 anos o estudo aponta para um aumento das zonas verdes em cerca de 54.334 m2, um aumento de 1205 lugares de estacionamento, sobretudo para os residentes, uma área de reabilitação de edifícios na ordem dos 620 000 m2, um aumento de construção nova de cerca de 40 000 m2 e um aumento de novos equipamentos de mais de 60 000 m2.

Esta regeneração implica um investimento na ordem dos 286 milhões de euros, sendo que a Évora Viva Sociedade de Reabilitação Urbana promoverá 47 milhões de euros, os privados cerca de 163 milhões e diversas entidades públicas cerca de 76 milhões de euros.

Este é um plano de combate ao problema que envolve a autarquia, a Universidade de Évora, as Instituições Públicas e Administração Central, as empresas e os cidadãos.
Que estão juntos por uma Évora Viva.

Sexta-feira

Um estudo para uma estratégia

A Parque Expo assume-se como instrumento para a operacionalização das políticas públicas de ordenamento do território e revitalização das cidades e elaborou um Estudo de Enquadramento Estratégico do Centro Histórico de Évora, por contrato com a Câmara Municipal de Évora.
A Câmara prepara-se assim para avançar com um projecto de reabilitação do centro histórico da cidade, que é Património Mundial classificado pela UNESCO, e que possui cerca de um quinto do seu parque habitacional muito degradado, fruto directo de um movimento de abandono das populações iniciado no século passado, que provocou a saída de mais de 12 000 habitantes.
Este projecto (ou os 17 projectos de reabilitação) resulta de caminhos ou sugestões propostos no estudo, que identificou as áreas estratégicas de intervenção e que constitui um "master plan" para a Empresa Municipal Sociedade de Reabilitação Urbana de Évora iniciar o grande processo de recuperação e regeneração do nosso Centro Histórico.
Mas e ao contrário de intervenções anteriores (pontuais e com pouca coerência), o que se pretende regenerar são não só habitações degradadas, mas conjuntos de edificações em quarteirões e espaços públicos. E regerenar significa melhorar a imagem dos edifícios e as suas condições de habitabilidade. O Centro Histórico precisa de voltar a ter pessoas e, para isso, é necessário criar condições de modernidade e de conforto, à luz das necessidades contemporâneas, respeitando e valorizando o património construído e os espaços públicos.
Esta responsabilidade, num momento em que se dá início à última oportunidade de modernização fortemente apoiada pelo Quadro de Referência Estatégico Nacional, não se compadece com imobilismos nem com o pequeno interesse pessoal.
Politicamente e para quem se opõe à visão de desenvolvimento de Évora preconizada pelo actual executivo na Câmara resulta nalgum ganho fazer alarmar as pessoas.
Confundir é uma forma de engano. E a estratégia destes pequenos interesses, muitos deles produto de um período em que se geriu a cidade como se de uma corte se tratasse, é a de confundir. Aconteceu com a construção da Arena D'Évora, no debate do PDM, com o projecto de requalificação da Cruz da Picada, com a criação da Empresa Municipal de Cultura e, agora, com a requalificação do Centro Histórico. Podia ser a simples resistência à mudança com que, mais tarde ou mais cedo, todas as gerações se confrontam. Mas é mais inútil que isso.
O PCP local, hoje uma força política com muitos problemas internos, coloca-se sempre do lado da demagogia e, paradoxalmente, é tão conservador quantos os interesses que alimentou durante décadas.
Num debate acerca do estudo em referência, organizado pelo centenário Grupo Pró-Évora, assisti, perplexo, a uma despudorada agitação de um pequeno grupo de pessoas, que, na sua legítima participação, conseguiu dizer uma coisa e o seu contrário, menos apresentar uma única proposta.
Uma empresária do turismo disse que vivia a 6 Km da cidade e que, não sendo imobilista, achava que a cidade estava muito bem e que os turistas gostam do Centro Histórico como ele é. A defensora da cidade museu.
Uma arquitecta declarante de ter sido preterida num projecto da Câmara, falou em estudo caduco e ultrapassado, com pouca contemporaneidade, e defendeu a inevitabilidade da morte do centro Histórico. Morte foi o termo. Disse que a cidade está envelhecida mas que não deve pensar em crescer. Alegou que quem fez o estudo não é de Évora nem conhece a cidade (como está bem de se ver). Citou o arquitecto Ribeiro Telles e defendeu uma Évora obesa, a precisar de um "lifting" e não de "botox". A defensora da sua ideia de Cidade.
Um brasonado proprietário cujo património, em boa parte, está degradado e que, em virtude das imposições da UNESCO, tem dificuldade em fazer as obras que pretende. Alegou que se o estudo refere algumas demolições também prefere derrubar e construir de novo. O defensor de um novo património para si.
Uma professora universitária que estridentemente questionou: é um estudo? É um projecto? É um debate público ou um encontro de cidadãos? Quem nos falou foi o Presidente da Câmara ou um cidadão? O que viemos cá fazer? Perguntou e não acrescentou. A defensora da problematização daquela noite.
Um outro arquitecto, também preterido num concurso com a Câmara Municipal, falou em ideias desajustadas com outros adjectivos acintosos. Que a Cidade não precisa de mais mobilidade porque se pode ir a pé a todo o lado. Hoje acredito que consiga mas quando tiver 80 ou mais anos vai ser um problema.
O defensor do direito de saber (para ele o principal problema) o nome dos colaboradores no estudo.
Um professor de filosofia que não quer uma cidade com mais movimento e que entende que os problemas de trânsito se resolvem com imposição de taxas à entrada da cidade. O defensor da Cidade portagem, como outras gigantescas europeias.
Seis pessoas com visões antagónicas da Cidade.
Mas houve uma intervenção que me deixou particularmente estupefacto. Não porque se tenha tratado de um exercício académico interessante, a riqueza da arte dos arquitectos é o facto de cada um deles ter soluções diferentes para o mesmo problema, mesmo quando alguns deles acham que a sua solução é a melhor de todas as outras, mas porque, de conteúdo redondo e pouco sustentado (como admitiu o próprio autor), essa intervenção tenha vindo de quem veio: o presidente da Ordem dos Arquitectos João Rodeia.
E pelas funções que ocupa deve exigir-se responsabilidade acrescida.
Pois João Rodeia, convidado do grupo Pró-Évora, apesar das quadraturas do círculo, fez várias declarações válidas, algumas que se inscrevem nas soluções de hoje, sobretudo na área da mobilidade, sendo que uma das mais interessantes, a tese dos tempos de construção e dos tempos da evolução, mereceu a minha concordância. Como tese é aceitável.
Mas a irresponsabilidade de afirmar que o estudo, a tornar-se integralmente num plano de acção, colocaria Évora fora do grupo das Cidades Património Mundial é inaceitável por, pelo menos, três motivos: trata-se de uma especulação infundamentada vinda de quem afirmou não possuir todos os dados; trata com irresponsabilidade uma empresa como a Parque Expo, com um know-how único na área da revitalização urbana e a própria Câmara Municipal de Évora, como se esta se excusasse a garantir o cumprimento da lei e os pareceres das instituições com competência na matéria e alarma qualquer menos avisado em relação à grande qualidade do trabalho.
E alegar em defesa, depois da intervenção de José Ernesto d'Oliveira, que o que fez foi admitir uma possibilidade extrema no caso de uma implementação radical do que se propunha só evidenciou o objectivo da declaração: antagonizar.
Ora é precisamente o que tem feito esta inútil demagogia que tenta impedir que a Cidade se desenvolva no consenso.
Temos um estudo, temos órgãos democraticamente eleitos e com competência na matéria, temos a responsabilidade de nos vincularmos às posições que circunstancial ou coerentemente tomamos. E temos um ponto de encontro que é preciso encontrar e que fica entre os múltiplos interesses de cada um de nós e o interesse público maior que é o de devolver a vida ao Centro Histórico da Cidade.
Tenho a convicção que, como aconteceu em todas as outras situações, a decisão há-de ser a melhor: a que sobrepõe o interesse geral ao interesse particular. É assim a democracia.

Quinta-feira

Im Pressão

Dizia uma nota no "Público" que uma moção apresentada pelo BE na Assembleia da República em favor dos birmaneses vitímas do ciclone teve a aceitação de apenas 6 deputados do PS. Fica-se com a impressão que a bancada do PS teve apenas seis deputados sensíveis ao desastre. É uma impressão errada.

Quarta-feira

60 anos

"Enquanto no fundo do coração
Palpitar uma alma judaica,
E em direção ao Oriente
O olhar voltar-se a
Sião,
Nossa esperança ainda não estará perdida,
Esperança de dois mil anos:
De ser um povo livre em nossa terra,
A terra de Sião e Jerusalém
. "

Terça-feira

A resistência dos homens

Num País com cerca de 46 milhões de pobres, governados por um regime anacrónico não há espaço para esperança. No Myanmar, onde tudo parece acontecer, e onde apesar de grandes riquezas naturais, se passa fome, saíram à rua 100 mil pessoas porque o preço dos combustíveis duplicou.

Os monges, tal como no Tibete, protestaram contra um novo período de repressão sobre a população e mostraram que não temiam o regime. Nem mesmo sabendo que a última vez que se tinha desafiado a Junta Militar que governa a antiga Birmânia, morreram cerca de 3 mil pessoas.

Neste País de desprotegidos da civilização não bastava já esta morte infligida que governa a região desde 1962. Ela chegou brutal e como força da natureza, abateu-se sobre as populações costeiras arrasando aldeias em mais de 90% e apagando mais de 600 povoações.

Com milhares de mortos vítimas do Ciclone e um número ainda não apurado de desaparecidos somos surpreendidos pelo bloqueio da Junta Militar à entrada da Ajuda Humanitária no país.

É o mesmo absurdo que dita um referendo constitucional em pleno desastre e apura resultados esmagadores de apoio daqueles que deixa à sua própria sorte. Uma terrífica insanidade como a de se auto-proclamar Conselho de Estado para a Paz e Desenvolvimento.

Contudo nem toda a ajuda humanitária está a ser bloqueada. Os apoios vindos da China e da Índia, os dois gigantes que têm fronteira com o território, começaram a chegar pouco depois da catástrofe.

E para os Ocidentais, habituados a ver o problema da Birmânia como um problema humanitário, é mais difícil aceitar que se trata sobretudo da mais sórdida política dos interesses.

Da Junta Militar que prefere deixar à morte o seu próprio povo, por quem tem demonstrado desde sempre o maior desrespeito, a permitir que a ajuda humanitária ocidental seja o início do colapso do regime ao lidar e expor a verdadeira amplitude do desastre. Oficialmente fala-se em cerca de 20 mil mortes, a ONU prevê mais de 100 mil.

Da a Índia e da China, que disputam interesses muito fortes no controlo do Golfo de Bengala e nas explorações das reservas de gás natural do território afectado, e para quem o regime vigente tem sido um óptimo parceiro de negócios, que não deve ser incomodado.

Dos Estados Unidos e da Europa que temem constranger Indianos e Chineses.

Vemos toda esta catástrofe e perguntamo-nos como pode ser possível. Como podem ser tantas outras.

E na dúvida sobre a bondade da nossa espécie ocorre-me o Conrad que, contra o desespero, o caos e a decadência, defendia a resistência dos homens.

Segunda-feira

A catástrofe tem 46 anos

Imagem da Wikitravel

Mais de uma semana depois do desastre que vitimou um número desconhecido de vítimas no Myanmar (a Junta Militar refere 30 mil mortos e um número semelhante de desaparecidos e a ONU estima mais de 100 mil mortos em cerca de 200 mil desaparecidos), o regime da antiga Birmânia continua a dificultar a entrada da ajuda humanitária no País e da própria ONU.


O comportamento da Junta Militar (que persegue e executa opositores políticos) chega a tocar a insanidade. O cenário de catástrofe que arrasou o território não impediu que se levasse adiante um referendo constitucional, cujo resultado já apurado, refere um apoio "esmagador" ao projecto de constituição da Junta.

Quarta-feira

Royal Order of the Polar Star


Évora recebeu o Rei Carlos Gustavo da Suécia e a Rainha Silvia. O Presidente da Câmara referiu que o que une a Cidade aos reis suecos é a vontade de promover um desenvolvimento sustentado, valorizando o que de mais têm de importante: o ambiente, o património histórico e cultural e as pessoas.


O Rei Carlos Gustavo agraciou o cidadão José Ernesto d'Oliveira com a "Commander Grand Cross" da Royal Order of the Polar Star.

Terça-feira

Uma aventura no Alentejo


É o mote que descreve a experiência resultado de dois anos de trabalho em parceria com autarquias, empresários, uma associação para o desenvolvimento e instituições de ensino do Baixo Alentejo.

Este trabalho fez parte de um laboratório de novas ideias para a Estratégia Europeia de Emprego e para o processo de inclusão social e envolveu as comunidades e os poderes locais de Cuba, Alvito, Vidigueira e Ferreira do Alentejo no planeamento e dinamização de um turismo sustentável a todos os níveis: o social, o económico, o cultural e o ambiental.


Os conceitos são recentes no nosso léxico mas esta experiência prova a sua possibilidade: a parceria, a sinergia e o empowerment. E digo prova porque se fez. Como associação de desenvolvimento local (uma das promotoras do sector emergente chamado de Economia Social, que cria riqueza e emprego no interior do País) a Associação de Desenvolvimento Terras do Regadio teve o mérito de conceber uma Parceria de Desenvolvimento que conjugou interesses, meios e energias num objectivo comum e estimulou uma verdadeira inter-municipalidade, optimizando os recursos existentes e criando uma rede de relações com interesses comuns.


Esta parceria tomou assim a iniciativa na gestão de um destino turístico (quatro municípios olhados como um território articulado) e desenvolveu novos produtos para a promoção desse destino, tendo em vista a própria recuperação e preservação do património cultural, histórico e natural.


No momento de balanço e nomeado como projecto de prestígio, o I9Tur, assim se chama este programa, prepara-se para replicar o que foram consideradas de boas práticas de desenvolvimento turístico e implementar os que foram considerados projectos chave para o desenvolvimento sustentado.


E aqui chegou porque na base de todo o seu trabalho colocou quatro questões a que teve de dar uma resposta consistente. Como acolher, envolver e deixar satisfeitos os visitantes? Como atingir a rentabilidade económica? Como envolver e fazer beneficiar a comunidade envolvente e como proceder de forma a que em qualquer circunstância estivesse salvaguardado o meio ambiente.


Mas o contributo desta parceria estendeu-se também à melhoria da imagem para dentro e para fora da própria região e, a seu tempo, atrairá os investimentos que ali são precisos. Para já criou uma marca e, com ela, cerca de uma dezena de pequenas empresas que prestam hoje serviços até há pouco inexistentes.


As autarquias envolvidas perceberam a dimensão do ganho e o potencial do que foi criado. Elas mesmas tomaram a iniciativa de querer levar a obra para além do tempo de vida do programa (do Fundo Social Europeu) e declararam interesse na manutenção dos produtos e das boas práticas do I9Tur. Perceberam que a parceria leva mais longe o esforço enorme que cada uma faz diariamente para suster o processo de desertificação do Baixo Alentejo. Que esta aposta é catalizadora do crescimento económico e do emprego. Que conduz à criação de novos serviços de suporte local e comunitário. Que ajuda ao suporte do comercio tradicional e dos restaurantes. Que permite receitas suplementares aos que querem um segundo emprego. Que encoraja os residentes a permanecer nos seus locais de residência. Que contribui para um programa mais consistente de actividades culturais e recreativas. Que, enfim, contribui para a construção de comunidades mais coesas e confiantes e que cria oportunidades de inclusão social.


A pergunta pode ser: e não existem inconvenientes? Pois que sim. Para quem despreza o optimismo e preferem uma atitude sectária perante a gestão do território. Para quem contrapõe o lamento à acção e prefere regionalizações fracturantes a uma que signifique coesão. Se o Alentejo tem futuro não devia ser uma pergunta retórica. É só querer fazer por isso.

Trabalhos no 1.º de Maio e nos seguintes


Gosto de trabalho manual. E, à medida que fico mais velho, vou preferindo o mais minucioso.

Não se trata de nada de extraordinário mas a recuperação de um velho móvel de pinho tem-me entusiasmado.

Fica justificada a minha ausência nestes últimos dias.