Quarta-feira

O Lobo Antunes e os livros

Disse Lobo Antunes que os livros estão demasiado caros. É impossível não concordar. Sempre que entro numa livraria dou em fazer escolhas depois de ter na mão dois livros. Quase nunca posso trazer ambos.
Mas dou ainda com outro problema. Por muito boas que sejam as nossas livrarias (e são) e não andando necessariamente à procura de raridades, tem-se muita dificuldade em encontrar algumas obras, sobretudo estrangeiras, já para não falar em traduções.
Valem-nos as livrarias on-line dos Países de origem da dita obra. Mas os gastos de envio duplicam o custo do livro.
Para o La Sociedad Internacional de Antonio Truyol Y Serra, vindo de Espanha (aqui ao lado) são 21 euros o livro mais 15 euros os custos de envio.
Detalhes à parte, o preço dos livros influencia o hábito da leitura e a circunstância deve orientar a acção do poder político, que pode melhorar o acesso aos livros, estimulando a leitura.
Como não há outro uso para os livros que não lê-los (mesmo os que ornamentam estantes algum dia servirão a alguém com a curiosidade suficiente) não vejo porque se taxa com um imposto de 5% o livro. Julgo que a diferença entre quem lê e quem não lê é evidente. O suficiente para considerar a isenção como um bom investimento.

Terça-feira

Desejos para o ano novo


Aproveitamos o fim de cada ano para pesar o que nos agradou e o que foi mau nas nossas vidas. O fim do ano é o fim de um ciclo, uma fronteira temporal. Não vale tanto por si mas mais pelo que antecede. Por isso é no ano novo que temos sempre os desejos postos.

E desejamos melhor ou pelos menos tão bom quanto o que passou.

Contudo 2008 foi para muitos um ano de dificuldades. Se quisermos olhar acima de nós vemos que foi um ano difícil para os que não encontraram ou perderam o seu emprego. Para os que sonharam ter uma casa e deixaram de a poder pagar. Para os que confiaram e se empenharam mas não conseguiram manter os seus negócios.

E se olharmos ainda mais acima vemos que muitos perderam os seus familiares em guerras e atentados que não compreendem, muitos perderam os filhos por não ter com que os alimentar, muitos abandonaram as suas terras perseguidos pela barbárie ou por doenças.

A realidade é esta, bem mais dura do que a que podemos aceitar. Para muitos de nós é uma realidade inconcebível e por isso que não pode ser vista como fatalidade. Não nos podemos colocar de fora como se ela fosse acontecer e nós nada pudéssemos fazer para a contrariar.

Somos todos importantes para a mudar. E essa mudança pode começar nas nossas ruas, nos nossos bairros, nas nossas vilas, cidades e aldeias.

A mudança pode começar na relação com os nossos familiares, vizinhos e concidadãos. Ela pode mudar na forma como lidamos com o que temos, como nos vemos e como aceitamos os outros.

E essa relação tem de ser optimista e corajosa.

Ela tem de ser capaz de encontrar lições nos erros, vantagens na adversidade e força. Força para aceitar a dura verdade que somos fracos e tenacidade na luta diária de sermos melhores.

E assim cada um de nós deve ver em si o exemplo e esperar contagiar o outro com uma vontade inabalável. Sobretudo nos dias difíceis é preciso não nos conformarmos. É preciso evitar a rotina e ver em cada dia um novo desafio que tem de ser ultrapassado.

Roosevelt falou em determinada altura acerca das qualidades que são precisas num líder. Pois eu digo-vos que essas qualidades não devem ser exclusivas a ninguém.

Necessitamos todos de um idealismo inspirado, visionário, que nos permita sonhar em grande e que nos dê a força de tornar os nossos sonhos em realidade e que consiga ao mesmo tempo entusiasmar todos os que nos rodeiam, com a mesma intensidade com que desejamos a mudança.

É possível mudar o estado das coisas. A mudança começa sempre em nós.

Segunda-feira

Mensagem de Natal


Por muito que tenha tentado não é fácil fazer uma mensagem de natal diferente. Parte do mundo não sabe sequer o que representa este natal que vemos, com luzes, música, cumprimentos e votos sinceros de mais paz e prosperidade. Até porque essa parte do mundo não sabe o que é conforto e paz, e muito menos prosperidade.

É como se vivêssemos em planetas diferentes. E por isso as mensagens que trocamos uns com os outros dizem respeito a este lado de cá, muito mais confortável e protegido, onde as dificuldades existem mas não são comparáveis às de outros humanos, gente como nós mas com muito menos direitos e garantias.

Quando declarámos há sessenta anos que os homens nascem livres e iguais, definimos uma série de princípios cujo objectivo era fazer cumprir o quanto antes. Não me parece que tenhamos regredido mas não avançámos o suficiente. O suficiente para nos orgulharmos da nossa vanguarda cultural, social e tecnológica.

Vale-nos uma certa desculpa moral de termos ainda tanto que fazer pelos que nos rodeiam. E por isso a distância é maior entre nós e essa grande maioria de pobres no planeta que vive com menos de um dólar por dia. Uma coisa difícil de conceber esse número imenso de gente que sobrevive com tão pouco.

E onde me leva esta mensagem? Onde levam as outras. Para lembrar que somos muito privilegiados e que é uma obrigação moral ajudarmos com o que pudermos os que à nossa volta passam mais mal. E que o velho adágio com o mal dos outros podemos nós bem só expressa com uma sinceridade cínica o mal do homem, a sua tendência suicida para o salve-se quem puder. Alguém disse que um mundo que não seja capaz de ajudar os seus muito pobres não conseguirá decerto salvar os poucos que são muito ricos.

Ora num mundo cada vez mais global o ganho da nossa crescente interdependência não se pode reduzir à obscenidade de podermos assistir das nossas televisões a cores à morte pela fome de milhares de outras pessoas. Hoje já não temos a desculpa de não sabermos.

Faça-se o que estiver ao alcance de cada um e da próxima, antes de maldizermos o que temos, pensemos nos que realmente têm muito pouco.

Óptimas festas para todos.

Domingo

Vanguardista


'I believe that banking institutions are more dangerous to our liberties than standing armies. If the American people ever allow private banks to control the issue of their currency, first by inflation, then by deflation, the banks and corporations that will grow up around the banks will deprive the people of all property until their children wake-up homeless on the continent their fathers conquered.'


Thomas Jefferson 1802

Sexta-feira

Tyco retomará a normalidade na produção em Janeiro

Em garantias dadas ao Presidente da Câmara, o Director da Tyco esclareceu que a paragem parcial da produção é circunstancial e que será retomada com normalidade no início de Janeiro.

António Gualdino reeleito

O António Gualdino foi reeleito para a Associação de Estudantes da Universidade de Évora. Os meus parabéns ao promissor e à sua jovem equipa.
E ao trabalho. Acredito que a AEUE também pode ter um papel fundamental na minimização do impacto da crise que vai dificultar ainda mais a vida aos portugueses. A AEUE também pode ajudar a comunidade.

Évora - Recuperação e regeneração do Centro Histórico

Foto de CME - Rosário Fernandes

Nos últimos cinco anos foi recuperado 15% do tecido edificado para habitação e comércio no Centro Histórico, num investimento privado e público na ordem dos 10 milhões de euros.


Entretanto e após a criação da SRU Évora Viva a reabilitação urbana do Centro Histórico ganhou agilidade e é hoje uma autêntica operação de regeneração à escala. Para esse efeito foram assinados protocolos com entidades bancárias da cidade (CGD, Santander Totta, BPI, Montepio a 16 e 17 deste mês e em Janeiro Millenium e BES) , que garantirão condições vantajosas para as acções.


“Há uma consciência colectiva da necessidade de recuperar este Centro Histórico, de o revitalizar sem ferir minimamente que seja os traços fundamentais que o tornam único no mundo”, considerou o Presidente na sua intervenção durante a cerimónia de assinatura dos protocolos, explicando a firme decisão de prosseguir mantendo essa traça e também de “sermos capazes de tornar o Centro Histórico cada vez mais confortável, habitado e visitado, com toda a dinâmica de uma cidade que procura cada vez mais afirmar-se no campo das cidades portuguesas e europeias de média dimensão”.


Esta grande operação tem apoio das principais entidades eborenses nomeadamente a Arquidiocese, a Universidade de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida, a Direcção Regional da Cultura, o Museu, a Biblioteca Pública, as Cooperativas de Habitação, bem como a iniciativa privada, a que se juntam agora as entidades bancárias.

Indústria Aeronáutica de Évora - mais um passo

Fotografia de Maria Helena Guerra

No dia 22 de Dezembro a Câmara reúne-se extraordinariamente para aprovar a aquisição de 107,693 hectares à Fundação Eugénio de Almeida destinados ao Parque de Indústria Aeronáutica de Évora.

Segunda-feira

A cultura da desconfiança

Ainda 2008 ia em Abril e estalava em Évora a polémica em torno da constituição de uma empresa municipal, que alguém chamou de cultura, cujo objectivo era, e é, a gestão dos equipamentos culturais, desportivos e de lazer da Cidade.
Enquanto conseguiu e aproveitando a maioria relativa do executivo da Câmara, o PCP foi adiando o debate e a decisão.

Quando já não havia desculpas para adiar mais o PCP, pelo simples dividendo partidário, tentou mobilizar contra a Câmara Municipal vários agentes culturais da cidade e criar uma onda de contestação, que, no seu ver, permitiria iniciar a sua pré-campanha eleitoral para as autárquicas. Esta estratégia assentou contudo numa mentira grosseira: a de que a Câmara estava a transformar a cultura num negócio e que a gestão da cultura passaria para as mãos de privados.

No entanto a razoabilidade e o pudor falaram mais alto e a constituição da empresa municipal, por tão óbvias serem as vantagens, acabou por ser aprovada com os votos favoráveis dos próprios vereadores do PCP e do PSD em reunião de câmara.

O PCP não aceitou a decisão dos seus vereadores e o conflito interno acabou por levar à demissão de dois deles, alegando cansaço.

A premissa da campanha negativa “Évora, cidade de cultura” ficava assim ferida de morte, tal como a confiança dos que acreditaram neste "movimento".

Contudo o importante resultado da decisão da Câmara foi o de criar condições para avançar com a construção do Parque Desportivo Municipal e a reconstrução do Salão Central Eborense.

Na última reunião de Câmara foi aprovada a abertura do concurso público para selecção de um parceiro privado que irá promover a construção e exploração do Parque Desportivo Municipal e recuperação e exploração do Salão Central Eborense. Em coerência com a decisão anterior o PSD votou favoravelmente a iniciativa.

O PCP voltou ao argumento de que se entregava o poder da gestão dos espaços culturais aos privados mesmo sabendo que, com capitais públicos de 49% e 51% de capitais privados, mas com a presidência do Conselho de Administração, a Câmara Municipal nunca deixará em mãos alheias a defesa do interesse público na gestão e exploração desses espaços.

Volta a estar novamente em causa o conceito de uma cultura de gestão participada, em parceria entre o sector público e a iniciativa privada e só o preconceito ideológico de quem olha para o Estado como patrão e desconfia da acção do indivíduo, vista sempre como lesiva aos interesses da comunidade, se opõe à ideia.

Mas mais interessante é que o assunto já nem sequer é ideológico. O que o PCP pretende é impedir que se faça para poder continuar a acusar a Câmara de nada fazer. E isto é simples lógica de poder, ou de a ele querer chegar, que definitivamente não é do interesse da comunidade.

Quarta-feira

As teses do XVIII Congresso do PCP


Não se trata de falar por falar. E pese alguma impaciência na leitura de tal literatura resolvi olhar, ou tentar olhar com a maior isenção que é possível ter, para as famosas teses do XVIII Congresso do PCP que, nas palavras dos comunistas, reforçam as ideias do XVII, XVI, XV e por aí fora.


Dela resultará o que resultar, que aqui será "publicado" em tempo oportuno.

Garantias e incógnitas

A garantia da EMBRAER na edição do Expresso do passado fim-de-semana reforça a confiança, apesar da crise, da construção para breve de duas fábricas de componentes para os jactos da marca em Évora e as preocupações de uma suspensão na produção da Tyco Electronics, noticiada pelo Público, são dois sinais dos tempos que vivemos. Embora tenhamos ainda poucos dados em relação ao segundo caso, a autarquia está já a acompanhar o problema e dele falará assim que possível.

Terça-feira

Mudar é não ficar na mesma

A semana que passou demonstrou mais uma vez aos portugueses que há coisas que nunca mudam e outras há que não deixam de nos surpreender.

O PCP juntou-se em Congresso, repetiu velhos chavões e elegeu ou reelegeu como inimigo o Partido Socialista. Com algum fôlego resultado do ambiente económico depressivo e animado com a intolerância sectária na rua, fruto da manipulação dos professores pela FENPROF, o PCP só não está mais eufórico porque tem a competir consigo um Bloco de Esquerda, mais sofisticado, mais contemporâneo e mais eficaz. Trata-se de uma questão de sobrevivência.

Por outro lado Mário Nogueira, que já declarou guerra à Ministra da Educação, corre para substituir Carvalho da Silva à frente da CGTP e para tanto basta-lhe gritar e provocar o caos nas escolas mesmo que isso implique demasiadas vítimas como se verá. Velhas receitas para resultados conhecidos. A rua contra a legitimidade democrática.

Desta esquerda irritada não se pode esperar nada de criativo ou construtivo. A sua genética política faz lembrar aqueles povos doentes da história cujo percurso está repleto de negativismo, conflito e desolação. O que não os impede de continuar o seu caminho.

Do lado do surpreendente temos o percurso da situação económica mundial. As consecutivas quedas nas taxas de juro, o facto de podermos vir a pagar menos 25% pelas mensalidades dos créditos de habitação no próximo ano e as refinarias estarem já a vender gasolina abaixo do preço do petróleo, devido à elevada queda na procura, parecem aparentemente ser boas notícias.

Contudo os avisos de recessão e as próprias declarações de Teixeira dos Santos, que prevêem um ano de 2009 ainda mais complicado que o actual evidenciam que os Estados estão a dar o tudo por tudo para evitar maiores dificuldades às famílias mas que e apesar disso a tendência é de agravamento.

A intervenção do Estado na resolução de problemas dos Bancos parece ser outra realidade que a grande maioria de nós não esperava, porém, com mais ou menos esclarecimentos, ela parece obrigatória.

Tudo porque a economia financeira e a economia real afastaram-se demasiado e, com a pouca regulação existente, só restou à mão efectiva do Estado substituir-se à mão invisível do mercado.

Eis uma mudança que não deixará nada como dantes.

Sexta-feira

Porta 65 Jovem


O Programa Porta 65 Jovem tem como objectivo regular os incentivos aos jovens arrendatários, estimulando:

• Estilos de vida mais autónomos por parte de jovens sózinhos, em família ou em coabitação jovem;
• A reabilitação de áreas urbanas degradadas;

• A dinamização do mercado de arrendamento.

Este programa apoia o arrendamento de habitações para residência, atribuindo uma percentagem do valor da renda como subvenção mensal. Encontra-se a decorrer uma fase de
candidaturas que teve início em 2 de Dezembro e terminará no dia 17 de Dezembro.

Terça-feira

O homem e a máquina


Com alguma soturnidade uns amigos meus diziam-se preocupados quando viam máquinas a substituir os humanos fosse no trabalho, no lazer ou até nos afectos.

Um deles responsabilizou as máquinas pelo grande número de desempregados no planeta e acabou por apontar um novo mecanismo em teste num hipermercado como a causa futura do fim dos empregos como caixa.

Para ele tal mecanismo só vinha a acentuar o problema das pessoas que não conseguem ocupação, dinheiro, casa e família.

Confesso que fiquei surpreendido com esta reacção sobretudo quando qualquer um deles é entusiasta das novas tecnologias e procura ser detentor das últimas novidades que a tecnologia é capaz de oferecer.

Então notei que colocavam em patamares diferentes a realidade da sua comodidade e conforto enquanto consumidores ou utilizadores de bens com a grande evolução que a humanidade sofreu em termos tecnológicos e que lhe permitiu, à humanidade, sofrer bem menos para produzir bem mais, passe-se a redundância.

Ou seja, para eles passava despercebido o grande ganho da substituição de homens por máquinas em tarefas cansativas, repetitivas ou até perigosas. Assim a máquina era vista como ameaça e não como oportunidade.

Desembocámos numa estranha contabilidade de ganhos e de perdas com ambos a insistirem na maior perda, a das pessoas e dos empregos, tal como começámos.

Parecia haver uma evidência que por cada máquina uma centena ou mais de pessoas ficava sem o seu trabalho. Imaginei então as primeiras linhas de montagem industriais, com centenas de pessoas alinhadas, uma vida inteira a repetir os mesmos movimentos para produzir as mesmas peças, que se haveriam de juntar para resultar num qualquer equipamento a que muito poucos acederiam.

Pessoas com capacidades indiferenciadas, logo mal pagas e, sobretudo, com poucas condições de trabalho. E é esse passado que demonstra o quão positivo foi este progresso.

É certo que este progresso terá causado as suas vítimas, obrigado a adaptações difíceis, a que muitos não conseguiram dar resposta. Terá provocado falências, feito sucumbir cidades inteiras, enfim, causado desespero em muitos lares, mais para mais quando a mesma unidade produtora dava trabalho a famílias inteiras.

Um professor meu ironizava com a hipótese de ser possível salvaguardar um posto de trabalho indefinidamente dizendo que assim sendo ainda teríamos trabalhos tão relevantes como o de lascador de pedra.

Ironias à parte e em última análise, o resultado deste processo de evolução, terá criado melhores empregos, mais especializados e bem pagos, menos monótonos e mais limpos, enfim, sofisticados. Enfim terão desaparecido milhões de postos de trabalho mas terão aparecido milhões de novas oportunidades criadas com novas necessidades e novas exigências de uma sociedade mais disponível e com mais meios.

E mesmo observando a questão central da sustentabilidade do nosso modo de vida, o respeito pela natureza e a necessidade de refrearmos o nosso ímpeto consumista traz objectivamente novas oportunidades e a necessidade de novos serviços.

Contudo no planeta ainda pode ser realidade o que para nós é memória da revolução industrial mas isso só demonstra que o progresso tecnológico não é igual para todos e isso sim, é algo com o qual devemos ficar preocupados. Não com o fim dos lascadores de pedra.