Los ataques y acusaciones proliferan en los medios de comunicación, a pesar de que las pruebas no asoman con igual intensidad. El objetivo es José Sócrates, primer ministro de Portugal, a quien acusan de haberse embolsado comisiones en una vieja licitación de un centro comercial cerca de Lisboa. Estamos en año de elecciones y hay quien cree que la campaña ya ha empezado.
Sexta-feira
Sócrates bajo el fuego
O caso é assim visto no El País, edição de hoje:
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Sexta-feira, Janeiro 30, 2009
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Os pombos são animais estúpidos

A crónica de Ferreira Fernandes no DN. Que trata da "investigação jornalística" do caso Freeport como milho atirado.
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Francisco da Costa
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Sexta-feira, Janeiro 30, 2009
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Quinta-feira
A terceira tentativa
A inteligência e a razoabilidade, como convém, ditam que não podem ser ignoradas as declaraçãos do PGR, do Ex-Presidente Sampaio, de Cândida Almeida.
Acresce que se temos dado atenção às atoardas divulgadas pela Comunicação Social (que parece ter perdido a maturidade e o sentido de responsabilidade repentinamente), maior atenção nos merece o que solidamente é dito, sem suposições nem divagações, e muito menos, alegações.
José Sócrates promete não deixar-se vencer.
Também não pode fazer mais nada perante um campanha negra cuja origem só pode ser suposta.
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Francisco da Costa
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Quinta-feira, Janeiro 29, 2009
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Quarta-feira
Freeport como Campanha de Raiva - Freitas do Amaral
Freitas do Amaral disse, esta terça-feira, que do ponto de vista do direito administrativo, não há ilegalidades no licenciamento do Freeport de Alcochete. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros considerou ainda que o eventual envolvimento de José Sócrates no caso parece envolto numa campanha de «raiva».
«Do ponto de vista do direito administrativo, não encontro nada que possa ser considerado ilegal, a menos que a partir de amanhã surjam dados novos que não conheço», disse, acrescentando que, quanto ao aspecto criminal, não existem provas.
Em declarações à SIC Notícias, Freitas do Amaral estranhou que um projecto que passou pelas mãos de diversos partidos esteja agora a ser usado contra o primeiro-ministro, José Sócrates.
O antigo governante afirmou que «o decreto-lei, que tem sido apontado como a grande causa de culpabilidade de José Sócrates, foi promulgado pelo Presidente da República» Jorge Sampaio e «referendado pelo primeiro-ministro Durão Barroso».
«Isto significa que a teoria de que o decreto-lei foi feito por causa de umas “luvas” não tem qualquer fundamento, a não ser que me venham provar que o Dr. Durão Barroso também recebeu "luvas", bem como o Dr. Sampaio. Parece-me que estamos a cair num grande exagero», disse.
Freitas do Amaral mostrou-se ainda convencido de que está a ser montada uma campanha de raiva, num clima de medo com as eleições à vista.
O antigo chefe da diplomacia portuguesa frisou que, até agora, houve «muito nervosismo», o que «deixa fica mal as pessoas que estão a fazer esse jogo de lançar suspeitas e acusações, num estado de desespero e de raiva».
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Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
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Caso Freeport - Nuno Morais Sarmento
Aquilo que a Procuradoria [-Geral da República] tem de esclarecer é porque é que isto está a acontecer agora?. Ou é uma manobra, um aproveitamento, uma qualquer calendarização política, que não podemos aceitar, ou isto é uma investigação a sério e fica manchada por ser uma manobra. Portanto, é daquelas coisas que só confunde. Dizemos que isto tem de ser investigado e isto só se confunde.
A sensação que fi ca para os portugueses é que mais uma vez as coisas são nebulosas. A Procuradoria [-Geral da República] tem de esclarecer o que é que andou a fazer durante estes três anos.
Não é aceitável haver duas pré-campanhas eleitorais com quatro anos de distância sem que ele seja inocentado e os cidadãos informados.
Não é aceitável que isto se arraste quatro anos. Tratava-se, à época, de um candidato a Primeiro-ministro, hoje em dia, Primeiro-ministro em exercício de funções. É um cidadão a quem é pedido mais que aos outros, tem determinados direitos, entre os quais não pode estar quatro anos, com nova campanha eleitoral e estar ainda sob suspeita de investigação.
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Francisco da Costa
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Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
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Sarsfield Cabral e o Freeport
O regresso à ribalta do caso Freeport não é bom. Primeiro, porque
numa crise económica tão grave e imprevisível como a actual o
Governo, e em particular o primeiro-ministro, não podem perder
tempo e energia noutros assuntos.
numa crise económica tão grave e imprevisível como a actual o
Governo, e em particular o primeiro-ministro, não podem perder
tempo e energia noutros assuntos.
Depois, porque – como justamente
se queixou Sócrates – mais uma vez foi violado o segredo
de justiça.
se queixou Sócrates – mais uma vez foi violado o segredo
de justiça.
Em terceiro lugar, este caso vem, de novo, chamar a atenção para
a lentidão da justiça em Portugal. O factos do caso Freeport aconteceram
há sete anos e a investigação, que começou há cinco,
ainda não chegou à fase instrutória.
Alega-se que as garantias dadas aos suspeitos de crime atrasam os
processos, sendo um custo a pagar por isso. Mas a morosidade da
justiça não afecta, apenas, os processos-crime.
Veja-se o “caso Esmeralda”.
A lentidão é exasperante, e afasta muitos investidores,
nos processos cíveis. Nos juízos de execução – por exemplo, para
cobrar uma dívida reconhecida em tribunal – há 200 mil processos.
Isto é sabido há muitos anos, toda a gente diz que uma justiça tão
lenta não é justiça, mas as coisas não mudam.
A lentidão é exasperante, e afasta muitos investidores,
nos processos cíveis. Nos juízos de execução – por exemplo, para
cobrar uma dívida reconhecida em tribunal – há 200 mil processos.
Isto é sabido há muitos anos, toda a gente diz que uma justiça tão
lenta não é justiça, mas as coisas não mudam.
Página 1 27 de Janeiro 2009
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Francisco da Costa
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Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
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Terça-feira
De Mário Crespo ao Sol
Mário Crespo tem uma carreira reconhecida. E a qualidade do seu trabalho inspirou confiança durante muitos anos (contando com as suas ausências da TV). Até ontem. Na entrevista com Pedro Silva Pereira e em relação ao "charco" Freeport, cometeu o erro de querer transformar insinuação em facto e insistiu com Silva Pereira para que este comentasse "enredos". Silva Pereira tratou a tentativa como insultuosa.
Entretanto ficámos a saber que os limites da Zona de Protecção Especial não foram alterados por causa do Freeport mas para resolver problemas com a indústria de alumínios e de pneus, que estavam aí instaladas. Ficámos também a saber que as Associações Ambientalistas foram consultadas e que as queixas da Quercus na UE foram arquivadas. Ficamos também a saber que entre a declaração do impacte ambiental do Freeport e a alteração dos limites da ZPE passaram dois meses.
O que me leva a concordar com Renato Sampaio no Diário Económico: há uma central de intoxicação para fazer o assassinato de carácter de José Sócrates. E acrescento, o Sol estava mesmo a precisar de vender uns jornais.
Foi a sua resposta à crise.
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Francisco da Costa
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Terça-feira, Janeiro 27, 2009
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Segunda-feira
O Fim da Libra Esterlina?
A crise é global e imprevisível nas consequências. A economia no Reino Unido, habitualmente mais sólida, está a deixar atónitos os ingleses. O fim da libra e a necessidade de intervenção do FMI?
Um artigo do El País, de ontem.
"En estos momentos no se me ocurre una política más popular que fusilar a los banqueros y nacionalizar los bancos. Puede incluso permitirle a Brown ganar unas elecciones. Bien pensado, hasta podría sacarnos a todos de este follón".
El autor de este comentario no es un frívolo columnista de poca monta o un militante de la izquierda radical. Es Philip Stephens, uno de los analistas políticos más prestigiosos -y moderados- del Financial Times. Consumado blairista en tiempos de Tony Blair, firme defensor del vínculo transatlántico, la confianza de Stephens en el libre mercado está fuera de toda duda.
El país está en recesión tras dos caídas trimestrales del PIBEn noviembre había ya más de 1,92 millones de desempleados. La crisis pone en cuestión la supervivencia de la libra esterlinaLos ahorradores extranjeros se marchan rápidamenteSu comentario es una caricatura, pero es también una manera de hacerse eco de un estado de ánimo que va ganando terreno entre los británicos a medida que esta crisis se extiende en el tiempo y en el espacio y se va pareciendo cada vez más a una gran depresión.
Los británicos están atónitos. No tanto porque el país esté desde el viernes pasado oficialmente en recesión -como tantos otros- sino porque en poco más de un año el Reino Unido ha pasado de ser una economía moderna en permanente crecimiento, ejemplo reformista de mercados abiertos basados en los servicios y muy en particular los servicios financieros e inmobiliarios, a convertirse en el peor alumno de Europa, con gran parte del sistema bancario intervenido por el Estado para evitar su desaparición, la libra esterlina, último reducto de orgullo y de independencia del Imperio Británico, malherida y quién sabe si a punto de pedir ayuda al mismísimo diablo en forma de integración en el euro, y con cada vez más voces preguntándose si el Gobierno británico tendrá que acabar sometiéndose a la humillación de pedir ayuda al Fondo Monetario Internacional (FMI), como ocurrió en los años setenta.
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Francisco da Costa
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Segunda-feira, Janeiro 26, 2009
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A insuspeita Democracia

A Regionalização é um daqueles assuntos que não faz a delícia do escândalo (pelo menos por enquanto). No último referendo e sem que fosse tratada propriamente como bandeira de qualquer um dos partidos, a questão foi deixada ao critério da baixa cultura democrática e a politiquice resumiu tudo à malfeitoria dos que querem mais poder e lugares para distribuir pelos "amigos", ou seja, a secular desvalorização do poder local.
Como argumento dos que nela não acreditam (já foram mais) surgiu o dos custos para as contas públicas. Um raciocínio recorrente, usado sobretudo pelos que gostam que se poupe na democracia. Ainda assim está por provar que o investimento não suplante a despesa. Façam-se as contas aos novos poderes criados e aos que se extinguirão e teremos a resposta. Doloroso mas necessário.
Foram estes os argumentos que mais ouvi durante esse debate. E por isso não admira que a questão não tenha sido resolvida de uma vez. Pelas piores razões.
Neste país confiamos pouco uns nos outros e uma má referência parece ter maior influência sobre nós que um aplauso. Com frequência o elogio ou o elogiado merece-nos, no máximo, o despeito. E não sabemos o que significa boa-fé. Por isso tem sido muito simples aos falhos de argumentos o salpicar o debate com a suspeição e a boa e velha insinuação. É fácil e eficaz, como se vê. Toma-se a árvore pela floresta e cria-se a ideia de que a democracia é uma coisa imunda e sem emenda. E que quando alguém defende mais poder para a sua região, só está a querer mais poder para si. Como se pelo meio não estivesse a escolha popular.
É que com a regionalização e ao contrário da decisão central que é executada pela estrutura burocrata local, não legitimada pelo voto popular, teremos candidatos com ideias e programas políticos sufragados. Cujas respostas dirão respeito às necessidade locais.
A democracia e o facto de se poder substituir um dirigente quando o seu desempenho é mau farão o sistema funcionar eficazmente. Mais a mais a escala de uma região é diferente da de um município. Daí que o argumento de que é alternativa à regionalização o reforço dos poderes dos municípios nos leve, no limite, à extinção de todas as estruturas da democracia representantiva, com excepção das juntas de freguesia. O que, na prática, é um disparate.
E, em relação às respostas de escala, contar com associação instável entre municípios para lhes dar resposta é esperar resposta nenhuma, como se pode comprovar. Até agora as Associações de Municípios não têm conseguido fazer sobrepor o interesse geral ao das parcelas do território e não me parece que alguma vez o venham a conseguir.
Voltar a colocar a Regionalização na agenda política do País parece não só relevante como vital para a correcção das assimetrias criadas, sobretudo entre o litoral e o interior.
É uma nova oportunidade para debater o assunto e, provavelmente, ultrapassar a dúvida e o receio. Ou pelo menos ouvir argumentos mais sólidos, que não se limitem a defender o não com base em receios infundados com a unidade entre portugueses e a soberania nacional.
E mesmo os que defenderam e defendem que a Regionalização se faça por decreto esqueceram, ou esquecem, que se trata de um processo de descentralização de poderes, da Administração Central, para os órgãos eleitos localmente, i.é., dos poderes com legitimidade democrática indirecta para órgãos escolhidos directamente pelas populações de cada Região. O que representa um grande aprofundamento do nosso sistema de democracia representantiva.
Por princípio têm de ser as pessoas a decidir. E elas decidirão em referendo.
Esperemos então por um debate esclarecedor.
Como argumento dos que nela não acreditam (já foram mais) surgiu o dos custos para as contas públicas. Um raciocínio recorrente, usado sobretudo pelos que gostam que se poupe na democracia. Ainda assim está por provar que o investimento não suplante a despesa. Façam-se as contas aos novos poderes criados e aos que se extinguirão e teremos a resposta. Doloroso mas necessário.
Foram estes os argumentos que mais ouvi durante esse debate. E por isso não admira que a questão não tenha sido resolvida de uma vez. Pelas piores razões.
Neste país confiamos pouco uns nos outros e uma má referência parece ter maior influência sobre nós que um aplauso. Com frequência o elogio ou o elogiado merece-nos, no máximo, o despeito. E não sabemos o que significa boa-fé. Por isso tem sido muito simples aos falhos de argumentos o salpicar o debate com a suspeição e a boa e velha insinuação. É fácil e eficaz, como se vê. Toma-se a árvore pela floresta e cria-se a ideia de que a democracia é uma coisa imunda e sem emenda. E que quando alguém defende mais poder para a sua região, só está a querer mais poder para si. Como se pelo meio não estivesse a escolha popular.
É que com a regionalização e ao contrário da decisão central que é executada pela estrutura burocrata local, não legitimada pelo voto popular, teremos candidatos com ideias e programas políticos sufragados. Cujas respostas dirão respeito às necessidade locais.
A democracia e o facto de se poder substituir um dirigente quando o seu desempenho é mau farão o sistema funcionar eficazmente. Mais a mais a escala de uma região é diferente da de um município. Daí que o argumento de que é alternativa à regionalização o reforço dos poderes dos municípios nos leve, no limite, à extinção de todas as estruturas da democracia representantiva, com excepção das juntas de freguesia. O que, na prática, é um disparate.
E, em relação às respostas de escala, contar com associação instável entre municípios para lhes dar resposta é esperar resposta nenhuma, como se pode comprovar. Até agora as Associações de Municípios não têm conseguido fazer sobrepor o interesse geral ao das parcelas do território e não me parece que alguma vez o venham a conseguir.
Voltar a colocar a Regionalização na agenda política do País parece não só relevante como vital para a correcção das assimetrias criadas, sobretudo entre o litoral e o interior.
É uma nova oportunidade para debater o assunto e, provavelmente, ultrapassar a dúvida e o receio. Ou pelo menos ouvir argumentos mais sólidos, que não se limitem a defender o não com base em receios infundados com a unidade entre portugueses e a soberania nacional.
E mesmo os que defenderam e defendem que a Regionalização se faça por decreto esqueceram, ou esquecem, que se trata de um processo de descentralização de poderes, da Administração Central, para os órgãos eleitos localmente, i.é., dos poderes com legitimidade democrática indirecta para órgãos escolhidos directamente pelas populações de cada Região. O que representa um grande aprofundamento do nosso sistema de democracia representantiva.
Por princípio têm de ser as pessoas a decidir. E elas decidirão em referendo.
Esperemos então por um debate esclarecedor.
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Segunda-feira, Janeiro 26, 2009
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Sábado
Free portas
Um efusivo Paulo em feira de fumados diz que não o preocupa a parangona do momento mas que está concentrado nos "problemas do desemprego e a falta de apoios às pequenas e médias empresas". Será por isso que sorria?
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Francisco da Costa
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Sábado, Janeiro 24, 2009
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Sexta-feira
Calvim dá uma explicação da actual situação económica
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Sexta-feira, Janeiro 23, 2009
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Quinta-feira
Tradução do discurso de posse de Barack Obama
Meus caros cidadãos:
Aqui estou hoje, humilde perante a tarefa à nossa frente, grato pela confiança que depositaram em mim, consciente dos sacrifícios que os nossos antepassados enfrentaram. Agradeço ao Presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, assim como a generosidade e a cooperação que demonstrou durante esta transição.
Aqui estou hoje, humilde perante a tarefa à nossa frente, grato pela confiança que depositaram em mim, consciente dos sacrifícios que os nossos antepassados enfrentaram. Agradeço ao Presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, assim como a generosidade e a cooperação que demonstrou durante esta transição.
Quarenta e quatro americanos fizeram até agora o juramento presidencial. Os discursos foram feitos durante vagas de crescente prosperidade e águas calmas de paz. No entanto, muitas vezes a tomada de posse ocorre no meio de nuvens espessas e furiosas tempestades. Nesses momentos, a América perseverou não só devido ao talento ou à visão dos que ocupavam altos cargos mas porque Nós o Povo permanecemos fiéis aos ideais dos nossos antepassados e aos nossos documentos fundadores.
Assim tem sido. E assim deve ser com esta geração de americanos.
Que estamos no meio de uma crise, já todos sabem. A nossa nação está em guerra, contra uma vasta rede de violência e ódio. A nossa economia está muito enfraquecida, consequência da ganância e irresponsabilidade de alguns, mas também nossa culpa colectiva por não tomarmos decisões difíceis e prepararmos a nação para uma nova era. Perderam-se casas; empregos foram extintos, negócios encerraram. O nosso sistema de saúde é muito oneroso; para muita gente as nossas escolas falharam; e cada dia traz-nos mais provas de que o modo como usamos a energia reforça os nossos adversários e ameaça o nosso planeta.
Estes são indicadores de crise, resultado de dados e de estatística. Menos mensurável mas não menos profunda é a perda de confiança na nossa terra - um medo incómodo de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve baixar as expectativas.
Hoje eu digo-vos que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Não serão resolvidos facilmente nem num curto espaço de tempo. Mas fica a saber, América - eles serão resolvidos.
Neste dia, unimo-nos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objectivo e não o conflito e a discórdia.
Neste dia, viemos para proclamar o fim dos ressentimentos mesquinhos e falsas promessas, as recriminações e dogmas gastos, que há tanto tempo estrangulam a nossa política.
Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras da Escritura, chegou a hora de pôr as infantilidades de lado. Chegou a hora de reafirmar o nosso espírito de resistência, de escolher o melhor da nossa história; de carregar em frente essa oferta preciosa, essa nobre ideia, passada de geração em geração; a promessa de Deus de que todos somos iguais, todos somos livres, e todos merecemos uma oportunidade de tentar obter a felicidade completa.
Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é um dado adquirido.
Deve ser conquistada. A nossa viagem nunca foi feita de atalhos ou de aceitar o mínimo. Não tem sido o caminho dos que hesitam – dos que preferem o divertimento ao trabalho, ou que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Pelo contrário, tem sido o dos que correm riscos, os que agem, os que fazem as coisas – alguns reconhecidos mas, mais frequentemente, mulheres e homens desconhecidos no seu labor, que nos conduziram por um longo e acidentado caminho rumo à prosperidade e à liberdade.
Por nós, pegaram nos seus parcos bens e atravessaram oceanos em busca de uma nova vida.Por nós, eles labutaram em condições de exploração e instalaram-se no Oeste; suportaram o golpe do chicote e lavraram a terra dura. Por nós, eles combateram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn.
Tantas vezes estes homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até as suas mãos ficarem ásperas para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram a América como maior do que a soma das nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.
Esta é a viagem que hoje continuamos. Permanecemos a nação mais poderosa e próspera na Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que eram quando a crise começou. As nossas mentes não são menos inventivas, os nossos produtos e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada ou no mês passado ou no ano passado. A nossa capacidade não foi diminuída. Mas o nosso tempo de intransigência, de proteger interesses tacanhos e de adiar decisões desagradáveis – esse tempo seguramente que passou.
A partir de hoje, devemos levantar-nos, sacudir a poeira e começar a tarefa de refazer a América.
Para onde quer que olhamos, há trabalho paraa fazer. O estado da economia pede acção, corajosa e rápida, e nós vamos agir – não só para criar novos empregos mas para lançar novas bases de crescimento. Vamos construir estradas e pontes, redes eléctricas e linhas digitais que alimentam o nosso comércio e nos ligam uns aos outros.
Vamos recolocar a ciência no seu devido lugar e dominar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade do serviço de saúde e diminuir o seu custo. Vamos domar o sol e os ventos e a terra para abastecer os nossos carros e pôr a funcionar as nossas fábricas. E vamos transformar as nossas escolas e universidades para satisfazer as exigências de uma nova era.
Podemos fazer tudo isto. E tudo isto iremos fazer. Há alguns que, agora, questionam a escala das nossas ambições – que sugerem que o nosso sistema não pode tolerar muitos planos grandiosos. As suas memórias são curtas. Esqueceram-se do que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem fazer quando à imaginação se junta um objectivo comum, e à necessidade a coragem.
O que os cínicos não compreendem é que o chão se mexeu debaixo dos seus pés – que os imutáveis argumentos políticos que há tanto tempo nos consomem já não se aplicam. A pergunta que hoje fazemos não é se o nosso governo é demasiado grande ou demasiado pequeno, mas se funciona – se ajuda famílias a encontrar empregos com salários decentes, cuidados de saúde que possam pagar, pensões de reformas que sejam dignas. Onde a resposta for sim, tencionamos seguir em frente. Onde a resposta for não, programas chegarão ao fim.
E aqueles de nós que gerem os dólares do povo serão responsabilizados – para gastarem com sensatez, reformarem maus hábitos e conduzirem os nossos negócios à luz do dia – porque só então poderemos restaurar a confiança vital entre o povo e o seu governo.
Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não só da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance da nossa prosperidade; da nossa capacidade em oferecer oportunidades a todos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.
Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, face a perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta que se expandiu com o sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abdicar deles por oportunismo.
E por isso, aos outros povos e governos que nos estão a ver hoje, das grandes capitais à pequena aldeia onde o meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que procuram um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez.
Recordem que as primeiras gerações enfrentaram o fascismo e o comunismo não só com mísseis e tanques mas com alianças sólidas e convicções fortes. Compreenderam que só o nosso poder não nos protege nem nos permite agir como mais nos agradar. Pelo contrário, sabiam que o nosso poder aumenta com o seu uso prudente; a nossa segurança emana da justeza da nossa causa, da força do nosso exemplo, das qualidades moderadas de humildade e contenção.
Nós somos os guardiões deste legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem ainda maior esforço – ainda maior cooperação e compreensão entre nações. Vamos começar responsavelmente a deixar o Iraque para o seu povo, e a forjar uma paz arduamente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e afastar o espectro do aquecimento do planeta.
Não vamos pedir desculpa pelo nosso modo de vida, nem vamos hesitar na sua defesa, e àqueles que querem realizar os seus objectivos pelo terror e assassínio de inocentes, dizemos agora que o nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; não podem sobreviver-nos, e nós vamos derrotar-vos.
Porque nós sabemos que a nossa herança de diversidade é uma força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e não crentes. Somos moldados por todas as línguas e culturas, vindas de todos os cantos desta Terra; e porque provámos o líquido amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que velhos ódios um dia passarão; que as linhas da tribo em breve se dissolverão; que à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América deve desempenhar o seu papel em promover uma nova era de paz.
Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado na confiança mútua e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado.
Aos povos das nações mais pobres, prometemos cooperar convosco para que os vossos campos floresçam e as vossas águas corram limpas; para dar alimento aos corpos famintos e aos espíritos sedentos de saber. E às nações, como a nossa, que gozam de relativa riqueza, dizemos que não podemos mais mostrar indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem prestar atenção aos seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele.
Ao olharmos para o caminho à nossa frente, lembremos com humilde gratidão os bravos americanos que, neste preciso momento, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm alguma coisa para nos dizer hoje, tal como os heróis caídos em Arlington fazem ouvir a sua voz. Honramo-los não apenas porque são guardiões da nossa liberdade, mas porque incorporam o espírito de serviço; uma vontade de dar significado a algo maior do que eles próprios. E neste momento – um momento que definirá uma geração – é este espírito que deve habitar em todos nós. Porque, por mais que o governo possa e deva fazer, a nação assenta na fé e na determinação do povo americano.
É a generosidade de acomodar o desconhecido quando os diques rebentam, o altruísmo dos trabalhadores que preferem reduzir os seus horários a ver um amigo perder o emprego que nos revelam quem somos nas nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro ao entrar por uma escada cheia de fumo, mas também a disponibilidade dos pais para criar um filho, que acabará por selar o nosso destino. Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende o nosso sucesso – trabalho árduo e honestidade, coragem e fair play, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo – estas coisas são antigas. Estas coisas são verdadeiras. Têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa história. O que é pedido, então, é o regresso a essas verdades.
O que nos é exigido agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, da parte de cada americano, de que temos obrigações para connosco, com a nossa nação, e com o mundo, deveres que aceitamos com satisfação e não com má vontade, firmes no conhecimento de que nada satisfaz mais o espírito, nem define o nosso carácter, do que entregarmo-nos todos a uma tarefa difícil.Este é o preço e a promessa da cidadania.
Esta é a fonte da nossa confiança – o conhecimento de que Deus nos chama para moldar um destino incerto.
Este é o significado da nossa liberdade e do nosso credo – é por isso que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as religiões se podem juntar em celebração neste magnífico mall, e que um homem cujo pai há menos de 60 anos não podia ser atendido num restaurante local pode agora estar perante vós a fazer o mais sagrado juramento.
Por isso, marquemos este dia com a lembrança do quem somos e quão longe fomos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à beira de ténues fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital tinha sido abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado da nossa revolução era incerto, o pai da nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo:
“Que o mundo que há-de vir saiba que... num Inverno rigoroso, quando nada excepto a esperança e a virtude podiam sobreviver... a cidade e o país, alarmados com um perigo comum, vieram para [o] enfrentar.” América. Face aos nossos perigos comuns, neste Inverno das nossas dificuldades, lembremo-nos dessas palavras intemporais.
Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais as correntes geladas e suportemos as tempestades que vierem. Que seja dito aos filhos dos nossos filhos que quando fomos testados recusámos que esta viagem terminasse, que não recuámos nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levámos adiante a grande dádiva da liberdade e entregámo-la em segurança às futuras gerações.
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Quinta-feira, Janeiro 22, 2009
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Quarta-feira
Terça-feira
Tomou posse
Barack Obama, o 44º Presidente dos Estados Unidos da América.
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Terça-feira, Janeiro 20, 2009
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O conflito com o terror

Custam-me os debates em que se pretende saber quem tem razão no conflito, se os judeus ou os palestinianos. Primeiro porque para mim não existe razão em qualquer conflito onde morra gente, segundo porque não vejo o que se passa em Gaza como conflito entre judeus e palestinianos, mesmo que ele exista, depois porque estes assuntos já são maus por si e pior ficam quando alguém se aproveita deles para defender a boa e velha militância anti-semita e o gosto por tudo o que representa o mal ao bloco ocidental.
Tanto o Hamas, na Faixa de Gaza, como o Hezbolah, a partir do Líbano, são grupos fanáticos de terroristas, financiados por um Irão que não reconhece aos judeus o direito a viver, quanto mais a ter um Estado. Apostados em arrasar do mapa Israel, a expressão é habitualmente sua, merecem-me tanta tolerância quanto a que têm ao mundo democrático e a toda a sua cultura laica.
Há contudo uma névoa que me impressiona na aceitação comum de que Israel é a grande e poderosa hegemonia que exerce a sua força e o seu capricho sobre indefesos e inocentes. Comovo-me com as imagens de crianças e gente morta, os olhares desesperados dos que ainda estão vivos, com a falta de futuro evidente nos semblantes carregados, com os olhares mortiços e baços dos que vagueiam no meio do caos, sejam elas resultado de mísseis balísticos, bombardeamentos aéreos, foguetes ou homens bomba.
E fico com a sensação de que nunca ouvimos quem realmente interessa, as vítimas.
É certo que dum lado existe um exército poderoso, com equipamento mortífero e de última tecnologia. Choca-me contudo que figuras como Saramago, digno representante da nossa cultura, ainda se refira ao conflito mordazmente, atribuindo a Israel o papel de Golias e, passando por cima da existência dos que cultivam a morte, como muito boa gente faz, coloca do outro lado o David que só tem pedras para se defender.
Só falta esclarecer se se refere ao David palestiniano que não tem por onde fugir, o que faz disparar incessantemente foguetes sobre civis judeus ou o que morre às mãos do compatriota porque pertence à Fatah e não ao grupo dominante.
E é também esta imagem que se distribui pela opinião. Como referiu Helena Matos num artigo esclarecedor, de um lado existe um exército, do outro, líderes espirituais, activistas, militantes, mártires e, quanto muito, combatentes. Nenhum é militar.
O que, á luz do código de condutas destes, também é verdade. Que militar se colocaria à defesa dentro de escolas, edifícios públicos, hospitais ou bairros residenciais? Que militar se esconderia entre os civis, usando-os como escudos humanos? Nenhum. Porque efectivamente não se trata de actos militares mas de puro terror, que ainda se torna mais inconcebível porque sacrifica o próprio povo de quem se diz protector.
Como se vê há muito pouca razoabilidade nesta violência.
O que falta a Israel, à Palestina e ao mundo é livrar-se dos seus radicais.
Independentemente das teorias estapafúrdias que é habitual ouvir acerca de quem ocupou o quê, a verdade é que judeus e palestinianos estão condenados a conviver uns com os outros. E até acredito que o acabarão por fazer, tenhamos fé na humanidade. Mas antes de se poder sonhar com tão grande dia é preciso que os próprios palestinianos recusem a estratégia de violência do Hamas. Quando isso acontecer e se calarem as armas, quando o sucesso ou o insucesso do progresso depender dos palestinianos, aí sim, com eles já só estarão os verdadeiros solidários.
Tanto o Hamas, na Faixa de Gaza, como o Hezbolah, a partir do Líbano, são grupos fanáticos de terroristas, financiados por um Irão que não reconhece aos judeus o direito a viver, quanto mais a ter um Estado. Apostados em arrasar do mapa Israel, a expressão é habitualmente sua, merecem-me tanta tolerância quanto a que têm ao mundo democrático e a toda a sua cultura laica.
Há contudo uma névoa que me impressiona na aceitação comum de que Israel é a grande e poderosa hegemonia que exerce a sua força e o seu capricho sobre indefesos e inocentes. Comovo-me com as imagens de crianças e gente morta, os olhares desesperados dos que ainda estão vivos, com a falta de futuro evidente nos semblantes carregados, com os olhares mortiços e baços dos que vagueiam no meio do caos, sejam elas resultado de mísseis balísticos, bombardeamentos aéreos, foguetes ou homens bomba.
E fico com a sensação de que nunca ouvimos quem realmente interessa, as vítimas.
É certo que dum lado existe um exército poderoso, com equipamento mortífero e de última tecnologia. Choca-me contudo que figuras como Saramago, digno representante da nossa cultura, ainda se refira ao conflito mordazmente, atribuindo a Israel o papel de Golias e, passando por cima da existência dos que cultivam a morte, como muito boa gente faz, coloca do outro lado o David que só tem pedras para se defender.
Só falta esclarecer se se refere ao David palestiniano que não tem por onde fugir, o que faz disparar incessantemente foguetes sobre civis judeus ou o que morre às mãos do compatriota porque pertence à Fatah e não ao grupo dominante.
E é também esta imagem que se distribui pela opinião. Como referiu Helena Matos num artigo esclarecedor, de um lado existe um exército, do outro, líderes espirituais, activistas, militantes, mártires e, quanto muito, combatentes. Nenhum é militar.
O que, á luz do código de condutas destes, também é verdade. Que militar se colocaria à defesa dentro de escolas, edifícios públicos, hospitais ou bairros residenciais? Que militar se esconderia entre os civis, usando-os como escudos humanos? Nenhum. Porque efectivamente não se trata de actos militares mas de puro terror, que ainda se torna mais inconcebível porque sacrifica o próprio povo de quem se diz protector.
Como se vê há muito pouca razoabilidade nesta violência.
O que falta a Israel, à Palestina e ao mundo é livrar-se dos seus radicais.
Independentemente das teorias estapafúrdias que é habitual ouvir acerca de quem ocupou o quê, a verdade é que judeus e palestinianos estão condenados a conviver uns com os outros. E até acredito que o acabarão por fazer, tenhamos fé na humanidade. Mas antes de se poder sonhar com tão grande dia é preciso que os próprios palestinianos recusem a estratégia de violência do Hamas. Quando isso acontecer e se calarem as armas, quando o sucesso ou o insucesso do progresso depender dos palestinianos, aí sim, com eles já só estarão os verdadeiros solidários.
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Terça-feira, Janeiro 20, 2009
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Sexta-feira
Plural
Num discurso (fragmentos) notável acerca da diversidade e das diferenças, Obama diz que a América hoje, para além de católica, é judia, muçulmana, budista e não-crente. Legendado. Enviado por mail, pela Paula de Deus.
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Francisco da Costa
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Sexta-feira, Janeiro 16, 2009
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Escrutínio
A ANSOL (Associação Nacional para o Software Livre) lançou um lugar onde se pode consultar as compras por ajuste directo das instituições públicas, como relata o Público.
Usando o campo pesquisa procura-se a entidade que se pretende. Surge então uma listagem das compras efectuadas, com ligação às páginas do Portal Oficial dos Contratos Públicos, onde constam os detalhes de cada uma das operações.
Clicando-se na entidade a quem foi comprado o serviço somos remetidos para a página do Ministério da Justiça, onde ficamos a saber quem são os empresários por trás de cada empresa.
O site tem uma falha para já: o software não distingue os cêntimos dos euros pelo que podem ser assustadores alguns números.
Não deixa de ser uma boa iniciativa.
Usando o campo pesquisa procura-se a entidade que se pretende. Surge então uma listagem das compras efectuadas, com ligação às páginas do Portal Oficial dos Contratos Públicos, onde constam os detalhes de cada uma das operações.
Clicando-se na entidade a quem foi comprado o serviço somos remetidos para a página do Ministério da Justiça, onde ficamos a saber quem são os empresários por trás de cada empresa.
O site tem uma falha para já: o software não distingue os cêntimos dos euros pelo que podem ser assustadores alguns números.
Não deixa de ser uma boa iniciativa.
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Sexta-feira, Janeiro 16, 2009
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Quarta-feira
O PCP incendiário
O PCP na Câmara de Évora e noutras do País esteve contra a descentralização de competências, sobretudo a nível da gestão das escolas, pela autarquia.
Hoje, e com a coerência que se lhe conhece, apresenta uma moção de defesa da estabilidade na escola pública e a favor da luta dos professores contra a avaliação. Para isso despeja gasolina no fogo. Como interessa sempre ao PCP.
Mas, ao contrário do PSD, que espalha o fogo para ver se o contratam como bombeiro, o que o PCP quer é que tudo arda mesmo.
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Francisco da Costa
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Quarta-feira, Janeiro 14, 2009
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Dom José Policarpo e os problemas das jovens portuguesas
Dom José Policarpo advertiu as jovens portuguesas que casar com muçulmanos pode causar uma carga de sarilhos. O Cardeal Patriarca de Lisboa diz que «nem Ala sabe onde acabam os problemas».
Eu acrescentaria que nem Ala sabe onde acaba tamanha enormidade.
Independentemente das diferenças, que são muitas e nem todas tão distantes da nossa tolerância, independentemente das dificuldades de integração, porque achamos que integrar é transformar o outro num de nós, e acima da polémica religiosa (essa que tem dado tanta morte ao mundo, tanta quanto os extremismos políticos), eu pergunto, em que contribuem as declarações do Cardeal Patriarca na resolução dos problemas, alguns até apontados por ele?
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Francisco da Costa
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Quarta-feira, Janeiro 14, 2009
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Tirado do 5 Dias
Do Play for change, uma fundação que combate a sida em África.
“stand by me” à volta do mundo
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Francisco da Costa
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Quarta-feira, Janeiro 14, 2009
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Terça-feira
Évora em 2009 - Comentário

É uma antecipação de um 2009 mais difícil que qualquer previsão.
Na semana em que o Banco de Portugal apontou a mais que inevitável entrada da nossa economia em recessão e em que se sucedem os casos de empresas em dificuldade e empregos em risco, somos confrontados com a notícia da suspensão dos contratos de trabalho por seis meses a cerca de 500 trabalhadores da Tyco Electronics, em Évora.
A maior unidade fabril do Alentejo debate-se com o arrefecimento global da economia, cuja queda de produção acompanha as quebras de encomendas da indústria automóvel mundial. E é certo que outras empresas a acompanharão nas dificuldades.
E no meio do ruído criado pelas oposições, que se acotovelam para dizer que tinham avisado, não se vislumbra uma única alternativa ao que os governantes apresentam como solução para ultrapassar os tempos difíceis.
Lidando com tempos economicamente adversos, uma oposição em maioria na Câmara e uma máquina que levou tempo a adaptar-se à mudança após três décadas de regime comunista, José Ernesto d’Oliveira faz em entrevista no Diário do Sul o que se costuma chamar de separação das águas.
Em balanço de 3 anos de mandato e a 10 meses das eleições fala das dificuldades de governar em minoria, que exigiram muita negociação, consenso e tempo. Esse esforço e os resultados obtidos deixam-no com a sensação que superou muitos obstáculos.
Acrescenta ainda que não governa a pensar nos votos (tem acerca disso uma opinião interessante associando esse modelo de gestão com a praxis política que fez a cidade pagar caro com a imobilidade) e que o que o motiva é o projecto de modernização para Évora.
Mas há um dado novo, provavelmente o mais relevante nesta entrevista, a sua afirmação de que o território do Alentejo não pode ser visto de forma igualitária e que, dependendo dele, Évora não sairá menorizada em relação às suas congéneres, assumindo que esta é a capital da região, com ou sem regionalização, questão que toma como supra-partidária.
Sem declarar que pretende recandidatar-se afirma que continua a mover-se pelo interesse municipal, que neste momento passa por dar resposta prioritária às dificuldades das pessoas, na criação de novas oportunidades e num maior reforço do apoio social às famílias, num ano particularmente difícil.
Que é o mesmo que dizer que se a política não servir para resolver os problemas das pessoas então servirá para muito pouco.
O que concretiza um verdadeiro programa político e dificulta ainda mais a vida à oposição.
Na semana em que o Banco de Portugal apontou a mais que inevitável entrada da nossa economia em recessão e em que se sucedem os casos de empresas em dificuldade e empregos em risco, somos confrontados com a notícia da suspensão dos contratos de trabalho por seis meses a cerca de 500 trabalhadores da Tyco Electronics, em Évora.
A maior unidade fabril do Alentejo debate-se com o arrefecimento global da economia, cuja queda de produção acompanha as quebras de encomendas da indústria automóvel mundial. E é certo que outras empresas a acompanharão nas dificuldades.
E no meio do ruído criado pelas oposições, que se acotovelam para dizer que tinham avisado, não se vislumbra uma única alternativa ao que os governantes apresentam como solução para ultrapassar os tempos difíceis.
Lidando com tempos economicamente adversos, uma oposição em maioria na Câmara e uma máquina que levou tempo a adaptar-se à mudança após três décadas de regime comunista, José Ernesto d’Oliveira faz em entrevista no Diário do Sul o que se costuma chamar de separação das águas.
Em balanço de 3 anos de mandato e a 10 meses das eleições fala das dificuldades de governar em minoria, que exigiram muita negociação, consenso e tempo. Esse esforço e os resultados obtidos deixam-no com a sensação que superou muitos obstáculos.
Acrescenta ainda que não governa a pensar nos votos (tem acerca disso uma opinião interessante associando esse modelo de gestão com a praxis política que fez a cidade pagar caro com a imobilidade) e que o que o motiva é o projecto de modernização para Évora.
Mas há um dado novo, provavelmente o mais relevante nesta entrevista, a sua afirmação de que o território do Alentejo não pode ser visto de forma igualitária e que, dependendo dele, Évora não sairá menorizada em relação às suas congéneres, assumindo que esta é a capital da região, com ou sem regionalização, questão que toma como supra-partidária.
Sem declarar que pretende recandidatar-se afirma que continua a mover-se pelo interesse municipal, que neste momento passa por dar resposta prioritária às dificuldades das pessoas, na criação de novas oportunidades e num maior reforço do apoio social às famílias, num ano particularmente difícil.
Que é o mesmo que dizer que se a política não servir para resolver os problemas das pessoas então servirá para muito pouco.
O que concretiza um verdadeiro programa político e dificulta ainda mais a vida à oposição.
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Francisco da Costa
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Terça-feira, Janeiro 13, 2009
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Sábado
4 negativos
Os 4º negativos a que chegámos hoje em Évora fazem-nos sonhar com o verão. A mim e às tartarugas que nadam em água a +10º. Entre todos só o Gorki parece revigorado com o frio.
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Francisco da Costa
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Sábado, Janeiro 10, 2009
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Quarta-feira
O fact checking
O Público faz hoje das declarações do 1.º Ministro o que os ingleses e americanos já fazem com os seus políticos há muito: certificam-se da veracidade das declarações.
Neste caso é atribuída nota positiva. Compare-se o que diz o Público ser verdade e o que diz não ser verdade (que não é o mesmo que mentira). Agora imaginemos colocar naquela circunstância, mesmo não estando no poder, qualquer outro dirigente deste País.
O cenário pode ajudar a explicar em parte porque é José Sócrates o Primeiro Ministro.
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Francisco da Costa
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Quarta-feira, Janeiro 07, 2009
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Terça-feira
Sócrates num debate com jornalistas
Pareceu-me mais um debate que uma entrevista. Mas parece-me que o 1.º Ministro mantém-se confiante e que está a fazer o que deve fazer para ultrapassar este mau momento da economia mundial.
Apesar de alguma agressividade dos jornalistas (sobretudo de Ricardo Costa) que parece inevitável para não haver dúvidas de isenção, José Sócrates foi respondendo aos portugueses. Pessoalmente mantenho a maior confiança no nosso 1.º.
E concordo com a necessidade de uma nova maioria absoluta. Não temos oposição responsável, capaz de colocar o interesse nacional acima do interesse partidário. O País não resistirá à política da terra queimada.
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Terça-feira, Janeiro 06, 2009
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Património e consciência
Dou particular atenção aos cíclicos avisos de derrocada do património nacional, que parecem ficar no esquecimento até que cai mais um pouco de uma muralha, uma fachada ou um tecto. E assim se perde mais um pouco do nosso património construído.Só que não me parece sério dizer-se que o País não cuida do seu património. Estamos contudo longe do ideal. Boa consciência e as operações pontuais não chegam.
Restam-nos exemplos como refere o artigo que fez capa deste fim-de-semana do jornal o Expresso. Merece-lhe o elogio a parceria entre a Câmara Municipal de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida, a Direcção Regional da Cultura, entre outros, num projecto de recuperação do Centro Histórico, com um investimento de cerca de 10 milhões de euros. Sublinha-se o cuidado que merece o Património e o ganho que isso representa. Por isso Évora é mais do que património nacional. É património do mundo.
O centro histórico de Évora tem bastantes problemas como os têm todos os centros históricos de milhares de cidades no planeta. Mas nele os monumentos não ruem. Em parte devido ao facto de existir uma forte consciência colectiva, social e política que tem respeitado este património.
Dessa consciência têm resultado constantemente programas de recuperação e de reabilitação do património e que têm envolvido as instituições públicas e os privados.
Só nos últimos cinco anos em investimentos públicos e privados foi recuperado 15% do tecido edificado para habitação e comércio do nosso Centro Histórico.
Contudo as intervenções parciais dos últimos anos não dão só por si resposta às urgências de tanto e tão variado património, propriedade de diversas entidades, que nem sempre se entenderam.
Pode considerar-se que a Évora, embora tendo gozado da grande diversidade de doutrinas de intervenção e recuperação do património cultural, faltou uma visão de conjunto do seu património e das suas necessidades.
Levou o seu tempo a fazer o diagnóstico, mas hoje ele existe e é dos mais detalhados que conhecemos. A Câmara de Évora fez uma autêntica radiografia dos cerca de cem hectares que compõem o nosso Centro Histórico, o que permite finalmente intervir não de forma pontual mas sim integrada, abrangendo ruas, praças ou quarteirões.
Para que a resposta fosse mais global e integrada criou-se uma Sociedade de Reabilitação Urbana Évora Viva, estrutura que tem preparada uma autêntica operação de regeneração à escala, com financiamentos já aprovados dos fundos europeus.
Não se trata só de património arquitectónico. Trata-se de conforto e qualidade de vida. Esta cidade não vale apenas pelo seu rico património, vale enquanto for viva. E isso inclui as pessoas.
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Francisco da Costa
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Terça-feira, Janeiro 06, 2009
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Sábado
2009
2009 pode ser mais fácil se estivermos unidos. A alternativa é o desastre.
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Francisco da Costa
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Sábado, Janeiro 03, 2009
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