Com a dignidade devida.
Resultou na declaração discordante do Angelo Ferreira que escreveu:
Isso não é credível. E, desculpa lá, mas não foi o liberalismo que levou a esta crise, mas antes governos que incentivaram consumo privado e público acima das posses, da riqueza existente, recorrendo ao crédito. E incentivaram sem controle e sem responsabilidade a procura de crédito para financiar a construção e os seus amigos construtores! Cuidado, isso de usar a palavra "liberalismo" em vão tem muito que se lhe diga!Não estou a dizer que não deva haver regras claras, Justiça, e instrumentos diversos que garantam a livre concorrência, mas honesta. Agora a coisa das economias comandadas já foi chão que deu uvas!Nós precisamos ainda de muito liberalismo em muitas áreas, meu caro primo. Em muitas, onde o Estado nos mata!Olha lá, como é que isto é culpa do liberalismo num país em que o Estado absorve mais de 50% da riqueza produzida? Abraço!
Eu retorqui:
Desculpa meu caro mas falava-se da última previsão da Comissão Europeia, num contexto de economia global. Não confundas. Isso foi o que tentou fazer Borges e é o que tenta o PSD ao querer colocar em planos distintos a economia nacional e a economia mundial. Não sou muito fixado em purismos conceptuais e portanto não trato sacro santamente conceitos como o de liberalismo. Senão também teria de morder a língua sempre que critico a bondade do comunismo.O que gerou esta crise não foi demasiado Estado. Isso sim é que não é credível. Que demasiado Estado existe nos EUA? Ou pelo menos existia na era Bush? Liberalismo, para mim, é mercado livre, sem barreiras e, diz o tempo, auto-regulado. Auto-regulado uma ova. Foi isso que quis dizer. Lamento se não fui tão explícito.
E acrescentei:
"governos que incentivaram consumo privado e público acima das posses, da riqueza existente, recorrendo ao crédito. E incentivaram sem controle e sem responsabilidade a procura de crédito para financiar a construção e os seus amigos construtores!"Esta parte do teu comentário não a percebi.
Ele continuou:
Foi precisamente o que aconteceu no tão liberal país chamado EUA. E é muito o que acontece por cá. Aliás, a ideia de que a coisa (chamas-lhe sociedade?) falhou e agora somos precisos nós é fantástica, mas é a que usam todos os defensores do estado, como se o homem falhasse no mercado, mas não falhasse no Estado! Isso é realmente assim, mas não são os liberais que são assim, pois estes (à moda antiga) defendem o estado diminuto, a não promiscuidade entre negócios e política (que exitiu por exemplo no governo Sócrates em muitas dimensões, como aquela coisa com a ERSE, recordas-te? é desta regulação que se tem feito o mercado, por isso tem sido o que tem sido!). Os liberais defendem que se deve manter uma vigilância atenta sobre qualquer governo, que deve ser curto, para não abusar! Mesmo que seja em nome de ideias bonitas, impondo as ideias de iluminados aos outros! Como se estes fossem burros!Não são os liberais que pretendem capturar o Estado dizendo que alguma coisa falhou! (o liberalismo? a regulação falhada é culpa do liberalismo? antes não houvesse, se houvesse verdadeira concorrência e regras claras, meu caro. a crise nos EUA aconteceu no sector mais regulado de que há memória, podes ter a certeza! Se a regulação também é culpa dos liberais, como a que a ERSE nunca fez, então eu vou ali e já venho!)Sabes que foram os Estados através dos Bancos Centrais (na Europa o BCE) que deram dinheiro quase de borla, estimulando o crédito fácil e as loucuras que vieram por acréscimo.Muito do que dizes estar mal não é mais do que publicidade enganosa, como a que os bancos fizeram à tripa forra. Isso é regulação? Onde esteve a regulação? A Justiça? Isso é culpa de quem?Mas foi também o governo de Guterres e de Sócrates que estimularam o consumo acima das posses, escondendo a crise e das dificuldades. Fizeram-no eles próprios. Já viste como estamos endividados?Já viste que nunca se liberalizou o arrendamento e no que isso deu? Rendas paralisadas, ninguém a querer alugar, nem a poder fazer obras de melhoramentos nos edifícios, e as pessoas a terem de comprar, comprar, e os empreiteiros todos contentes, negócios com câmaras, terrenos, permutas, e os jovens a comprar, comprar, com crédito bonificado!!!! Foi o liberalismo? De certeza?Ok.
Eu acrescentei:
"A ideia de que a coisa (chamas-lhe sociedade?) falhou e agora somos precisos nós é fantástica, mas é a que usam todos os defensores do estado, como se o homem falhasse no mercado, mas não falhasse no Estado!" Não sei se percebo o que queres dizer mas, quanto a mim, a sociedade não falhou. O que foi um engano foi a ideia que o mercado era muito bom porque se auto-regularia e o Estado não tinha que interferir. Ora parece que queres comparar a bondade do mercado com a bondade do Estado. Como se a confiança democrática que deposito no segundo fosse extensível ao primeiro. A regulação existe para impedir que o indivíduo (que pretende o máximo lucro pelo menor esforço) submeta os outros ao seu interesse. Não se trata de comparar as falhas do Estado com as falhas do mercado. Eu sou pelo mercado livre e sem barreiras (acho sinceramente que o que não permite uma globalização justa são precisamente as barreiras que se criam aos mercados, muitas delas levantadas pelos países ditos liberais – lê o estudo que fiz e te enviei e percebes que, nessa perspectiva, sou um verdadeiro liberal). Mas também sou pelo Estado forte e interventivo na fiscalização das regras de mercado. Não um Estado que se substitua ao mercado mas um Estado que fiscalize e crie mecanismos que impeçam os abusos. Nesse mesmo estudo digo o mesmo e refiro as experiências terríveis com as economias dirigidas. Mas também sou crítico do Consenso de Washington e da virtude das privatizações (sobretudo dos sectores vitais nacionais).O fenómeno da globalização divide opiniões e tem alimentado um diálogo de surdos, tanto ao nível do debate interno dos países como no plano internacional. Porém o fim das perspectivas ideológicas tem criado condições para uma abordagem mais realista. As recentes crises financeiras já não envolvem este ou aquele País ou mesmo blocos deles, deixando outros de fora. As crises numa economia cada vez mais globalizada são crises globais. Daí que hoje já não faça sentido procurar respostas internas para um problema que é mundial. Aqui António Borges é criticável porque sabe bem que o que defende é demagógico.
"Os liberais defendem que se deve manter uma vigilância atenta sobre qualquer governo, que deve ser curto, para não abusar! Mesmo que seja em nome de ideias bonitas, impondo as ideias de iluminados aos outros! Como se estes fossem burros!" Pois eu acho que a democracia está acima de todas as coisas. A escolha é feita por pessoas que acreditam ou não nas ideias de iluminados como lhes chamas. E se elas forem um engano muda-se de iluminado. Mesmo que seja um liberal.
"Os liberais defendem que se deve manter uma vigilância atenta sobre qualquer governo, que deve ser curto, para não abusar! Mesmo que seja em nome de ideias bonitas, impondo as ideias de iluminados aos outros! Como se estes fossem burros!"Pois eu acho que a democracia está acima de todas as coisas. A escolha é feita por pessoas que acreditam ou não nas ideias de iluminados como lhes chamas. E se elas forem um engano muda-se de iluminado. Mesmo que seja um liberal.
"Não são os liberais que pretendem capturar o Estado dizendo que alguma coisa falhou! (o liberalismo? a regulação falhada é culpa do liberalismo? antes não houvesse, se houvesse verdadeira concorrência e regras claras, meu caro. a crise nos EUA aconteceu no sector mais regulado de que há memória, podes ter a certeza!"
Alan Greenspam discordaria de ti se te ouvisse. Ele admitiu que se enganou depois de defender que os abusos seriam impossíveis.Depois a virulência contra os Governos de Guterres e Sócrates tem alguma coisa a ver com o facto destes terem defendido que todos podiam acreditar numa vida melhor?Acho que dizer que quando se está endividado a culpa é dos governos é fazer do indivíduo pouco autodeterminado e incapaz. É mais sério dizer que as pessoas não estão preparadas para o crédito mas têm o direito de o ter disponível. O resto é pedagogia. Quanto ao endividamento externo, esse é estrutural, mas disso sabe melhor Carlos Santos.
O Angelo Ferreira escreveu a seguir:
Começo pelo fim - estrutural? Lamento, mas não há cátedra que permita afirmá-lo com rigor e isenção. Basta ouvir Medina Carreira, e não estou a fazer a apologia de tudo o que ele diz e como diz.Não é estrutural, é conjuntural! Estrutural é a nossa falta de concorrência, de separação entre poderes, a desgraça da Justiça, da regulação (não isenta -pergunto-te mais uma vez sobre o que aconteceu com ERSE e a proposta para aumentar preços de energia, para os colocar ao preço devido, que o governo não quis - isso é estrutural? Já para não falar da instrumentalização e pouca isenção da autoridade para a concorrência ou da autoridade para a comunicação social.
Falta de isenção dos reguladores não é o mesmo que falta de regulação - esse é um problema da análise tua, do Carlos Santos e de muitos outros, baseada em equívocos), a impunidade dos poderosos, a falta de ética.Alan Greespan concordaria comigo, tendo apenas usado outras expressões ou assumido que os excessos de "libertinagem" (diferentes de liberalismo, que subentende ética e justiça), promovidos pela conivência entre política e negócios deram mau resultado. Mas Alan Greenspan não é Deus, nem o pai do liberalismo. Cada um muda para religião que quer. Para mim, como não se trata de religião (ainda por cima as religiões políticas só podem dar dar para o torto), mas antes de defender a liberdade das pessoas contra abusos de poder, prefiro continuar a defendê-la, negando, isso sim, que os homens possam falhar no mercado, mas sejam deuses no Estado. Isso é que é perigoso! E já deu uvas, venenosas!
Acho alguma graça á tua afirmação da liberdade individual - com a a defesa da qual concordo em absoluto -, pois afinal és também um amante da liberdade, o que me deixa descansado.Mas há por aí muitos - toma cuidado - que advogam tanto o Estado e dele se aproveitam até à exaustão, renegando o tal do "liberalismo", sem sequer saber o que isso quer dizer! É a pobreza de espírito no seu esplendor. O pior é que também há outros que não são nada ingénuos, nem pobres, mas vivem à custa da existência destes, pedindo mais estado, sempre em favor dos pobres!Mal está mesmo o facto de os Estados (governos irresponsáveis) promoverem a ideia de que se pode gastar e ter, aliás, de que é mais importante ter do que ser, para depois assobiarem para o lado e dizerem que o problema é estrutural! Lamento, mas não é!
Os governos são responsáveis por dar sinais, que as pessoas interpretam (é a informação de que dispõem, e não que não estejam preparadas para o crédito), pela tal pedagogia, mas, mais do que isso, são responsáveis quando financiam o crédito, pior, quando recorrem exaustivamente a ele para as obras públicas sem controlo e para outros gastos. Ao mesmo tempo, impossibilitam a concorrência leal, do tal livre mercado, as regras (justiça caótica) e sinais claros do preço das coisas, enviesando os mercados, e depois vindo dizer que foi da falta de regulação!É que dá pena. Então porque não se liberalizam as rendas? Então porque não se liberalizam os mercados de energia, de telecomunicações, de farmácias? Tens resposta? É da falta de regulação ou da intervenção estatal? Um dia destes vão dizer-nos que sim, que é necessária mais uma regulaçãozinha para os medicamentos, para a energia, para as telecomunicações.Porque achas que alguns governantes, dos grandes aos pequeninos (autarcas), fomentam a construção civil e o cimento? É falta de regulação? É liberalismo? Quem tem controlado os PDM? E a construção de estradas e autoestradas e outras obras públicas, algumas sem sentido nenhum? Este é o país das rotundas, que também devem ser culpa do liberalismo, certamente!
A questão dos governos de Guterres, até mais do que Sócrates, diga-se, é menor nisto tudo, concordo. Mas é verdade que foram irresponsáveis e, este, continua a sê-lo. É que não se pode ser optimista quando tudo corre mal e muito mal, assim ao jeito da orquestra do Titanic, que continuava a tocar quando o barco afundava - pelo menos havia música, certo?E não vale a pena vir com essas panaceias de que não estamos a piorar tanto como Espanha, Irlanda ou outros. Eles cresceram triplos e darão a volta por cima mais depressa, porque são melhores, e nunca entrarão nas locuras que n´so facilmente adoptamos, porque a nossa classe política é geralmente fraca e sem soluções, pelo que se vira logo para a moda do momento, que agora é matar o tal culpado do "liberalismo" ou como alguns preferem do "noeliberalismo" - santa ignorância.
Aconselho-te a ler um texto do socialista Guilherme de Oliveira Martins, que trata de umas cartas com uma socialista francesa a propósito das boas ideias do pensamento liberal. É que não são contrárias a uma ideia de "esquerda" e de defesa dos mais desfavorecidos, antes pelo contrário. O liberalismo é a liberdade do homem para fazer escolhas e assim encontrar a sua felicidade e não a que alguém, iluminado, lhe quer impor! É a forma de manter controlada a intervenção nefasta do estado sobre as liberdades individuais, anteriores ao próprio estado! É a forma de criar riqueza e de promover a solidariedade voluntária, directa, em vez de uma que serve máquinas partidárias e de amigos. Etc, etc. É a liberdade criadora e responsabilizante, que não deixa acreditar que algum D. Sebastião (Estado ou governante) nos salvará, mas antes que temos de tomar em mãos os nossos destinos e fazer melhor, por nós, por todos! é o individualismo construtor e responsável, que é no interesse próprio e dos outros, e que tanto falta em Portugal - o que não é o mesmo que egoísmo!Já agora, desafio-te a comparar o índice de liberdade económica dos países com a lista dos mais ricos.Concordo contigo numa coisa, que percebo, a liberdade tem os seus riscos, que suplantam em ganho, no entanto, os perigos do controlo estatal!
O desafio está em garantir essa liberdade, com regras claras, deixando apenas ao Estado as suas funções de garantia da igualdade de oportunidades e o apoio social aos desvalidos, que a própria sociedade não consiga socorrer e integrar, o que seria de longe o mais desejável!Um abraço. Isto dá pano para mangas. mas não precisas de vir com o Carlos Santos, pois não reconheço às cátedras nenhuma superioridade moral. De saberes, ainda vá, sempre temos que aprender, mas não é ele nem único nem, certamente, apesar de todo o respeito, a melhor das referências.
Eu adiantei:
Ok. Eu com os meus exemplos e tu com os teus. O Medida Carreira não me parece promissor.
«Pois eu acho que a democracia está acima de todas as coisas. A escolha é feita por pessoas que acreditam ou não nas ideias de iluminados como lhes chamas. E se elas forem um engano muda-se de iluminado. Mesmo que seja um liberal.»
Se a democracia não tiver outros pesos e contrapesos que não apenas o voto, estamos muito mal. aliás, a democracia não outorga todos os direitos aos eleitos, meu caro, e esse tem sido um mal letal de grande maioria dos políticos! Desse mal padecemos todos. Quando somos eleitos senti-mo-nos poderosos, e por isso se diz que o poder corrompe, e corrompe mesmo, independentemente da tua bondade, que conheço, ou da minha, ou da de qualquer outro. Não é que a pessoa seja má, é o que dela pode fazer o ambiente! E outras coisas, como sabes. É fácil fazer desvios, mesmo sem dar por ela, convencidos de que temos a verdade, a verdade única, a verdade eleita! Nada pior!
Pode haver totalitarismo em democracia, sabias? as maiorias prestam-se a isso mesmo, se o Estado é grande, ainda pior é o mal resultante! Por isso é importante a defesa da liberdade e de um mínimo de Estado, sem capacidade de invadir aquilo que são direitos anteriores ao Estado!O mal do que dizes, que «a democracia está acima de todas as coisas" é um enviesamento promovido por gente ignorante em termos filosóficos básicos, a que não estamos alheios. Não é culpa tua nem revela nada da tua pessoa, apenas uma crença que te foi dada como boa e sagrada, mas que é perigosa e falsa!
No mercado, já agora, as decisões são tomadas todos os dias, a toda a hora, e assumes responsabilidade por isso! Na eleição, escolhes o que te dá mais jeito (que se danem os outros) ou não - admito que há quem pense nos outros -, mas não assumes a responsabilidade, nem os prejuízos, e a maior parte das vezes escolhes uma cor, um emblema, quando muito um candidato a 1.º ministro, isto é, escolhes o embrulho, mas não sabes o que vem lá dentro e só podes mudar passados 4 anos! Incrível este poder delegado num embrulho que tu sacralizas! E depois dizes que não sacralizas nada - cuidado!A liberdade sim, é sagrada, porque me permite escolhas, porque me permite (obriga) responsabilizar-me, por mim e pelos outros.Os teus argumentos de escolha dos iluminados são muito perigosos.
Como sabes, Hitler foi eleito!Quando os liberais (estou a falar das pessoas que amam a liberdade acima de qualquer totalitarismo, mesmo que seja do estado, mesmo que seja de uma maioria eleita) falam da degradação das instituições estão a defendê-las. Quando falam dos abusos do poder e do mercado político, estão a defender as pessoas, sobretudo os mais pobres, aqueles que podiam fazer escolhas mais livres e responsáveis, ficam reféns quando depositam nas mãos do estado que serve os interesses de abonados e compadres em seu nome.Diz-se que o voto é a arma do povo e diz-se também, com grande ironia e alguma razão, que, então, mais vale a pena não votar, sob pena de se ficar desarmado!
«Ok. Eu com os meus exemplos e tu com os teus. O Medida Carreira não me parece promissor.»Ok, aceito essa. mas não preciso do Medina Carreira. Os meus argumentos estão bem explicados.
«Não sou muito fixado em purismos conceptuais e portanto não trato sacro santamente conceitos como o de liberalismo. Senão também teria de morder a língua sempre que critico a bondade do comunismo.»
Aqui é que não te compreendo, a não ser que se trate do relativismo a que tantos nos têm condenado. Não coloques no mesmo prato coisas distintas. Os liberais não querem forçar nenhum resultado social, antes criar o ambiente mais propício à liberdade, à procura da felicidade individual (e colectiva, claro, mas como resultado de todas as pessoas felizes, e não como resultado da ideia do tal iluminado que sabe melhor do que eu ou tu o que é melhor para nós!), à criação de condições de real igualdade de oportunidades (sabes porquê? porque acreditam que os mais pobres são capazes! e não precisam que lhes dêem as coisas, aliás, como tu próprio devias acreditar!).
Já o comunismo é a construção de resultado pretendido, nem que para tal todos tenhamos que ser reduzidos à insignificância da igualdade forçada! Todos iguais na mediocridade, mas uns mais iguais do que outros, já dizia o outro "especial", o eleito ou não.Portanto, não se trata de morder a língua, mas antes de compreender as diferenças!O Estado não deve, para além do apoio sério aos mais necessitados, e.g. bolsas de estudo, dando-lhes iguais condições para progredirem, interferir com o resultado, decidindo que empresas merecem apoio, que produtos merecem ser vendidos ou promovidos, que ideias são boas ou más, que ciência é boa ou má, que pessoas merecem esta ou aquela felicidade (viciando os resultados).
Deixa-me só dizer-te que aceito a regulação, desde que seja para estabelecer regras claras e reforçar códigos de ética e justiça. E aceito que se falhou na regulação, sobretudo onde ela existia!nota adicional:Quando pensas em mercado, no que pensas? Pensa num mercado da tua terra - o que achas que acontece ali? Há a autoregulação que deixam existir. Procuras um produto, tens múltiplas ofertas, múltiplos preços e qualidades, escolhes, dás sinais que mandam no preço, os vendedores procuram fazer melhor, os produtores igual, as regras são claras, não há acertos de preços entre os diversos vendedores, não há concentração, há concorrência, todos são livres e têm acesso a um tribunal e segurança, porque há um fundo para o qual todos contribuem para sustentar as condições para que todos sejam livres e procurem o melhor para si, fazendo bem as coisas, dando o seu melhor, o que faz com que também sejam bons para os outros.
Claro que, depois disto, há nuances, esse fundo cresce para sustentar outras coisas (em nome dos mais pobres), o que até pode ser aceitável, mas tens muitos perigos! Por isso, é determinante que o fundo nunca seja excessivo. E que as pessoas que não precisam não vivam dele! E que os apoios aos mais necessitados não lhes retirem a liberdade sob paternalismo de iluminados, nem que tenham sido eleitos, meu caro, nem que tenham sido eleitos. O abuso do poder dos eleitos é que tem levado à desgraça e deterioração da democracia, sistema que, para não deixar duvidas (não vá o diabo tecê-las), eu defendo!
«Ora parece que queres comparar a bondade do mercado com a bondade do Estado. Como se a confiança democrática que deposito no segundo fosse extensível ao primeiro.»
A bondade do mercado está no que já te disse: escolha livre e responsabilidade.A bondade do Estado - foi por isso que ele surgiu - está na defesa das pessoas contra agressões externas e internas! Desde logo, e acima de tudo, de direitos fundamentais!Não te esqueças disto, porque pode ser que um dia voltes a precisar de o recordar.Mesmo em democracia, volto a dizer-to, um governo, eleito por uma maioria (que agora são o quê, 20% dos eleitores?), comete muitos atentados contra direitos fundamentais das pessoas, sobretudo das minorias! Ou de certas minorias, ou de muitas minorias diferentes entre si! Isso não é bom, sobretudo quando pouco muda de 4 em 4 anos, porque escolhes apenas a embalagem!Eu não sou defensor do mercado como coisa única, mas de um equilíbrio entre mercado estado e terceiro sector, de que ainda não falámos, mas podemos falar.
«Mas também sou pelo Estado forte e interventivo na fiscalização das regras de mercado. Não um Estado que se substitua ao mercado mas um Estado que fiscalize e crie mecanismos que impeçam os abusos. Nesse mesmo estudo digo o mesmo e refiro as experiências terríveis com as economias dirigidas. Mas também sou crítico do Consenso de Washington e da virtude das privatizações (sobretudo dos sectores vitais nacionais).» ~
Isso sei eu, que te conheço e sei que estás acima do que estou a criticar! O problema é que muito se vai dizendo de equívocos, justificando a tal intervenção do estado na economia , e não só, até fartar!Só discordo, ou não entendo, essa coisa das privatizações de sectores vitais nacionais.
O Angelo Ferreira contestou:
O teu texto encerra erros graves de análise e deturpações do que eu digo. Não fui paternalista. Sou directo no que te digo. mas não vou em relativismos ou generalidades, apesar de termos de fazer algumas abstracções. Talvez não se trate apenas de discordância ou interpretações - relativizar é complicado.
São argumentos claros, inequívocos. Façamos um esforço para não relativizar, pois é o mais fácil, atirando ideias soltas para cima da fogueira. Teria sido melhor este texto de resposta com as partes do meu texto, ou com a publicação também do meu texto, ou textos, com a mesma dignidade, em vez de ficarem na caixa de comentários. De tal modo não sou paternalista contigo, que foi sempre assim que procedi com os teus textos, porque te considero inteligente e discuto tendo-te no mesmo patamar do que eu, com grande amizade e respeito. Mas sem facilitismos e com a dureza que me é habitual com amigos e pessoas que respeito e considero - os outros não lhes ligo, nem respondo, nem provoco.
na tua resposta há alguma demagogia e enviesamento, não intencional, decorrente de uma malformação de análise que é habitual em Portugal, o grande erro da esquerda e da direita. cá, de facto, não gostamos de liberdade. E estamos sempre dispostos a trocá-la pela promessa de um pouco de pão. não esqueças esta frase, que não é minha.
Não podes comparar comunismo com liberalismo como fizeste, com a tua expressão "teria de morder a língua". Não terias, porque são coisas muito distintas. Quiseste dizer que um e outro, apesar dos bons sentimentos, tinham as mesmas ou semelhantes enfermidades, davam em resultados semelhantes, mas não, mas não (já dizia o antigo).
O liberalismo (como corrente de pensamento político e filosófico, e não com a capa deformada, que uns e outros, mais ignorantes, mais esclarecidos, lhe colocam, chamando-lhe até nomes pomposos - poderei explicar) não subentende, para atingir um determinado resultado pretendido, resultado social ou outro, um leque de valores e de actuações que tornem imprescindível a subjugação da pessoa em prol do colectivo. este é que é o ponto em que, talvez, tenha pena de poder, de facto, haver divergência entre nós.
Não acredito nisso, mas nunca se sabe. Se existir, será por deformação profissional ou partidária. E é em todos os partidos, infelizmente. E tende para o totalitarismo, lamentavelmente, ainda que possa nunca lá chegar (mas já chegou várias vezes na história).É que ser liberal é respeitar a liberdade, não subjugar, não limitar a liberdade dos outros porque achamos que sabemos melhor do que ele o que é melhor para ele e por aí adiante... no liberalismo não há subjugação. Há a procura das melhores condições para que o homem possa realizar-se. A ética é muito mais do que dizes. Não é apenas um parágrafo no dicionário, uma página num livro de filosofia, é tudo! Porque tudo engloba.
Dar-te-ei uma resposta mais adequada e que tu mereces. Mas taco-a-taco, exibindo os vários textos.E obrigado pela atenção que me dás. Espero aprender contigo. Mas não te farei a vida fácil (sem presunção), porque gosto de ti e te considero.Abraço.
explicarei melhor, mas apenas o estado deve exercer coerção para evitar coerção, isto é, impedir que se faça mal aos outros, o que exige uma interpretação muito lata para justificar o que o grande Estado faz em "prol" dos pobres. Que serve apenas os ricos. Complicado?
Não.Já agora, a equidade o que é? e não confunda caridade com solidariedade voluntária. Sempre existiu grande solidariedade, mesmo num país de fraca sociedade civil como Portugal (um país de cordeiros, um estado de lobos), basta ver o que fez o Conde Ferreira ou o Calouste Gulbenkian, entre outros.Mas digo-te já que aceito o apoio do Estado aos mais necessitados, aliás, como te disse já no que escrevei.Com tempo, dar-te-ei resposta mais organizada.
Vou deixar aqui mais esta nota, que sublinha um equívoco: individualismo não é o mesmo que egoísmo. os ingleses usam a feliz expressão self interest (interesse próprio, que subentende o interesse dos outros, correcto?, que é diferente de selfish. Só cá tudo deu igual!nós precisamos de mais indivualismo, no sentido de lutar pelo interesse próprio. eu sempre lutei pelo meu interesse próprio, mesmo quando dei o meu corpo pelos outros! Os que dizem o contrário...
Quanto a mim deveríamos passar ao desafio que foi feito relativo ao equilibrio entre mercado, Estado e terceiro sector. Não adianta discutir sobre palavras.
Mas respeitando os tempos de cada um já que estamos ambos "enterrados" em trabalho.