Sexta-feira

Um comício, uma sessão, uma apresentação e uma feira

Primeiro a sessão. A 28 de Maio, na Sala de Professores da Universidade de Évora. Poucos professores. Discutiu-se o eixo 4 do Plano Estratégico de Évora 2020. Convidei o Frederico Lucas, dos Novos Povoadores, que acabou por levantar as questões mais interessantes do debate.
Desta vez houve silêncio absoluto do PCP. Pior, absoluta ausência do candidato do PCP e a presença breve da Vereadora Grácio.
A seguir um comício interessante com Vital Moreira, que mostrou também saber debitar uns soundbytes a marcar a campanha de hoje. Está cada vez mais à vontade. Capoulas Santos foi o mais duro nas críticas à oposição. Muitos jovens na sala.
Hoje, logo pela manhã, a apresentação à comunicação social do projecto Novos Povoadores. Eu bem sei o que procuram as pessoas que pretendem mudar a sua família para Évora. Está lá fora, na harmonia do branco dos edifícios com o céu absolutamente azul. Vejo-o da janela.
E daqui a pouco a inauguração da Feira do Livro de Évora. Não há tempo para mais comentários.

Quarta-feira

Évora, Município Competitivo com Identidade

Decorreu ontem a 3.ª Sessão de apresentação do Plano Estratégico de Évora 2020.
Falou-se de competitividade e criatividade.
Pela enésima vez ouvi falar em eborenses nascidos e os outros que são de fora. Desta vez quem o referiu foi José Russo, membro da Assembleia Municipal do PCP.
O Professor Paulo Silva surpreende-se com o facto de ouvir queixas de se estar a dar demasiada importância ao turismo quando a cidade nao tem hoteis de média gama.
Paulo Neto diz que o Gabinete da cidade de 1994 nao foi uma parceria estável e que o plano de então não foi bem sucedido.
Ouvimos ainda Carmelo Aires, ex-vereador da Câmara de Évora, dizer que o Plano de 1994 foi uma perda de tempo e que as instituições da altura foram ineficazes na sua implementação. Considerou que a pilotagem do plano pela Câmara é uma estratégia mais acertada que a de 1994.
O Professor Adel Sidarus, candidato do Bloco de Esquerda, refere que não encontra ruralidade no plano. O Professor Paulo Neto referiu por sua vez que a ruralidade está na paisagem e que esta é central na estratégia de promoção da qualidade de vida.
A palavra chave da sessão foi a de Cooperação. Só com uma parceira alargada e um pacto para a cidade vai ser possível implementar o ambicioso plano estratégico.
O candidato da CDU lá esteve, uma vez mais sem dizer palavra. Talvez a guarde para as suas crónicas semanais. É esse o seu conceito de participação e diálogo que tanto diz ser necessário no trato com as pessoas.

Socialismo e igualdade mais ou menos

Terça-feira

O Plano de Pormenor dos Leões

Julgo que a Cidade recebe como boa notícia a aprovação do Estudo Prévio do Plano de Pormenor dos Leões na última reunião da Câmara de Évora.

O facto da Cidade de Évora possuir um núcleo central constituído pelo seu Centro Histórico que está rodeado por um conjunto de bairros e que entre este centro e as periferias existem algumas descontinuidades ou espaços em branco explicam a importância desta aprovação.

A primeira cintura à volta do Centro Histórico, que é constituída pela chamada “Zona de Urbanização n.º 1, pelo Bairro da Vista Alegre e pela Horta da Cerca tem uma boa relação com a cidade intramuros em termos de contiguidade do tecido urbano, complementa o CH com algumas das funções que possui e, morfologicamente, está bem integrada.

O alargamento do perímetro urbano efectuado no pós 25 de Abril, que pretendeu integrar na cidade os bairros que cresciam descontroladamente acabou por favorecer o aparecimento de bairros compactos mas descontinuados e fechados sobre si mesmos. Por isso é habitual ouvir das pessoas que moram em bairros como o do Bacelo quando vão ao Centro Histórico dizer que vão à Cidade.

Para que seja possível uma completa ligação do lado norte da Cidade ao Centro Histórico, integrando na estrutura urbana os bairros que aí se encontram, e possibilitando o seu contributo para a revitalização da zona antiga da Cidade, foi criado o Plano dos Leões, cujo Estudo Prévio foi agora aprovado. Em termos gerais o Plano dos Leões vem permitir a articulação e a integração dos bairros envolventes na estrutura urbana do núcleo central da cidade.

Embora já não sendo um problema o que é certo é que ao longo dos últimos anos o PCP criou todo o tipo de obstáculos tanto ao novo PDM como ao Plano de Pormenor dos Leões, apenas porque estes planos representam uma concepção de cidade que não é a sua. E o sectarismo atrasa como sabemos.

Apesar de todas as dificuldades e obstáculos o executivo socialista da Câmara, com o voto favorável do PSD, conseguiu fazer aprovar este instrumento de gestão importante. O que prova que é muito difícil governar uma Câmara onde a oposição, somando os vereadores do PCP e do PSD, está em maioria em relação ao executivo. Por isso é natural que José Ernesto d’Oliveira, na apresentação da sua recandidatura, tenha pedido aos eborenses que lhe dêem uma maioria absoluta.

Este momento é importante para a vida da Cidade. Acredito que com a aprovação deste plano se dá um passo enorme de modernização.
Este texto é crónica gravada na Rádio Diana

Domingo

De volta ao País


Quem visita Veneza sabe que não é fácil adjectivá-la. Ainda menos se não se quiser cair no cliché.

Assim, fica para nós.

Mas enquanto estive fora Sócrates foi vaiado por rapaziada contestatária (afinal são só jovens irreverentes a dizer imbecilidades) e Marinho Pinto resolveu um problema de higiene que temos com o jornalismo de Manuela Moura Guedes (talvez se tenha aberto um saudável precedente).

Que bela Veneza.

Quinta-feira

Finda a segunda sessão do Plano Estratégico de Évora 2020

Hoje foi apresentado o eixo dois do Plano Estratégico de Évora 2020.
Polémica só mesmo a hipótese de retorno ao uso de técnicas e materiais de construção tradicional.
Notou-se, pela segunda vez, uma ausência dos vereadores do PCP, com a excepção da vereadora Jesuína Pedreira. Uma vez mais o candidato à Câmara pelos comunistas entrou mudo e saiu calado. Ideias e argumentos, só no conforto de uma crónica de rádio, quando não há contraditório.

2.ª Sessão - Évora, Território Sustentável e Multifuncional com Qualidade de Vida

Hoje, no salão Nobre dos Paços do Concelho, às 18.00 horas, a segunda sessão pública de apresentação do Plano Estratégico de Évora.
Apesar da promoção que se fez do Plano, seja por via da apresentação pública em reunião de Câmara, seja em mupis, seja nos tradicionais orgãos de comunicação social ou na net, ainda há quem se desculpe com a falta de informação.
É o caso do candidato do PCP.
Das duas três, ou há falta de articulação entre os vereadores do PCP na CME e o candidato. Ou deliberadamente não transmitem a informação uns aos outros, ou então trata-se mesmo de preguiça em estudar e, para justificar o silêncio, dizer-se que não se conhece o tema.
Pode ser que hoje o candidato do PCP já tenha tido tempo para ler alguma coisa e possa então falar do assunto, em vez de ficar calado como o fez da última vez. E já agora pode ser que seja suficientemente sério para que explique a sua tese de que o Plano Estratégico de 1994 falhou porque José Ernesto d'Oliveira se tornou Presidente da CCDR em 1997.
Ou então o candidato do PCP prova mesmo que só anda cá por andar e vai passar mais uma sessão sem que nos diga afinal que ideia tem ele para a Cidade. Hoje já não se pode desculpar que não sabia.

O João C, já se sabe, é um homem extraordinário

Começo por avisá-lo assim que entro em casa: vem aí a burocracia.
Diz-me ele: então vamos precisar de aguardente.
Uma hora no notário estranhamente ligeira com as histórias do homem.
Diz-me que a 28 de Maio não faz nada. E pergunta-me se sei porquê.
Porque a 28 de Maio de 1926 o País sofreu o golpe que pôs termo à 1.ª República. A seguir os infindáveis anos de Salazar.
Nesse dia não faço nada, repetiu.
Terminamos com a minha preocupação: para além de um filho falta-me fazer qualquer coisa que me impeça de ser um anónimo. Diz-me ele: todos os homens extraordinários foram anónimos.
Deixo-o em casa com um até depois.

Quarta-feira

Terça-feira

O Quatro

Teste do windows live writer

O Quatro

Fazer-se ouvir


Estamos em ano de campanha eleitoral. Mais do que fazer promessas é preciso dizer a verdade.

A frase anterior, mesmo sendo já um lugar comum e arma de arremesso entre candidatos, não deixa de fazer sentido.

A propósito das recentes declarações do candidato do PCP à autarquia eborense. Num encontro com uma dezena de pessoas, que denota a falta de mobilização dos eborenses, porventura desinteressados de ouvir quem diz representar uma mudança, mas que governou a cidade durante 25 anos, o candidato do PCP falou em carências educativas no Concelho e num parque escolar degradado (sic).


Eu compreendo que o candidato do PCP esteja sob pressão e precise de afinar um discurso de mudança que crie uma onda de apoio à sua candidatura.
Eu compreendo que o candidato tema que a sua candidatura seja para cumprir calendário e esteja a fazer um esforço para salvar a face.


Eu compreendo que o candidato sinta dificuldades em gerir uma candidatura que pouco depende dele e mas mais da ala mais radical do PCP que detém o poder desde o afastamento de Andrade Santos, o que não compagina com discursos moderados.


Eu até aceito que o candidato se debata com a circunstância de não ser conhecido das pessoas e sinta que tem de berrar para ser ouvido.


Mas nenhuma das suas dificuldades justifica que o candidato diga uma enormidade como a que disse em relação ao parque escolar de Évora. Podia tê-lo feito em 2001. Não em 2009.


O investimento feito em educação desde 2002 pelo executivo de José Ernesto d'Oliveira é de cerca de quatro milhões de euros. Nele se integram as obras de recuperação e modernização das escolas e cantinas escolares. Em rigor o actual executivo investiu em média anualmente três vezes mais do que o PCP nos seus dois últimos mandatos.


Sem falar das verbas destinadas à construção do novo centro escolar do Bacelo, nas obras de requalificação da escola André de Resende e da escola dos Canaviais, que, apesar de vítima de um processo burocrático, apoiado pelo mesmo PCP, ainda não saiu do papel. Mas, estou convicto, há-de estar por dias.


Por isso não me parece sério querer por força que uma fantasia repetida mil vezes se transforme em realidade. É preciso elevar o debate político.

Segunda-feira

1.ª Sessão Pública - Plano Estratégico de Évora

Évora, Património da Humanidade, Espaço das Artes e da Cultura, é o primeiro eixo do Plano Estratégico de Évora e decorre hoje, às 18 horas, na Biblioteca Pública de Évora.

Uma exposição


Dá-se início à extraordinária viagem entre a Inglaterra e os Estados Unidos sabendo que muitos não chegarão ao destino. Na entrada cada um de nós recebe aleatoriamente um cartão de embarque, réplica dos que foram entregues aos passageiros do Titanic, a 10 de Abril de 1912.


Com excepção dos malogrados mais ilustres (o caso de Benjamin Guggenheim) nenhum de nós sabe se vai ou não sobreviver. Calha-me o bilhete de embarque do Coronel John Jacob Astor IV, 47 anos, nascido em Nova Iorque, que se fazia acompanhar pela jovem esposa Madeleine Talmadge Force Astor, os empregados Rosalie Bidois, Caroline Endres e Victor Robbins e Kitty, o seu cão Airedale.


Leio que o Coronel Astor era o homem mais rico a bordo do Titanic e que a sua fortuna estava estimada em 100 milhões de dólares (mais de 1.7 bilhões de dólares de 2006) e que voltava com a sua esposa da lua-de-mel. Madeleine ia grávida.


Somo inicialmente lembrados que os restos do transatlântico ainda jazem no fundo do mar e que nada deles restará dentro de poucos anos. Mesmo o espólio que vamos ver tem a sua existência limitada temporalmente.


Ao longo de três pisos viajamos pela primeira, segunda e terceira classe. Cada um dos pisos com os seus sons específicos. No primeiro música da banda da primeira classe, daí para baixo sons de pessoas, de máquinas e abissais.


O recurso a multimédia é bem feito.


Vemos de perto restos de bens pessoais das vítimas, desde molas, jóias, ferramentas profissionais (uma interessante peça em couro com mostras de perfume de um sobrevivente que contava vendê-las na América) a peças de roupa. E sempre uma história acerca do proprietário, o que ali o levou e que expectativas lhe trazia os Estados Unidos. Não faltam as louças e garrafas do Titanic (uma garrafa ainda fechada com champanhe) e restos de metal retorcido como as escotilhas ou um relógio parado na hora do afundamento (21.12), que pertencia à ponte.


Ao longo da exposição a descrição e as imagens do luxo do barco, mesmo para as classes mais pobres que viajavam em terceira classe, quando comparadas com os outros barcos da época.


No fim uma lista de nomes. Nela constam três portugueses.

Sexta-feira

Para os que gostam de "malhar" no Cavaco

Paulo Ferreira sumariza os resultados imediatos da visita de Cavaco Silva à Turquia.

Para os que gostam de "malhar" no Magalhães


Os críticos do Magalhães (uns porque não chega, outros porque é demais) deviam fazer um clube que, talvez, acabasse por internacionalizar-se.
O Magalhães, essa pandemia, chega a todo o lado.
Nós e a nossa mania de espalhar a asneira pelo mundo.

Quinta-feira

O debate em Évora

Vital Moreira é um homem simples e genuíno. Isso não faz dele menos intelectual. E é um homem livre.

Quarta-feira

Procedimental

O PCP deixou de fazer política. Ideias novas, nada. Alternativas, nada. Mas quanto aos procedimentos, já é outra conversa. Quando é para obstaculizar nada como transformarmo-nos em burocratas.O PCP é campeão na retirada de pontos na ordem de trabalhos. E assim se vai adiando a cidade.

O Prémio Nobel

De Fernando Santos, Almeida Amaral e Leitão de Barros, com adaptação e encenação de José Saloio. Na Sociedade Recreativa e Dramática Eborense, dias 13, 14, 15, 19, 20 e 21 às 21h30.
Dias 16 e 23 (matiné) às 15 horas.

Terça-feira

Amanhã em Évora

Vital Moreira, Capoulas Santos e Carlos Zorrinho na segunda iniciativa em Évora, para discutir a Europa. Amanhã, no Hotel Mar D'Ar Aqueduto, às 21.30.

Segunda-feira

Nós, Europeus

Ontem tivemos em Évora Ana Gomes que, com Carlos Zorrinho, debateu a Europa.
Ana Gomes reconheceu que se deu um retrocesso na Europa social nos úlimos anos e que a responsabilidade é da maioria de direita. Para um novo paradigma só uma maioria de esquerda, defendeu.
Dos 27 países da União, 19 são de direita. Isso acaba por ter importância no rumo que a Europa escolheu nos últimos anos, acrescentou.

Plano Estratégico de Évora - Sessões Públicas de debate

18 Maio (segunda-feira)
Tema: Évora, Património da Humanidade, Espaço das Artes e da Cultura
Local: Biblioteca Pública de Évora
Hora: 18h

21 Maio (quinta-feira)
Tema: Évora, Património Sustentável e Multifuncional com Qualidade de Vida
Local: Salão Nobre (Paços do Concelho)
Hora: 18h

26 Maio (terça-feira)
Tema: Évora, Município Competitivo com Identidade
Local: Salão Nobre do Teatro Garcia de Resende
Hora: 18h

28 Maio (quinta-feira)
Tema: Évora, Elo de Redes de Conhecimento e Criatividade
Local: Universidade de Évora - Colégio do Espírito Santo
Hora: 18h

2 Junho (terça-feira)
Tema: Évora, Vitalidade Económica num Território sem Fronteiras
Local: NERE (Núcleo Empresarial da Região do Alentejo)
Hora: 18h

Évora como Cidade do Mundo

As pessoas vêm as suas cidades crescer sem que tenham consciência do seu contributo para esse crescimento. A grande maioria de nós tampouco compreende como crescem as cidades ou o que dita o caminho que cada uma delas toma, o que faz delas mais belas ou mais caóticas, mais competitivas ou decadentes, mais harmoniosas ou contrastantes.

Contudo qualquer um de nós identifica facilmente os traços distintivos de cada uma delas. Identificamos o resultado de séculos de respeito com a sua história e da harmonia com a modernidade, como acontece por exemplo com a nossa. Identificamos o crescimento desenfreado das megapólis, algumas tão grandes como Países, das que cresceram como dormitórios ou das que viram a sua vida desaparecer com determinada actividade comercial que justificou o seu nascimento, ou porque se cristalizaram na nostalgia de querer ficar paradas no tempo.

As cidades sempre competiram entre si não só por instinto de sobrevivência de comunidade mas para se tornarem mais fortes, competitivas e, muitas vezes, hegemónicas. O grande objectivo é o de atrair investimentos, empregos, pessoas e riqueza. Hoje a concorrência é muito forte e feita à escala globo. As deslocalizações de grandes empresas de um País para o outro são frequentes e muitas ditam o equilíbrio e até a sobrevivência ou o fim das próprias cidades.

Grande parte delas pretende atrair investimento a qualquer custo, outras, por possuírem características extraordinárias, podem escolher que tipo de investimentos ou que tipo de crescimento querem para si. Por isso o crescimento em determinados locais é tão planeado enquanto noutros decorre quase espontaneamente e sem ordem, pelos menos aparentemente.

Cidades como a nossa, olhadas como um todo que integra o seu rico mundo rural, possuem ferramentas de gestão e um planeamento estratégico que definem as políticas municipais de desenvolvimento.

Recentemente foi apresentado publicamente o Plano de Desenvolvimento Estratégico de Évora, encomendado pela própria Câmara à Universidade de Évora, que ganhou o concurso para o efeito e que, construído em estreita ligação com os diferentes agentes da cidade, estabelece uma visão de como Évora deve ser em 2020.

O Professor Paulo Neto, coordenador da equipa que elaborou o plano, declarou que se trata de um instrumento orientador da estratégia de desenvolvimento para Évora que procura compatibilizar instrumentos e políticas de intervenção, tendo em conta as orientações estratégicas de desenvolvimento no contexto comunitário e regional, que são as prioridades para o crescimento e para o emprego (a qualificação das pessoas, o crescimento sustentado, a coesão social, a qualificação do território e a eficiência da governação, expressos nas prioridades estratégicas do QREN), e as orientações estratégicas municipais que procuram o reposicionamento do concelho face à sua envolvente, o robustecimento da base económica local, maior investimento na qualidade de vida das pessoas e desenvolvimento equilibrado.

O plano possui cinco eixos, cada um deles com as suas prioridades estratégicas. O primeiro define a promoção de Évora como referência nacional na história, na cultura e no lazer, a valorização do património na redescoberta da cidade, na promoção de uma Évora enquanto cidade das artes e dos artistas e como núcleo de indústrias criativas e da cultura.

O segundo eixo aposta em Évora como território de uso equilibrado de recursos, na qualidade de vida como um dos pilares da intervenção territorial de melhoria da sustentabilidade, na promoção da atractividade da nossa cidade, tirando partido da melhoria dos acessos, da qualidade ambiental e da garantia de serviços adequados. Na requalificação e revitalização do centro histórico e no ordenamento equilibrado da cidade com as suas envolventes e na valorização dos produtos regionais de excelência.

O terceiro eixo promove a criação de condições que potenciem o empreendedorismo e a inovação, a imagem e o potencial da região, com base nas características que a identificam e que posicionam o concelho como destino turístico mundial e aposta na densidade empresarial e na capacidade de associação e de cooperação entre as empresas.

O quarto eixo assenta numa cidade de conhecimento e criatividade, com forte predomínio das tecnologias da informação, com capacidades reforçadas na área da educação, da formação profissional e da formação avançada e reforça a base científica e tecnológica regional.

O último eixo do plano assenta no reforço da vitalidade económica do concelho, na promoção de serviços de turismo de valor acrescentado e de produtos e serviços locais num mercado sem fronteiras, defendendo um reforço dos nossos níveis de abertura ao mundo e assumido o nosso carácter de cidade universal e universitária.

Ora este não é um plano para executar em 2020. É um plano que se dará por concluído em 2020. Apoiado no que são orientações estratégicas de desenvolvimento no contexto comunitário e regional e nas orientações estratégicas municipais, o plano aponta o que deve ser prioridade para que cheguemos a 2020 nas condições que merecemos.

Quem constrói as cidades são as pessoas. Por isso, tal como já aconteceu com o debate do Plano Director Municipal, o Plano de Desenvolvimento Estratégico vai ser submetido a debate público, por via de cinco sessões públicas. Mas esse debate estender-se-á aos jornais, à blogosfera, às rádios e as conversas e discussões que temos uns com os outros.

Num ano particularmente difícil para muitos, de onde se espera respostas responsáveis dos políticos, não serão juízos de valor de uns sobre os outros, intriga, maledicência, aventura, negativismo ou insultos que nos farão progredir.
Serão as ideias e a capacidade para as colocar em prática, reforçando a ideia de Évora como cidade do mundo.

Sexta-feira

Um indignado do 1.º de Maio

Recebida por e-mail

Um debate

Com a dignidade devida.
Começou com um post meu e o uso crítico do conceito liberal.
Resultou na declaração discordante do Angelo Ferreira que escreveu:
Isso não é credível. E, desculpa lá, mas não foi o liberalismo que levou a esta crise, mas antes governos que incentivaram consumo privado e público acima das posses, da riqueza existente, recorrendo ao crédito. E incentivaram sem controle e sem responsabilidade a procura de crédito para financiar a construção e os seus amigos construtores! Cuidado, isso de usar a palavra "liberalismo" em vão tem muito que se lhe diga!Não estou a dizer que não deva haver regras claras, Justiça, e instrumentos diversos que garantam a livre concorrência, mas honesta. Agora a coisa das economias comandadas já foi chão que deu uvas!Nós precisamos ainda de muito liberalismo em muitas áreas, meu caro primo. Em muitas, onde o Estado nos mata!Olha lá, como é que isto é culpa do liberalismo num país em que o Estado absorve mais de 50% da riqueza produzida? Abraço!
Eu retorqui:
Desculpa meu caro mas falava-se da última previsão da Comissão Europeia, num contexto de economia global. Não confundas. Isso foi o que tentou fazer Borges e é o que tenta o PSD ao querer colocar em planos distintos a economia nacional e a economia mundial. Não sou muito fixado em purismos conceptuais e portanto não trato sacro santamente conceitos como o de liberalismo. Senão também teria de morder a língua sempre que critico a bondade do comunismo.O que gerou esta crise não foi demasiado Estado. Isso sim é que não é credível. Que demasiado Estado existe nos EUA? Ou pelo menos existia na era Bush? Liberalismo, para mim, é mercado livre, sem barreiras e, diz o tempo, auto-regulado. Auto-regulado uma ova. Foi isso que quis dizer. Lamento se não fui tão explícito.
E acrescentei:
"governos que incentivaram consumo privado e público acima das posses, da riqueza existente, recorrendo ao crédito. E incentivaram sem controle e sem responsabilidade a procura de crédito para financiar a construção e os seus amigos construtores!"Esta parte do teu comentário não a percebi.
Ele continuou:
Foi precisamente o que aconteceu no tão liberal país chamado EUA. E é muito o que acontece por cá. Aliás, a ideia de que a coisa (chamas-lhe sociedade?) falhou e agora somos precisos nós é fantástica, mas é a que usam todos os defensores do estado, como se o homem falhasse no mercado, mas não falhasse no Estado! Isso é realmente assim, mas não são os liberais que são assim, pois estes (à moda antiga) defendem o estado diminuto, a não promiscuidade entre negócios e política (que exitiu por exemplo no governo Sócrates em muitas dimensões, como aquela coisa com a ERSE, recordas-te? é desta regulação que se tem feito o mercado, por isso tem sido o que tem sido!). Os liberais defendem que se deve manter uma vigilância atenta sobre qualquer governo, que deve ser curto, para não abusar! Mesmo que seja em nome de ideias bonitas, impondo as ideias de iluminados aos outros! Como se estes fossem burros!Não são os liberais que pretendem capturar o Estado dizendo que alguma coisa falhou! (o liberalismo? a regulação falhada é culpa do liberalismo? antes não houvesse, se houvesse verdadeira concorrência e regras claras, meu caro. a crise nos EUA aconteceu no sector mais regulado de que há memória, podes ter a certeza! Se a regulação também é culpa dos liberais, como a que a ERSE nunca fez, então eu vou ali e já venho!)Sabes que foram os Estados através dos Bancos Centrais (na Europa o BCE) que deram dinheiro quase de borla, estimulando o crédito fácil e as loucuras que vieram por acréscimo.Muito do que dizes estar mal não é mais do que publicidade enganosa, como a que os bancos fizeram à tripa forra. Isso é regulação? Onde esteve a regulação? A Justiça? Isso é culpa de quem?Mas foi também o governo de Guterres e de Sócrates que estimularam o consumo acima das posses, escondendo a crise e das dificuldades. Fizeram-no eles próprios. Já viste como estamos endividados?Já viste que nunca se liberalizou o arrendamento e no que isso deu? Rendas paralisadas, ninguém a querer alugar, nem a poder fazer obras de melhoramentos nos edifícios, e as pessoas a terem de comprar, comprar, e os empreiteiros todos contentes, negócios com câmaras, terrenos, permutas, e os jovens a comprar, comprar, com crédito bonificado!!!! Foi o liberalismo? De certeza?Ok.
Eu acrescentei:
"A ideia de que a coisa (chamas-lhe sociedade?) falhou e agora somos precisos nós é fantástica, mas é a que usam todos os defensores do estado, como se o homem falhasse no mercado, mas não falhasse no Estado!" Não sei se percebo o que queres dizer mas, quanto a mim, a sociedade não falhou. O que foi um engano foi a ideia que o mercado era muito bom porque se auto-regularia e o Estado não tinha que interferir. Ora parece que queres comparar a bondade do mercado com a bondade do Estado. Como se a confiança democrática que deposito no segundo fosse extensível ao primeiro. A regulação existe para impedir que o indivíduo (que pretende o máximo lucro pelo menor esforço) submeta os outros ao seu interesse. Não se trata de comparar as falhas do Estado com as falhas do mercado. Eu sou pelo mercado livre e sem barreiras (acho sinceramente que o que não permite uma globalização justa são precisamente as barreiras que se criam aos mercados, muitas delas levantadas pelos países ditos liberais – lê o estudo que fiz e te enviei e percebes que, nessa perspectiva, sou um verdadeiro liberal). Mas também sou pelo Estado forte e interventivo na fiscalização das regras de mercado. Não um Estado que se substitua ao mercado mas um Estado que fiscalize e crie mecanismos que impeçam os abusos. Nesse mesmo estudo digo o mesmo e refiro as experiências terríveis com as economias dirigidas. Mas também sou crítico do Consenso de Washington e da virtude das privatizações (sobretudo dos sectores vitais nacionais).O fenómeno da globalização divide opiniões e tem alimentado um diálogo de surdos, tanto ao nível do debate interno dos países como no plano internacional. Porém o fim das perspectivas ideológicas tem criado condições para uma abordagem mais realista. As recentes crises financeiras já não envolvem este ou aquele País ou mesmo blocos deles, deixando outros de fora. As crises numa economia cada vez mais globalizada são crises globais. Daí que hoje já não faça sentido procurar respostas internas para um problema que é mundial. Aqui António Borges é criticável porque sabe bem que o que defende é demagógico.
"Os liberais defendem que se deve manter uma vigilância atenta sobre qualquer governo, que deve ser curto, para não abusar! Mesmo que seja em nome de ideias bonitas, impondo as ideias de iluminados aos outros! Como se estes fossem burros!" Pois eu acho que a democracia está acima de todas as coisas. A escolha é feita por pessoas que acreditam ou não nas ideias de iluminados como lhes chamas. E se elas forem um engano muda-se de iluminado. Mesmo que seja um liberal.
"Os liberais defendem que se deve manter uma vigilância atenta sobre qualquer governo, que deve ser curto, para não abusar! Mesmo que seja em nome de ideias bonitas, impondo as ideias de iluminados aos outros! Como se estes fossem burros!"Pois eu acho que a democracia está acima de todas as coisas. A escolha é feita por pessoas que acreditam ou não nas ideias de iluminados como lhes chamas. E se elas forem um engano muda-se de iluminado. Mesmo que seja um liberal.
"Não são os liberais que pretendem capturar o Estado dizendo que alguma coisa falhou! (o liberalismo? a regulação falhada é culpa do liberalismo? antes não houvesse, se houvesse verdadeira concorrência e regras claras, meu caro. a crise nos EUA aconteceu no sector mais regulado de que há memória, podes ter a certeza!"
Alan Greenspam discordaria de ti se te ouvisse. Ele admitiu que se enganou depois de defender que os abusos seriam impossíveis.Depois a virulência contra os Governos de Guterres e Sócrates tem alguma coisa a ver com o facto destes terem defendido que todos podiam acreditar numa vida melhor?Acho que dizer que quando se está endividado a culpa é dos governos é fazer do indivíduo pouco autodeterminado e incapaz. É mais sério dizer que as pessoas não estão preparadas para o crédito mas têm o direito de o ter disponível. O resto é pedagogia. Quanto ao endividamento externo, esse é estrutural, mas disso sabe melhor Carlos Santos.
O Angelo Ferreira escreveu a seguir:
Começo pelo fim - estrutural? Lamento, mas não há cátedra que permita afirmá-lo com rigor e isenção. Basta ouvir Medina Carreira, e não estou a fazer a apologia de tudo o que ele diz e como diz.Não é estrutural, é conjuntural! Estrutural é a nossa falta de concorrência, de separação entre poderes, a desgraça da Justiça, da regulação (não isenta -pergunto-te mais uma vez sobre o que aconteceu com ERSE e a proposta para aumentar preços de energia, para os colocar ao preço devido, que o governo não quis - isso é estrutural? Já para não falar da instrumentalização e pouca isenção da autoridade para a concorrência ou da autoridade para a comunicação social.
Falta de isenção dos reguladores não é o mesmo que falta de regulação - esse é um problema da análise tua, do Carlos Santos e de muitos outros, baseada em equívocos), a impunidade dos poderosos, a falta de ética.Alan Greespan concordaria comigo, tendo apenas usado outras expressões ou assumido que os excessos de "libertinagem" (diferentes de liberalismo, que subentende ética e justiça), promovidos pela conivência entre política e negócios deram mau resultado. Mas Alan Greenspan não é Deus, nem o pai do liberalismo. Cada um muda para religião que quer. Para mim, como não se trata de religião (ainda por cima as religiões políticas só podem dar dar para o torto), mas antes de defender a liberdade das pessoas contra abusos de poder, prefiro continuar a defendê-la, negando, isso sim, que os homens possam falhar no mercado, mas sejam deuses no Estado. Isso é que é perigoso! E já deu uvas, venenosas!
Acho alguma graça á tua afirmação da liberdade individual - com a a defesa da qual concordo em absoluto -, pois afinal és também um amante da liberdade, o que me deixa descansado.Mas há por aí muitos - toma cuidado - que advogam tanto o Estado e dele se aproveitam até à exaustão, renegando o tal do "liberalismo", sem sequer saber o que isso quer dizer! É a pobreza de espírito no seu esplendor. O pior é que também há outros que não são nada ingénuos, nem pobres, mas vivem à custa da existência destes, pedindo mais estado, sempre em favor dos pobres!Mal está mesmo o facto de os Estados (governos irresponsáveis) promoverem a ideia de que se pode gastar e ter, aliás, de que é mais importante ter do que ser, para depois assobiarem para o lado e dizerem que o problema é estrutural! Lamento, mas não é!
Os governos são responsáveis por dar sinais, que as pessoas interpretam (é a informação de que dispõem, e não que não estejam preparadas para o crédito), pela tal pedagogia, mas, mais do que isso, são responsáveis quando financiam o crédito, pior, quando recorrem exaustivamente a ele para as obras públicas sem controlo e para outros gastos. Ao mesmo tempo, impossibilitam a concorrência leal, do tal livre mercado, as regras (justiça caótica) e sinais claros do preço das coisas, enviesando os mercados, e depois vindo dizer que foi da falta de regulação!É que dá pena. Então porque não se liberalizam as rendas? Então porque não se liberalizam os mercados de energia, de telecomunicações, de farmácias? Tens resposta? É da falta de regulação ou da intervenção estatal? Um dia destes vão dizer-nos que sim, que é necessária mais uma regulaçãozinha para os medicamentos, para a energia, para as telecomunicações.Porque achas que alguns governantes, dos grandes aos pequeninos (autarcas), fomentam a construção civil e o cimento? É falta de regulação? É liberalismo? Quem tem controlado os PDM? E a construção de estradas e autoestradas e outras obras públicas, algumas sem sentido nenhum? Este é o país das rotundas, que também devem ser culpa do liberalismo, certamente!
A questão dos governos de Guterres, até mais do que Sócrates, diga-se, é menor nisto tudo, concordo. Mas é verdade que foram irresponsáveis e, este, continua a sê-lo. É que não se pode ser optimista quando tudo corre mal e muito mal, assim ao jeito da orquestra do Titanic, que continuava a tocar quando o barco afundava - pelo menos havia música, certo?E não vale a pena vir com essas panaceias de que não estamos a piorar tanto como Espanha, Irlanda ou outros. Eles cresceram triplos e darão a volta por cima mais depressa, porque são melhores, e nunca entrarão nas locuras que n´so facilmente adoptamos, porque a nossa classe política é geralmente fraca e sem soluções, pelo que se vira logo para a moda do momento, que agora é matar o tal culpado do "liberalismo" ou como alguns preferem do "noeliberalismo" - santa ignorância.
Aconselho-te a ler um texto do socialista Guilherme de Oliveira Martins, que trata de umas cartas com uma socialista francesa a propósito das boas ideias do pensamento liberal. É que não são contrárias a uma ideia de "esquerda" e de defesa dos mais desfavorecidos, antes pelo contrário. O liberalismo é a liberdade do homem para fazer escolhas e assim encontrar a sua felicidade e não a que alguém, iluminado, lhe quer impor! É a forma de manter controlada a intervenção nefasta do estado sobre as liberdades individuais, anteriores ao próprio estado! É a forma de criar riqueza e de promover a solidariedade voluntária, directa, em vez de uma que serve máquinas partidárias e de amigos. Etc, etc. É a liberdade criadora e responsabilizante, que não deixa acreditar que algum D. Sebastião (Estado ou governante) nos salvará, mas antes que temos de tomar em mãos os nossos destinos e fazer melhor, por nós, por todos! é o individualismo construtor e responsável, que é no interesse próprio e dos outros, e que tanto falta em Portugal - o que não é o mesmo que egoísmo!Já agora, desafio-te a comparar o índice de liberdade económica dos países com a lista dos mais ricos.Concordo contigo numa coisa, que percebo, a liberdade tem os seus riscos, que suplantam em ganho, no entanto, os perigos do controlo estatal!
O desafio está em garantir essa liberdade, com regras claras, deixando apenas ao Estado as suas funções de garantia da igualdade de oportunidades e o apoio social aos desvalidos, que a própria sociedade não consiga socorrer e integrar, o que seria de longe o mais desejável!Um abraço. Isto dá pano para mangas. mas não precisas de vir com o Carlos Santos, pois não reconheço às cátedras nenhuma superioridade moral. De saberes, ainda vá, sempre temos que aprender, mas não é ele nem único nem, certamente, apesar de todo o respeito, a melhor das referências.
Eu adiantei:
Ok. Eu com os meus exemplos e tu com os teus. O Medida Carreira não me parece promissor.
«Pois eu acho que a democracia está acima de todas as coisas. A escolha é feita por pessoas que acreditam ou não nas ideias de iluminados como lhes chamas. E se elas forem um engano muda-se de iluminado. Mesmo que seja um liberal.»
Se a democracia não tiver outros pesos e contrapesos que não apenas o voto, estamos muito mal. aliás, a democracia não outorga todos os direitos aos eleitos, meu caro, e esse tem sido um mal letal de grande maioria dos políticos! Desse mal padecemos todos. Quando somos eleitos senti-mo-nos poderosos, e por isso se diz que o poder corrompe, e corrompe mesmo, independentemente da tua bondade, que conheço, ou da minha, ou da de qualquer outro. Não é que a pessoa seja má, é o que dela pode fazer o ambiente! E outras coisas, como sabes. É fácil fazer desvios, mesmo sem dar por ela, convencidos de que temos a verdade, a verdade única, a verdade eleita! Nada pior!
Pode haver totalitarismo em democracia, sabias? as maiorias prestam-se a isso mesmo, se o Estado é grande, ainda pior é o mal resultante! Por isso é importante a defesa da liberdade e de um mínimo de Estado, sem capacidade de invadir aquilo que são direitos anteriores ao Estado!O mal do que dizes, que «a democracia está acima de todas as coisas" é um enviesamento promovido por gente ignorante em termos filosóficos básicos, a que não estamos alheios. Não é culpa tua nem revela nada da tua pessoa, apenas uma crença que te foi dada como boa e sagrada, mas que é perigosa e falsa!
No mercado, já agora, as decisões são tomadas todos os dias, a toda a hora, e assumes responsabilidade por isso! Na eleição, escolhes o que te dá mais jeito (que se danem os outros) ou não - admito que há quem pense nos outros -, mas não assumes a responsabilidade, nem os prejuízos, e a maior parte das vezes escolhes uma cor, um emblema, quando muito um candidato a 1.º ministro, isto é, escolhes o embrulho, mas não sabes o que vem lá dentro e só podes mudar passados 4 anos! Incrível este poder delegado num embrulho que tu sacralizas! E depois dizes que não sacralizas nada - cuidado!A liberdade sim, é sagrada, porque me permite escolhas, porque me permite (obriga) responsabilizar-me, por mim e pelos outros.Os teus argumentos de escolha dos iluminados são muito perigosos.
Como sabes, Hitler foi eleito!Quando os liberais (estou a falar das pessoas que amam a liberdade acima de qualquer totalitarismo, mesmo que seja do estado, mesmo que seja de uma maioria eleita) falam da degradação das instituições estão a defendê-las. Quando falam dos abusos do poder e do mercado político, estão a defender as pessoas, sobretudo os mais pobres, aqueles que podiam fazer escolhas mais livres e responsáveis, ficam reféns quando depositam nas mãos do estado que serve os interesses de abonados e compadres em seu nome.Diz-se que o voto é a arma do povo e diz-se também, com grande ironia e alguma razão, que, então, mais vale a pena não votar, sob pena de se ficar desarmado!
«Ok. Eu com os meus exemplos e tu com os teus. O Medida Carreira não me parece promissor.»Ok, aceito essa. mas não preciso do Medina Carreira. Os meus argumentos estão bem explicados.
«Não sou muito fixado em purismos conceptuais e portanto não trato sacro santamente conceitos como o de liberalismo. Senão também teria de morder a língua sempre que critico a bondade do comunismo.»
Aqui é que não te compreendo, a não ser que se trate do relativismo a que tantos nos têm condenado. Não coloques no mesmo prato coisas distintas. Os liberais não querem forçar nenhum resultado social, antes criar o ambiente mais propício à liberdade, à procura da felicidade individual (e colectiva, claro, mas como resultado de todas as pessoas felizes, e não como resultado da ideia do tal iluminado que sabe melhor do que eu ou tu o que é melhor para nós!), à criação de condições de real igualdade de oportunidades (sabes porquê? porque acreditam que os mais pobres são capazes! e não precisam que lhes dêem as coisas, aliás, como tu próprio devias acreditar!).
o comunismo é a construção de resultado pretendido, nem que para tal todos tenhamos que ser reduzidos à insignificância da igualdade forçada! Todos iguais na mediocridade, mas uns mais iguais do que outros, já dizia o outro "especial", o eleito ou não.Portanto, não se trata de morder a língua, mas antes de compreender as diferenças!O Estado não deve, para além do apoio sério aos mais necessitados, e.g. bolsas de estudo, dando-lhes iguais condições para progredirem, interferir com o resultado, decidindo que empresas merecem apoio, que produtos merecem ser vendidos ou promovidos, que ideias são boas ou más, que ciência é boa ou má, que pessoas merecem esta ou aquela felicidade (viciando os resultados).
Deixa-me só dizer-te que aceito a regulação, desde que seja para estabelecer regras claras e reforçar códigos de ética e justiça. E aceito que se falhou na regulação, sobretudo onde ela existia!nota adicional:Quando pensas em mercado, no que pensas? Pensa num mercado da tua terra - o que achas que acontece ali? Há a autoregulação que deixam existir. Procuras um produto, tens múltiplas ofertas, múltiplos preços e qualidades, escolhes, dás sinais que mandam no preço, os vendedores procuram fazer melhor, os produtores igual, as regras são claras, não há acertos de preços entre os diversos vendedores, não há concentração, há concorrência, todos são livres e têm acesso a um tribunal e segurança, porque há um fundo para o qual todos contribuem para sustentar as condições para que todos sejam livres e procurem o melhor para si, fazendo bem as coisas, dando o seu melhor, o que faz com que também sejam bons para os outros.
Claro que, depois disto, há nuances, esse fundo cresce para sustentar outras coisas (em nome dos mais pobres), o que até pode ser aceitável, mas tens muitos perigos! Por isso, é determinante que o fundo nunca seja excessivo. E que as pessoas que não precisam não vivam dele! E que os apoios aos mais necessitados não lhes retirem a liberdade sob paternalismo de iluminados, nem que tenham sido eleitos, meu caro, nem que tenham sido eleitos. O abuso do poder dos eleitos é que tem levado à desgraça e deterioração da democracia, sistema que, para não deixar duvidas (não vá o diabo tecê-las), eu defendo!
«Ora parece que queres comparar a bondade do mercado com a bondade do Estado. Como se a confiança democrática que deposito no segundo fosse extensível ao primeiro.»
A bondade do mercado está no que já te disse: escolha livre e responsabilidade.A bondade do Estado - foi por isso que ele surgiu - está na defesa das pessoas contra agressões externas e internas! Desde logo, e acima de tudo, de direitos fundamentais!Não te esqueças disto, porque pode ser que um dia voltes a precisar de o recordar.Mesmo em democracia, volto a dizer-to, um governo, eleito por uma maioria (que agora são o quê, 20% dos eleitores?), comete muitos atentados contra direitos fundamentais das pessoas, sobretudo das minorias! Ou de certas minorias, ou de muitas minorias diferentes entre si! Isso não é bom, sobretudo quando pouco muda de 4 em 4 anos, porque escolhes apenas a embalagem!Eu não sou defensor do mercado como coisa única, mas de um equilíbrio entre mercado estado e terceiro sector, de que ainda não falámos, mas podemos falar.
«Mas também sou pelo Estado forte e interventivo na fiscalização das regras de mercado. Não um Estado que se substitua ao mercado mas um Estado que fiscalize e crie mecanismos que impeçam os abusos. Nesse mesmo estudo digo o mesmo e refiro as experiências terríveis com as economias dirigidas. Mas também sou crítico do Consenso de Washington e da virtude das privatizações (sobretudo dos sectores vitais nacionais).» ~
Isso sei eu, que te conheço e sei que estás acima do que estou a criticar! O problema é que muito se vai dizendo de equívocos, justificando a tal intervenção do estado na economia , e não só, até fartar!Só discordo, ou não entendo, essa coisa das privatizações de sectores vitais nacionais.
O Angelo Ferreira contestou:
O teu texto encerra erros graves de análise e deturpações do que eu digo. Não fui paternalista. Sou directo no que te digo. mas não vou em relativismos ou generalidades, apesar de termos de fazer algumas abstracções. Talvez não se trate apenas de discordância ou interpretações - relativizar é complicado.
São argumentos claros, inequívocos. Façamos um esforço para não relativizar, pois é o mais fácil, atirando ideias soltas para cima da fogueira. Teria sido melhor este texto de resposta com as partes do meu texto, ou com a publicação também do meu texto, ou textos, com a mesma dignidade, em vez de ficarem na caixa de comentários. De tal modo não sou paternalista contigo, que foi sempre assim que procedi com os teus textos, porque te considero inteligente e discuto tendo-te no mesmo patamar do que eu, com grande amizade e respeito. Mas sem facilitismos e com a dureza que me é habitual com amigos e pessoas que respeito e considero - os outros não lhes ligo, nem respondo, nem provoco.
na tua resposta há alguma demagogia e enviesamento, não intencional, decorrente de uma malformação de análise que é habitual em Portugal, o grande erro da esquerda e da direita. cá, de facto, não gostamos de liberdade. E estamos sempre dispostos a trocá-la pela promessa de um pouco de pão. não esqueças esta frase, que não é minha.
Não podes comparar comunismo com liberalismo como fizeste, com a tua expressão "teria de morder a língua". Não terias, porque são coisas muito distintas. Quiseste dizer que um e outro, apesar dos bons sentimentos, tinham as mesmas ou semelhantes enfermidades, davam em resultados semelhantes, mas não, mas não (já dizia o antigo).
O liberalismo (como corrente de pensamento político e filosófico, e não com a capa deformada, que uns e outros, mais ignorantes, mais esclarecidos, lhe colocam, chamando-lhe até nomes pomposos - poderei explicar) não subentende, para atingir um determinado resultado pretendido, resultado social ou outro, um leque de valores e de actuações que tornem imprescindível a subjugação da pessoa em prol do colectivo. este é que é o ponto em que, talvez, tenha pena de poder, de facto, haver divergência entre nós.
Não acredito nisso, mas nunca se sabe. Se existir, será por deformação profissional ou partidária. E é em todos os partidos, infelizmente. E tende para o totalitarismo, lamentavelmente, ainda que possa nunca lá chegar (mas já chegou várias vezes na história).É que ser liberal é respeitar a liberdade, não subjugar, não limitar a liberdade dos outros porque achamos que sabemos melhor do que ele o que é melhor para ele e por aí adiante... no liberalismo não há subjugação. Há a procura das melhores condições para que o homem possa realizar-se. A ética é muito mais do que dizes. Não é apenas um parágrafo no dicionário, uma página num livro de filosofia, é tudo! Porque tudo engloba.
Dar-te-ei uma resposta mais adequada e que tu mereces. Mas taco-a-taco, exibindo os vários textos.E obrigado pela atenção que me dás. Espero aprender contigo. Mas não te farei a vida fácil (sem presunção), porque gosto de ti e te considero.Abraço.
explicarei melhor, mas apenas o estado deve exercer coerção para evitar coerção, isto é, impedir que se faça mal aos outros, o que exige uma interpretação muito lata para justificar o que o grande Estado faz em "prol" dos pobres. Que serve apenas os ricos. Complicado?
Não.Já agora, a equidade o que é? e não confunda caridade com solidariedade voluntária. Sempre existiu grande solidariedade, mesmo num país de fraca sociedade civil como Portugal (um país de cordeiros, um estado de lobos), basta ver o que fez o Conde Ferreira ou o Calouste Gulbenkian, entre outros.Mas digo-te já que aceito o apoio do Estado aos mais necessitados, aliás, como te disse já no que escrevei.Com tempo, dar-te-ei resposta mais organizada.
Vou deixar aqui mais esta nota, que sublinha um equívoco: individualismo não é o mesmo que egoísmo. os ingleses usam a feliz expressão self interest (interesse próprio, que subentende o interesse dos outros, correcto?, que é diferente de selfish. Só cá tudo deu igual!nós precisamos de mais indivualismo, no sentido de lutar pelo interesse próprio. eu sempre lutei pelo meu interesse próprio, mesmo quando dei o meu corpo pelos outros! Os que dizem o contrário...
Quanto a mim deveríamos passar ao desafio que foi feito relativo ao equilibrio entre mercado, Estado e terceiro sector. Não adianta discutir sobre palavras.
Mas respeitando os tempos de cada um já que estamos ambos "enterrados" em trabalho.

Quinta-feira

III Congresso das Cidades Educadoras

O programa em detalhe aqui...

Na segunda que vem

Inauguração do Colégio Mateus d'Aranda, da Universidade de Évora, na próxima segunda-feira, 11 de Maio (Edifício da antiga Academia de Música Eborense) .
21.00
Orquestra da Universidade de Évora
Coro do Departamento de Música
Ensemble Vocal Manuel Mendes
21.40
Intervenção do Reitor
Intervenção do Director da Escola de Artes
22.00
Beberete
Exposição dos Departamentos de Artes Visuais e de Arquitectura
Animação do Departamento de Artes Cénicas
22.45
Quinteto de Jazz

Quarta-feira

O Ângelo Ferreira merece o respeito de uma resposta às dúvidas

Uma crítica feita no último post despertou um intenso debate (imodesto?) entre mim e o meu amigo e primo Angelo Ferreira. Era mais fácil conversar mas a distância física entre ambos impede que isso aconteça. Por telefone não chega e a escrita é sempre mais desafiante. Aqui ficam as coisas. Sempre que nos juntamos estamos em ambiente familiar. Outros assuntos nos tomam.
A certa altura diz, em conclusão:
"Eu não sou defensor do mercado como coisa única, mas de um equilíbrio entre mercado estado e terceiro sector, de que ainda não falámos, mas podemos falar."
E eu sigo:
Eu estou sempre há espera de algo que acrescente. Temos perspectivas diferentes (algumas aparentemente inconciliáveis) e não me acho dono da verdade. Mas sinceramente diagnósticos há para todos os gostos. Eu preferia falar de soluções.

Depois a tua simpatia com a minha ingenuidade ou com os meus equívocos respeita pouco a minha inteligência. Só te falta dizer que o meu discurso é composto por lugares comuns como se a linha coerente da argumentação só estivesse do teu lado. Soa a paternalismo e respeita pouco a minha individualidade.

Mas eu compreendo. Será resposta a alguma dureza da minha parte quando digo que o que quer ser novo é velho. Não foi minha intenção ofender.

Falas num homem que critico e que falha no mercado como se ele não falhasse no Estado. Pois eu acho que o homem falha no Estado e merece vigilância. Eu seria um idiota se visse a democracia reduzida ao acto eleitoral de 4 em 4 anos. Afinal o que estou para aqui a fazer? Há espera do próximo acto eleitoral?
Não. Estou a agir. E essa acção diz-me que se o Homem falha no Estado, porque não há-de falhar no mercado? A diferença da nossa opinião é que não coloco o homem do mercado acima do homem do estado. Não olho para o primeiro como se fosse menos falível que o segundo.

Dizes que os liberais não querem capturar o Estado como, bem entendido, quer o Estado capturar o mercado (?) e que os primeiros não acusam o segundo de falhar. Mas onde ficas tu?

Atribuis-me equívocos porque esqueço a ética? Até a entendo superior à religião (seja política ou moral). A ética nunca matou pelo dogma.

Depois chegas ao optimismo e dizes que é irresponsável. A resposta fácil é que sem optimismo não há esperança. A útil é que sem optimismo de nada vale a ética. De que valerá eu querer ser melhor respeitando a liberdade do outro e a diferença, comportando-me com franqueza, se não acreditar que isso mudará tudo para melhor. O homem derrapa para o pessimismo quando deixa de acreditar em si e no outro. Pouco liberal não será?

Depois referes a panaceia da comparação com os outros mas ela não é sempre feita pelos bons e pelos maus motivos. Ou só serão úteis os segundos?

A seguir vais à culpabilização do liberalismo. Será moda para alguns políticos. Para outros será só culpa dos excessos do mercado. Conceptualizações portanto. E aqui explico. Quando coloquei liberalismo e comunismo na mesma frase não foi porque os confundo. Essa é pesada. Foi porque ambos, tratados como religião, se desculpam dizendo que os princípios são bons, os homens é que deles fizeram mau uso. Explícito?

Confesso dificuldade em perceber o conceito de solidariedade voluntária. Equidade e caridade têm sido faces de moedas diferentes. Por princípio prefiro a primeira. Por via da igualdade de oportunidades. Voluntariamente o indivíduo as promoverá? Acredito no homem mas ele às vezes vai demasiado longe no seu voluntarismo. Cede-me o facto de que o homem (e a mulher) necessitará desta equidade para que possa fazer as suas escolhas e encontrar a sua felicidade.

Desafias-me a comparar o índice de liberdade económica dos países com a lista dos mais ricos. Pois é para me dar razão.

Muitos autores vêm na deterioração das condições de comércio uma consequência das desigualdades. Os últimos relatórios de instituições internacionais como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) referem que a desigualdade nas relações comerciais cria subsistências precárias em muitos pontos do globo, por via de economias informais, sem direitos reconhecidos, à margem da economia global.

Recorrendo à dicotomia real dos centros e das periferias, para corrigir a desigualdade entre o centro industrializado e a periferia economistas como Raul Prebish propuseram a necessidade de adoptar políticas de industrialização que prescrevessem não apenas a substituição das importações mas também a exportação de produtos manufacturados como solução adequada para desfazer o trade gap existente. Sob o que chamou a percepção da periferia da falsa universalidade da teoria económica geral, Prebish constestou a oposição de países como os Estados Unidos, à industrialização dos países da América Latina (CELSO FURTADO, 1985, pp. 60 e 61).

Para ele o dinamismo do sector industrial dos Estados Unidos era tão grande o colocava em posição de monopólio no mundo. Em contrapartida apontava um desequilíbrio interno noutras áreas, que, por falta de dinâmica, criavam a necessidade de medidas proteccionistas perante a concorrência externa. Esta posição dominante tendia a perpetuar-se pelas regras do mercado livre e acentuavam o trade gap entre o grande centro industrializado e a periferia.
É uma tese verificável.

Essa tese mantém-se actual para muitos autores que, há sua luz, defendem a existência de apenas dois grupos entre as economias em desenvolvimento, as que conseguem financiar o crescimento interno por via das exportações para os Estados Unidos e a grande massa de países que sofre do dito trade gap e que se vêm forçados a auto-financiar-se por meio de dívida.

Assim o problema que se coloca cada vez com mais pertinência é o de dar coerência ao ambiente económico mundial e aos esforços de produção nacionais. Para isso é necessário que o sistema financeiro e o sistema comercial se reforcem mutuamente, o que só é possível com uma profunda cooperação internacional.

A força de um mercado pode ser muito grande e, nessa medida, usada para corrigir as desigualdades. No entanto essa força dificilmente para aí será direccionada se o mercado não for regulado.

As questões em torno das desigualdades geradas pela ausência de regras dos mercados não têm sido propriamente preocupação da teoria económica da competitividade, que olha para as falhas do mercado como resultado da acção externa. E abstrai-se de questões como a equidade e distribuição da renda e do poder (GERALD KARL HELLEINER, 2000, p.7)

A realidade também nos mostra que um sistema de mercado onde a competitividade é imperfeita, a informação é pouco transparente e deixa excluídos muitos outros mercados. Esta realidade também já demonstrou às economias transnacionais as consequências de má regulação e da falta de enquadramento institucional sólido, onde os comportamentos se assemelham à lei da selva.

A actual crise financeira demonstra também que apesar do mercado funcionar de forma aberta em alguns países, mas onde existe um quadro institucional frágil, existe uma maior propensão para a desordem económica e social. Daí que a teoria económica moderna consagre hoje mais atenção às origens, ao funcionamento e ao papel das instituições não mercantis no contexto de mercado e reconheça a um amplo conjunto de actividades não mercantis a possibilidade de serem descritas no âmbito das relações económicas.

Se excluirmos a necessidade de determinado bens públicos como a justiça, a defesa e a estabilidade social, todas as teorias económicas modernas defendem modelos que sublinham a via da cooperação entre indivíduos para que cada um possa atingir os seus objectivos, sobretudo se essa cooperação se repetir, em vez da relação resultado dos negócios ocasionais, onde não fica implicada a reputação ou a responsabilidade futura dos indivíduos neles envolvidos.

Devemos entender os mercados como algo de muito positivo, na medida em que criam riqueza e poder, e que, com mecanismos adequados de regulação, podem ajudar bastante, mas não parece defensável que todos os problemas da humanidade aí encontrem resposta.

Dão-se grandes erros sempre que os governos tentam substituir-se ao mercado ou superá-lo. Por isso é defensável que se aproveite o poder dos mercados com responsabilidade e que seja tomado em consideração sempre o interesse social.
As limitações do mercado puro e do sistema de mercado não são contestadas por nenhum especialista em economia. HELLEINER (2000) diz que pode-se defender uma economia dirigida pelo mercado mas que ninguém defenderá uma sociedade dirigida pela economia de mercado.

Por isso propõe que se chegue a um acordo universal acerca da necessidade de regras, leis e instituições capazes da governação do funcionamento dos mercados e da fiscalização e punição dos comportamentos individualistas e corporativos.
Hoje já não faz sentido procurar respostas internas para um problema que é mundial.

Falemos do terceiro sector então. Fiquei curioso.
Um abraço deste teu amigo.

Terça-feira

Frente a frente

Vi ontem, por acaso, na RTPN, um frente a frente entre Carlos Zorrinho e António Borges. O primeiro quis falar sério, o segundo a golpes de demagogia. De cada vez que se saia com uma "o Governo erra todas as previsões" ou o "o Governo é o responsável por políticas económica erradas" eu pensava, dá-lhe com as bondades do liberalismo, lembra-o do que causou esta crise.
Hoje, ao ler Carlos Santos, no Eleições 2009, lembrei-me que o António Borges não pode ser levado a sério.
Eis a síntese comparativa de Portugal com a Europa, do Professor da UCP:

Vasco Granja

Com 77 anos, entrevistado pela AmordePerdição.pt

Morreu esta madrugada. Trazia à RTP, na minha infância, os desenhos animados (sobretudo do Leste) e a mágica Pantera Cor-de-Rosa, com o Cinema de Animação.


"... pora na dobranoc bo juz ksiezyc swieci dzieci lubia misie isie lubia dzieci."

Quase nunca nos lembramos de quando éramos crianças.

Domingo

Os proprietários de Abril e de Maio também

Só não são donos de tudo porque deu-se Novembro.
A propósito das agressões a Vital Moreira e à Delegação do PS à marcha do 1.º Maio.

A retórica de ódio do PCP alimenta a prática que têm de uma série de sindicalistas das CGTP, FENPROF e militantes comunistas, que acompanha o Primeiro-Ministro por todo o País para o ofender.
Não é só defeito, é estratégia.

Depois chama-lhes gente descontente ou trabalhadores indignados. E a presença do Primeiro-Ministro é tratada como uma provocação.

Mas ninguém devia ficar surpreendido. No fundo o PCP é um elemento estranho à democracia. Por isso é dos que mais a desvaloriza e invectiva.

O que aconteceu no 1.º de Maio foi um atropelo às regras mais elementares dessa democracia. Vital Moreira foi expulso de uma manifestação. Que o PCP acha sua propriedade.