Não dá para grandes considerações. Aqui a modesta equipa prepara tudo para sexta-feira arrancar em grande com a campanha nas freguesias e com a apresentação dos candidatos às Assembleias de Freguesia. Até dia 15 não há espaço para mais nada. Quer dizer, para quase mais nada.
Terça-feira
Apresentação dos candidatos às Assembleias de Freguesia
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Terça-feira, Agosto 25, 2009
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Sábado
Mais política de verdade
Do Aspirina B e em relação à última entrevista de MFL
Judite de Sousa – Mas a Alemanha, a França, saíram esta semana da recessão técnica, assim como Portugal…
Manuela Ferreira Leite – Mas isso não tem o mínimo dos significados do ponto de vista… isso são significados estatístico. Não tem o mínimo dos significados em termos do que efectivamente está a acontecer à economia.
J – Mas os elevados números do desemprego em Portugal decorrem da crise internacional…
M – Não decorr… Não, não, não, não, não… Não decorrem da crise internacional.
J – Mas como é que não decorrem?
M – Como é que não decorrem?… É vermos as estatísticas e vermos que ainda a crise não tinha surgido e os nossos números já estavam a aumentar.
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Sábado, Agosto 22, 2009
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Sexta-feira
Quem fala assim não gagueja

Caro Figo, o teu único defeito é seres do Sporting.
Luís Figo espera que Sócrates mantenha a energia para mobilizar o país durante mais quatro anos de governação.
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Francisco da Costa
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Sexta-feira, Agosto 21, 2009
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Quinta-feira
A Europa pode ser explicada de uma forma simples
La Place de l'Europe, temps de pluie: Gustave CaillebotteSomos cerca de 500 milhões. Apesar de sermos muito diferentes uns dos outros temos boas relações entre nós, valores comuns progressistas e um padrão de vida inimaginável há 50 anos, quando nos cansámos de guerras, da miséria e da morte e resolvemos agir.
Mais de metade de nós sabe falar outra língua para além da materna, o que resolve o problema de Babel dentro destes quase quatro milhões de quilómetros quadrados de território. Além disso compreendemos bem a linguagem da paz, da democracia, dos Direitos Humanos e do Estado de Direito.
O nosso nível económico em média só é ultrapassado pelos americanos e pelos japoneses.
As diferenças dos nossos níveis de vida é certo que são díspares. E mais do que se identificarem em países elas restringem-se a determinadas regiões. A melhor forma que encontrámos para nivelar essas diferenças foi através do que se chamam os fundos estruturais, que têm ajudado as regiões mais desfavorecidas, dinamizando as economias. O que é bom para elas é bom para o conjunto.
Temos tão boa qualidade de vida que vivemos mais tempo. Hoje cada um de nós viverá em média mais nove anos quando em comparação com os que nasceram há 50 anos.
Isto é bom mas cria novos problemas. Temos mais reformados e metade dos filhos que tínhamos nessa altura. Com menos jovens menos mão-de-obra. E menos receitas fiscais que financiam os pressionados regimes de segurança social.
Para garantir a protecção social aos mais fragilizados é preciso preservar o chamado modelo social europeu. Esta tendência tem obrigado os países europeus a reformas. Muitas envoltas em polémicas. Cá teme-se pela perda de direitos, do outro lado do atlântico receia-se que se criem demasiados. Polémicas à parte do que estamos a precisar é de imigração qualificada, maior número de mulheres empregadas e emprego parcial para além da idade da reforma.
Demasiado liberal? Não só não devemos temer o conceito como até prepararmo-nos para o que parece inevitável. Para além de que é imoral desperdiçar a quantidade de informação e apetências adquiridas pelos mais velhos ao longo da sua vida. Se vivemos mais nada deve impedir que nos mantenhamos activos até mais tarde.
Se precisamos de mais crianças, sim. Mas elas parecem não se coadunar com os hábitos de vida que temos ou que queremos ter. Há opções que têm de ser feitas.
A Europa tem procurado ser uma economia de conhecimento, assente na formação, na investigação e nas novas tecnologias. Já devem ter ouvido falar na estratégia de Lisboa. Ela pode resumir-se assim.
Já antes dela podíamos falar de um boom no número de jovens que prossegue os seus estudos para além da escolaridade obrigatória. O facto não significou automaticamente mais empregos para mais gente qualificada. Mas é certo que serão mais aptos os que têm formação dos que não têm. E os segundos correm maior risco de desemprego que os primeiros. Todos teremos os nossos exemplos se os procurarmos.
Não é por acaso que no fim de 2004 mais de 70% dos europeus responderam ao Eurobarómetro que estavam bastante satisfeitos com a sua vida. É certo que tal terá acontecido ainda antes desta crise mas isso só parece consolidar o argumento dos que defendem que é preciso aprofundar este projecto que temos construído.
As nossas preocupações são as preocupações da grande maioria dos europeus. Desemprego e economia. Afinal somos mais parecidos do que julgamos.
Acharão a abordagem demasiado optimista? Pois imaginem-nos sem Europa.
Texto publicado no DS
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Quinta-feira, Agosto 20, 2009
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Quarta-feira
Política de Verdade

Em relação ao disparate da vigilância à Casa Civil da Presidência da República:
1- os assessores do Presidente da República têm colaborado na feitura do programa do PSD às legislativas e por isso José Junqueiro sabe do que fala
2- o silêncio do Presidente da República alimenta uma escalada de mau estar entre a Presidência da República e o Governo
3- o jornal "O Público" tem-se dedicado a criar problemas ao Governo ao dar capa a histórias mirabolantes. Isso não é problema mas, a bem da transparência, bem podia declarar publicamente que não está isento
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Quarta-feira, Agosto 19, 2009
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Segunda-feira
É a Economia
Pires dos Reis, candidato pelo PSD à Câmara de Beja e a propósito da recuperação da economia lança esta pérola no seu blogue pessoal: Mas então, se a economia recuperou um pouco, no segundo trimestre, como é que o desemprego também aumentou?
Eu, que pouco sei, explico: as empresas podem recuperar não por via do aumento das receitas (visto venderem menos), mas pela redução da despesa (os despedimentos fazem parte dos processos de reetruturação das empresas).
Assim é possível haver recuperação económica e aumentar o desemprego.
N'est pas?
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Segunda-feira, Agosto 17, 2009
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Quinta-feira
O crivo

Não é fácil admitir erros ou que vivemos com medo deles. E pelo menos por duas ordens de razão. Primeiro porque os erros podem ser demasiado grandes e grosseiros para que aceitemos bem a sentença de sermos ingénuos ou imprudentes.
Depois porque para assumir os erros é preciso que deles tenhamos consciência. E há asneiras tão arreigadas em nós que só um escrúpulo profundo pode fazer o caminho inverso.
Todas as nossas acções, boas e más, passam por aquilo a que se chamou o crivo da consciência (fruto da nossa grandiosa cultura mesclada de judaísmo e cristianismo) e ele, o crivo, parece ser tão sensível que é capaz de julgar tanto pensamentos como intenções.
Um amigo lembrou-me que existem determinados tipos de condenados (sem remissão possível) que não perdem o sono quando tiram a vida a outros. É certo, mas ainda assim saberão o que é ou não lícito. Daí que a justiça dos homens distinga os assassinos dos loucos.
Contudo o meu interesse no assunto é bem mais prosaico.
No dia 4 de Novembro de 2008 alguém exclamou: “o preto ganhou as eleições”. Eu ouvi e pensei: pois ganhou. Contra tudo o que pensávamos possível e a favor do que desejámos. Ninguém foi indiferente. Seja porque Bush foi para esquecer e porque o mundo já não aguentava mais anos de políticas conservadoras de Washington.
Mas o mais interessante com esta eleição foi a mudança de paradigma que se deu, uma mudança de mentalidades se quiserem.
É que a partir desse momento muitos de nós deixámos de pensar em Obama como o preto. Passou simplesmente a ser Obama.
O uso imemorial desse conceito depreciativo, que tem servido para marcar uma diferença entre nós (maiores) e os outros (menores), revela quanto atrasados somos por continuarmos a ver o mundo com os olhos de brancos de outros tempos.
Costumamos também dizer que não somos racistas mas fazemos excepções, por exemplo para os ciganos.
O nosso envergonhado defeito torna difícil admitir o que seria mais correcto: que não queremos ser racistas mas que há coisas que ainda não compreendemos ou que ignoramos. Contudo estamos dispostos a fazer um verdadeiro esforço para o ultrapassar.
É que erros anteriores a nós, inculcados por gerações de anedotas idiotas e adágios só aparentemente inofensivos são uma marca cultural errada. É o senso comum a fazer de nós insensatos e já nada justifica que as diferenças sejam aceites por esse prisma.
Um bom começo é querer que eles terminem em nós. Portanto é tão importante parar de repetir os disparates quanto nos rirmos deles. Há é que os apontar. A consciência fará o resto.
O futebol possui uma das linguagens mais universais que conheço. Praticamente todos nos entusiasmamos com um bom jogo, conhecemos bem as regras (eu e o Bruno Alves devemos ser excepções) e todos nos consideramos mais capazes que os treinadores das equipas que admiramos.
Ora num jogo de futebol encontram-se homens a quem reconhecemos qualidades e sabemos o nome. Independentemente da cor, credo ou outras diferenças, chegamos a apropriarmo-nos deles como nossos. Porque não o fazemos tão facilmente em todas as circunstâncias?
É certo que o futebol também arrasta claques, algumas compostas por gente associada a movimentos xenófobos e racistas. Apesar do seu carácter tão informal não é útil que os vejamos? Não é importante que saibamos por onde andam e o que promovem?
Harvey Milk, um activista norte-americano que se bateu na década de 70 pelos direitos dos homossexuais recebeu certa vez um desenho ofensivo onde este era retratado grosseiramente como esquartejado. Milk quis que o desenho estivesse exposto por entender que este (o desenho) tornar-se-ia ainda mais assustador se fosse mantido longe dos olhos das pessoas.
Pois ele soube fazer-nos lidar com os nossos erros e medos. É que se os trouxermos para a luz do dia eles deixarão de ser assim tão assustadores.
Depois porque para assumir os erros é preciso que deles tenhamos consciência. E há asneiras tão arreigadas em nós que só um escrúpulo profundo pode fazer o caminho inverso.
Todas as nossas acções, boas e más, passam por aquilo a que se chamou o crivo da consciência (fruto da nossa grandiosa cultura mesclada de judaísmo e cristianismo) e ele, o crivo, parece ser tão sensível que é capaz de julgar tanto pensamentos como intenções.
Um amigo lembrou-me que existem determinados tipos de condenados (sem remissão possível) que não perdem o sono quando tiram a vida a outros. É certo, mas ainda assim saberão o que é ou não lícito. Daí que a justiça dos homens distinga os assassinos dos loucos.
Contudo o meu interesse no assunto é bem mais prosaico.
No dia 4 de Novembro de 2008 alguém exclamou: “o preto ganhou as eleições”. Eu ouvi e pensei: pois ganhou. Contra tudo o que pensávamos possível e a favor do que desejámos. Ninguém foi indiferente. Seja porque Bush foi para esquecer e porque o mundo já não aguentava mais anos de políticas conservadoras de Washington.
Mas o mais interessante com esta eleição foi a mudança de paradigma que se deu, uma mudança de mentalidades se quiserem.
É que a partir desse momento muitos de nós deixámos de pensar em Obama como o preto. Passou simplesmente a ser Obama.
O uso imemorial desse conceito depreciativo, que tem servido para marcar uma diferença entre nós (maiores) e os outros (menores), revela quanto atrasados somos por continuarmos a ver o mundo com os olhos de brancos de outros tempos.
Costumamos também dizer que não somos racistas mas fazemos excepções, por exemplo para os ciganos.
O nosso envergonhado defeito torna difícil admitir o que seria mais correcto: que não queremos ser racistas mas que há coisas que ainda não compreendemos ou que ignoramos. Contudo estamos dispostos a fazer um verdadeiro esforço para o ultrapassar.
É que erros anteriores a nós, inculcados por gerações de anedotas idiotas e adágios só aparentemente inofensivos são uma marca cultural errada. É o senso comum a fazer de nós insensatos e já nada justifica que as diferenças sejam aceites por esse prisma.
Um bom começo é querer que eles terminem em nós. Portanto é tão importante parar de repetir os disparates quanto nos rirmos deles. Há é que os apontar. A consciência fará o resto.
O futebol possui uma das linguagens mais universais que conheço. Praticamente todos nos entusiasmamos com um bom jogo, conhecemos bem as regras (eu e o Bruno Alves devemos ser excepções) e todos nos consideramos mais capazes que os treinadores das equipas que admiramos.
Ora num jogo de futebol encontram-se homens a quem reconhecemos qualidades e sabemos o nome. Independentemente da cor, credo ou outras diferenças, chegamos a apropriarmo-nos deles como nossos. Porque não o fazemos tão facilmente em todas as circunstâncias?
É certo que o futebol também arrasta claques, algumas compostas por gente associada a movimentos xenófobos e racistas. Apesar do seu carácter tão informal não é útil que os vejamos? Não é importante que saibamos por onde andam e o que promovem?
Harvey Milk, um activista norte-americano que se bateu na década de 70 pelos direitos dos homossexuais recebeu certa vez um desenho ofensivo onde este era retratado grosseiramente como esquartejado. Milk quis que o desenho estivesse exposto por entender que este (o desenho) tornar-se-ia ainda mais assustador se fosse mantido longe dos olhos das pessoas.
Pois ele soube fazer-nos lidar com os nossos erros e medos. É que se os trouxermos para a luz do dia eles deixarão de ser assim tão assustadores.
nota: este texto foi publicado no DS de 13 de Agosto
II nota: um triste acaso com esta notícia
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Quinta-feira, Agosto 13, 2009
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Quarta-feira
Sábado
Outra despedida

Raúl Solnado não é do meu tempo mas é do meu tempo. Para mim o primeiro humorista. A Guerra de 1908 a primeira peça de humor. Bastava o tom.
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Sábado, Agosto 08, 2009
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A oposição de verdade
Aquela coisa da política de verdade de Manuela Ferreira Leite já criou uma verdadeira oposição à própria Manuela Ferreira Leite. Ficamos todos muito avisados.
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Sábado, Agosto 08, 2009
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Sexta-feira
Os adágios populares e a alta filosofia (aquela que não se discute nas tabernas)
Quanto a Séneca.
"Mais vale tarde que nunca."
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Sexta-feira, Agosto 07, 2009
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Quinta-feira
Seremos infelizes por não ter heróis ou por precisar deles?
Seremos infelizes por não ter heróis ou por precisar deles?
E que definição temos nós hoje do conceito?
Tivemos os nossos, que aceitámos sempre com os seus defeitos. Começámos com um que guerreou militarmente com a sua própria mãe e continuámos com voluntaristas, uns mais razoáveis que outros, tiranos ou uma espécie de, e até um género de fascista, se bem que ainda muita se discuta sobre o assunto sem que haja uma conclusão para o caso. Cada um, à sua maneira, foi herói. Nalguns casos a história reabilitou-os, noutros tenho a minhas dúvidas.
Por isso os nossos heróis sempre foram difíceis de estereotipar.
Os americanos e a sua fabulosa máquina de cinema fizeram-no transformando muitos dos seus em nossos próprios heróis. Faça-se-lhes a justiça à grandeza do acto. Deram a muitos o que eles pediam, heróis. O que, como muitos sabem, é coisa que não é fácil.
De heróis o filme Casablanca dirá muito, tanto para a geração que antecede a minha, como a que faço parte. A partir daí tudo será ganho. Para ambos é sobretudo nostalgia.
Os que não se cansam dos diálogos entre esse estranho herói americano, o cínico e ambíguo Rick Blaine (Humphrey Bogart) e a bela constrangida Ilsa Lund (Ingrid Bergman) saberão do que falo.
A sugestão tem uma razão de ser e ela é tão simples como o facto de estar o mais a sul do País e do lado de lá África, que faz chegar cá uma brisa única.
Não me ocorreu o assunto quando um dia visitei Casablanca.
Sou produto do meu tempo e por isso é previsível que tenha lá procurado o mito do Rick’s bar. O assunto deveria ter ficado encerrado com o dado óbvio que Hollywood foi o palco de todo o filme mas ainda assim insisti. Toda a ideia, o complexo do herói num tempo onde eles pareceram não existir (a II Guerra Mundial), reside no filme e tentar apreender o seu contexto no local é idiota.
Enfim, procurar Casablanca em Casablanca é tempo perdido mas num café de hotel em Sagres já é possível. E é aqui que me detenho. Neste café deserto que aproveito o melhor que sei.
Rick é dono de um café em Casablanca onde se conspira contra o opressor nazi, deambulam os resignados, movimentam corruptos, onde se divertem os colaboracionistas do regime e se pavoneiam os novos donos da velha Europa.
Casablanca é assim a porta de saída de uma Europa entregue à barbárie e trampolim para o mundo livre que representa a América. A ela chegam Ilsa, que tivera um caso amoroso mal resolvido com Rick, e Victor, um importante líder da resistência aos nazis, agora casado com Ilsa.
Rick não é o herói que se está à espera que seja. Mas compreendemos-lhe a fragilidade que só o humaniza. E aceitamo-la porque o seu sacrifício maior, que só a razão concebe, e que faz sobrepor os valores à paixão (os valores que inicialmente não lhe reconhecemos) transformam-no num semi-deus. Ainda apaixonado por Ilsa e com oportunidade para dar continuidade ao que foi mal resolvido (Ilsa ainda o ama), opta por ajudar o casal a sair dali.
Ele é diferente de Victor Laszlo (Paul Henreid), o homem divino apartado de todos os outros homens porque tem uma missão maior, a de combater os nazis e destruir o mal que invadiu a Europa, mesmo que isso signifique o sacrifício do amor que sente por Ilsa e cuja intensidade não parece ser mútua.
Afinal Rick é só um homem como nós, egoísta e cinicamente descrente na própria humanidade. Que tipo de homens o tomarão como herói?
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Quinta-feira, Agosto 06, 2009
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Domingo
Ainda existe um Algarve onde não há confusão
A Vila de Sagres é ainda o que se pode considerar um sítio pacato. Mas o que se vê nas praias vizinhas aponta para o que trará o futuro. Num resort aqui perto fica-se impressionado com o tamanho das Villas do tipo Americano (Donas de Casa desesperadas, Weed ou Os Ricos) que invadem as encostas. Ocupam quase por inteiro a área ocupada outrora por uma pequena comunidade piscatória. Provavelmente uma praia pública (lindíssima) que não tarda ficará apenas acessível aos novos moradores. O problema não se confina apenas a Tróia, em Setúbal. Aqui a entrada para o local já se faz também por estradas novas, com zonas ajardinadas de forma cuidada e encimadas por painéis luxuosos, com nomes pomposos, que substituem os nomes das já desaparecias aldeias algarvias.
Contudo ainda se pode cá vir e ficar bem surpreendido. Provavelmente devido à crise.
De qualquer das formas nada parece poder vir a acabar com a vista extraordinária que se tem da Pousada do Infante. Nada mesmo.
De qualquer das formas nada parece poder vir a acabar com a vista extraordinária que se tem da Pousada do Infante. Nada mesmo.
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Domingo, Agosto 02, 2009
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