Quarta-feira

Quando não se tem ideias

É caricato ouvir Eduardo Luciano (o candidato do PCP à Câmara de Évora) prometer transformar Évora num Centro de Ciência e Tecnologia. Porque não é uma ideia dele e já nem sequer é ideia.
A Câmara de Évora assinou recentemente o contrato de consórcio para a criação do Parque de Ciência e Tecnologia, num terreno cedido pela própria Câmara. E os parceiros deste projecto são suficientemente sólidos para que se discuta sequer o facto como apenas plano de intenções- UE, IPB, IPS, ADRAL, CEVALOR, CEBAL, COTR, ICTVR, INRB, Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Sociedade Gestora do Parque Tecnológico de Moura, Sines Tecnopólo, Câmara de Beja, Câmara de Portalegre, de Nisa, ANJE, NERE e NERBE.
Mas Luciano vai mais longe, diz que vai abrir a Câmara às pessoas porque deixou de haver dia de atendimento com o Presidente. Ora para além da falta de criatividade ainda se mente.
Todos sabem que o Presidente da Câmara recebe pessoas todos os dias. E quando digo pessoas refiro-me a cidadãos que, muitas vezes sem marcação, são por ele recebidos. O dia de atendimento existe. Está é multiplicado por cinco.

Terça-feira

Cavaco Silva

Suspeito que Cavaco Silva tenha perdido o tino.

Évora vai receber Parque da Ciência e Tecnologia


O Presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto d’Oliveira, foi um dos signatários do Contrato de Consórcio para a criação e desenvolvimento do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo, cuja cerimónia teve lugar na passada segunda-feira, na Universidade de Évora.

O futuro Parque da Ciência e Tecnologia do Alentejo, que ficará localizado em Évora num terreno cedido pela edilidade para o efeito, reúne as principais entidades da região, possuindo, desta forma, todas as condições para a sua concretização.

De acordo com a vontade das entidades contratantes, o Parque terá um modelo de governação descentralizado, através de pólos tecnológicos a instalar em Beja, Portalegre e Santarém.

Durante a cerimónia pública de constituição do consórcio, José Ernesto d’Oliveira, teve a oportunidade de realçar a importância da criação deste parque, “possibilitando a criação de emprego qualificado, para além de todas as outras vantagens inerentes a um espaço de investigação”.

“É pois com uma enorme satisfação que agradeço a todos os signatários por acreditarem neste projecto e por estarmos todos juntos à procura de sucesso comum e que significa o desenvolvimento colectivo do Alentejo”.

O Consórcio para a criação do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo é constituído por: Universidade de Évora, Instituto Politécnico de Beja, Portalegre e Santarém, ADRAL, CEVALOR, CEBAL, COTR, ICTVR, INRB, Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Sociedade Gestora do Parque Tecnológico de Moura, Sines Tecnopólo, Câmara Municipal de Beja, de Évora, de Portalegre, de Nisa, ANJE, NERE e NERBE.

Segunda-feira

G. tens razão

Parece mal. Nove dias sem nada aqui escrito parece muito mal. E dá cabo disto que anda a ser construído há quase 3 anos. Mas não tenho tido tempo. E nem perco mais a explicar porquê. Mas para registo, ontem o José Sócrates voltou a ganhar as eleições. O homem é combativo como nunca vi. Outros já se tinham ido embora. Mas o mais relevante não foi a vitória do PS. Foi a natureza e os milagres que ela faz. Ficamos sempre surpreendidos. E isto é só mais um início de muitos outros.
E agora volto para onde tenho andado que é preciso eleger outro José. E este escuso de adjectivar porque não me ficava bem. E agora G. já me dás mais uns tempos. Cá voltarei sempre que possa. E mais tarde com mais frequência.

Nos Canaviais

Os deles (JF).

Nos Canaviais


Os nossos (CME).

Sexta-feira

Em digressão

Ovelha que bale, bocado que perde...

Em digressão

Há muita fome escondida. Na foto o Nuno Lino e a Tânia Caldeira depois da apresentação dos candidatos à Assembleia de Freguesia da Graça.

Teremos um Grande Veto

Parece-me semelhante a oposição à alta velocidade (TGV) e outros grandes investimentos públicos e a oposição que valeu ao Alqueva a demora de quarenta anos para ser construído.

Fico com a ideia que a agenda política dos “pretensos liberais” (os verdadeiros têm uma representação considerável no Parlamento Europeu e não têm nada que ver com a direita política nacional) não pode ser usada porque os portugueses nunca a aceitariam numa altura como esta. É o que a gíria política chama de agenda escondida.

Seria absurdo para os portugueses ouvir falar na privatização da Segurança Social e da Saúde, ou da Caixa Geral de Depósitos, ou mesmos da menor intervenção do Estado na Economia, para não ir mais longe.

Por isso hoje a forma de fazer oposição política à direita e à esquerda parece resumir-se a estar contra. Uma moda fácil que se estende para lá da classe política.

Só a esquerda radical não tem vergonha do seu programa. Ele é tão transparente que me deixa espantado. Dizer por exemplo que o Alqueva só serve para regar campos de golfe é um despautério da ingenuidade ou do desconhecimento. Para além de não ver mal nenhum na existência de campos de golpe percebo a parangona. Mas não é séria.

Quanto à direita suspeito que, com a excepção sórdida de associar as ferramentas de apoio social à preguiça, tudo o mais é envergonhado, para falar verdade.

Fazer oposição hoje só distingue os mais à direita ou mais esquerda pelo maior ou menor radicalismo que se demonstra ter contra quem governa.

O debate político parece ter-se transformado numa retórica de mercearia, com respeito que me merece uma boa mercearia. Ele tem visado atacar a estratégia do investimento público, propagando a ideia errada que confunde o conceito de investimento com o de hipoteca. E ataca também o carácter das pessoas mas a coisa terá um limite.

Vendo curto (e a vista não é má) o TGV é importante para uma região como a nossa. Por onde passe, o TGV tem contribuído fortemente para o desenvolvimento territorial. Não seremos excepção.

Vendo largo e acrescentando outros investimentos públicos e público-privados, como o porto de águas profundas de Sines e o aeroporto de Beja, teremos uma ligação excepcional com o resto da Europa, comercial e de passageiros. A questão não é só de interesse local como nacional.

Contudo bem se vê o que fazemos habitualmente com um e com outro. Lá encheremos a boca daqui por uns anos com o fatídico “atraso estrutural”.
É a vida.
Texto publicado no DS

11 de Setembro

Quarta-feira

Boa Fé

Enquanto o "caldo" não se abateu sobre o Alentejo foi possível estar fresco nas apresentações.
Esta foi feita numa rua da Boa-Fé.
O Luís Matias é um tribuno.

Terça-feira

Ainda na Torre mas já em acção

O Lúcio é um homem reservado mas decidido. E nota-se nele o ar confiante.
A Torre revelou-se uma surpresa. Primeiro sentida pelo entusiasmo da lista candidata à assembleia de freguesia. Depois porque as pessoas estiveram atentas. E por fim porque, segundo me disseram, estava ali gente que nunca tinha vindo. Foi um óptimo dia, daqueles que até pode acabar tarde, como, de facto, veio a acabar.

Na Torre

O meu amigo Natanael vai registando os momentos da campanha, aqui em compasso de espera.
Fui apanhado em preparação para uma pega de caras.

Em compasso de espera pelo arranque.



Quinta-feira

70 anos depois

Soldados fazem guarda em frente ao monumento em homenagem à Segunda Guerra Mundial em Westerplatte, na Polónia (Foto: Adam Chelstowski/Reuters)


Um pedido de perdão pode esperar pelo momento oportuno.

Um pedido de perdão por determinado acto é, em si mesmo, o epílogo de um processo que se deseja que nunca tivesse tido um começo porque, ao pretender aproximar o que se tornou em inconciliável, ele resolve o conflito interior do que comete o erro e é significante de uma nova oportunidade que se pede à vítima sob quem se perpetrou o erro.

Um pedido de perdão é um acto de coragem. Aceitá-lo também. E bem recompensado porque ele pode representar o renascimento ou a regeneração do ofensor e do ofendido. É a oportunidade de continuar o que foi interrompido.

Um pedido de desculpas por determinado acontecimento histórico pode transformar-se num outro acontecimento histórico na medida da sua própria escala.

É sempre longo e difícil o caminho que fazem os que pedem desculpa pelas atrocidades cometidas contra os povos. Esse caminho tem contribuído para fechar as feridas abertas na memória colectiva com a acção dos regimes ideológicos do ultraje, da humilhação e dos assassínios em massa. Mas impede também revisionismos históricos que pretendem relativizar ou até negar a existência do mal como estratégia política. Pasmo com os que distinguem ética e política.

Julgo que na nossa história recente uma das primeiras pessoas que fez um histórico pedido de desculpas foi Frederick de Klerk que, em 1992, pediu publicamente perdão pelo regime político de segregação racial e discriminação da África do Sul do apartheid.

João Paulo II, a propósito dos crimes cometidos pela Inquisição na Idade Média contra os que chamava heréticos, também pediu perdão. A Austrália pediu para si o perdão dos povos aborígenes.

O Estado Francês pediu recentemente desculpas pela colaboração criminosa de Vichy com o regime Nazi e a própria Alemanha também pediu perdão aos judeus pelo tremendo Holocausto do povo judeu.

O primeiro-ministro da Rússia, Valdimir Putin, dirigiu-se agora aos polacos num artigo publicado no jornal polaco Gazeta Wyborcza, para pedir desculpa pelo pacto Ribbentrop-Molotov, assinado em 1939 entre os nazis e os comunistas. Este pacto, que deu condições a Hitler para invadir a Polónia e permitiu às tropas de Estaline ocupar a zona oriental do País, marcou o início da Segunda Grande Guerra . Só a Polónia perdeu cerca de seis milhões dos seus cidadãos com o conflito.

Putin foi bem longe no pedido de desculpas ao declarar que a nação russa, que também sofreu a repressão estalinista, entende bem os sentimentos dos polacos acerca dos acontecimentos de Katylin (sic), onde, em 1940, foram massacrados cerca de 22 mil oficiais polacos pela polícia secreta soviética, com a intenção de arrasar com a elite do país ocupado.

A Polónia considera justamente que só foi liberta desta ocupação em 1989, ano em que foi constituído em Varsóvia o primeiro governo democrático pós guerra.

O pedido de desculpas de Putin, agora que se recorda os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial, é por si, um acontecimento histórico porque oportunamente marca o caminho da conciliação com a história. E esse caminho só pode ter um sentido, o feito em frente. Por isso não pode ser dúbio ou desmemoriado.

Putin e a Polónia encerram, assim espero, um capítulo da historia com um acto também ele histórico, com a humildade dos que pedem e a grandeza dos que dão.
Texto publicado no DS

Terça-feira

Há histórias que não conseguimos esquecer, outras que não devemos


Há histórias que não conseguimos esquecer. E se são as nossas histórias, quanto mais contadas, maior a tendência parecem ter para se tornarem aparentemente mais nítidas.

Primo Levi, sobrevivente dos campos de morte nazi e autor de Se Isto É um Homem ou Os que sucumbem e os que se salvam, abordou a questão da incredulidade e da inexpressão dos que recebiam o seu duro depoimento, o que fez dele um perseguidor do relato com objectividade. A falta de resposta ao porquê? nunca lhe permitiu a paz que pedia para si e para os outros.

Será possível a uma história conter a sua verdadeira dimensão dramática sem que isso signifique desvirtuá-la? Essa verdadeira dimensão dramática da História será ou não suficientemente eficaz para que não seja apagada da memória colectiva? Ou melhor, como funcionará a memória de uma experiência extrema?

Apesar das 3 décadas que nos separam da guerra em África, só agora começamos a enfrentar esse período sem os excessos pascalianos da razão e da sua exclusão.

Enquanto criança ouvi de familiares muitos relatos que enquadravam esta ou aquela situação aterradora e que, para alguns, não significou a morte.

Obrigados a abandonar o País muitos portugueses foram concentrados em campos de refugiados, principalmente na África do Sul. Nesse campo cumprimentavam-se entre si com um: Isso vai? A expressão que substituía o bom-dia, a boa tarde ou a boa-noite parecia indicar que era inútil ter esperança que as coisas voltassem a ser o que tinham sido. De facto nunca mais foram.

Hoje e no meio da destruição diária os iraquianos cumprimentam-se com um “Chako mako?”, que significa mais ou menos “Isso vai ou não vai?”.

Maad Fayad, jornalista de um jornal conhecido como o diário internacional dos árabes, fez a pergunta ritual a um viajante que lhe respondeu: Vai indo: carros armadilhados, atentados suicidas, tiros, cadáveres, inflação…

Por muito que queiramos que a História deva ser um antídoto para futuros “abandonos da civilização”, é certo que depois da II Guerra muitos outros genocídios e muitas outras guerras aconteceram. E discutir a dimensão de cada uma delas é qualificar para mais ou para menos o grau zero da humanidade.

Se nenhuma guerra é boa então porque parece ser tão difícil valorizar a paz que temos?
Comportamo-nos como se não tivéssemos memória própria. E se assim é como compreender as mais extremas que outros nos legaram?
Texto publicado no DS
Jorge Raposo, cabeça de lista do PS à Assembleia de Freguesia da Malagueira, apresenta a sua equipa.


José Ernesto, candidato à Câmara de Évora, elogia a dinâmica da equipa que vai ganhar a freguesia à estagnação a que esteve votada por quatro anos de governação da CDU.