Terça-feira

Ninguém pára aquilo

Assisti na bancada da Luz à goleada de 7 a 0, desculpem, 6 a 1 do Benfica frente ao Nacional. E fiz a festa com uns compinchas, dois deles melancias. Está na hora de mostrar ao pequeno Francisco porque é o Benfica o maior clube do mundo. E arredores.

Segunda-feira

Maioria Relativa

Imaginem José Sócrates obrigado a fazer governo com Manuela Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa como ministros.

O exercício que proponho parece absurdo até porque José Sócrates já formou o seu governo com um elenco prometedor. Mas só aparentemente se perde tempo com o que proponho.

Agora imaginem ainda que tanto Ferreira Leite como Jerónimo de Sousa eram Ministros mas sem pasta. Com direitos como o de aprovar ou desaprovar o programa do Governo, concordar ou discordar com a estratégia de governação e condicioná-la, mas sem os deveres de governar qualquer área ou a responsabilidade de responder perante os eleitores sobre factos da governação.

Acrescente-se que se Manuela Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa resolvessem juntar-se os dois teriam maioria e assim poderiam travar ou chumbar iniciativas do governo na sua acção executiva.

Há-de parecer-vos descabido mas é do que temos na governação de algumas Câmaras Municipais do País. É do que temos por exemplo na Câmara Municipal de Évora.

No sábado passado tomou posse o novo executivo da Câmara. José Ernesto d’Oliveira como Presidente da Câmara, dois vereadores do PS, três vereadores do PCP e um vereador do PSD. A disposição das forças é absolutamente igual à do mandato anterior.

Como é institucionalmente habitual o Presidente da Câmara dirigirá convites aos vereadores eleitos que assumam algumas pastas da governação. E como é hábito institucionalizado todos os vereadores da oposição declinarão o convite.
Farão parte do executivo mas apenas com direitos e o dever, segundo eles, de fazer oposição.

É certo que este problema, que é um problema na medida em que já mobilizou os dois grandes partidos para a sua resolução, não levanta, à partida, questões de governabilidade. Sobretudo o PSD evitará ser factor de instabilidade.
Do outro lado está o PCP, que já avisou ao que vinha, afirmando que votará contra tudo o que não esteja de acordo com o seu próprio programa. Nada de novo.

Independentemente da capacidade negocial de José Ernesto, que está provado ser grande, a acção da Câmara decorrerá à velocidade que a oposição entender.
Por isso insisto que imaginem José Sócrates a governar com os ministros Manuela Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa. De facto não se concebe.
Como não se concebe a aberrante representação proporcional nas câmaras municipais.

Em jeito de nota um abraço sincero ao Professor António Serrano, nomeado Ministro da Agricultura. Julgo que é motivo de orgulho para os que o conhecem e para os que tiveram a honra de com ele trabalhar.

Sexta-feira

Susana Pedro, ganhas tudo

A Susana Pedro ganhou (com mérito) uma Bolsa de Mestrado da Fundação Eugénio d'Almeida, com um tema em torno da qualificação dos recursos humanos no sector turístico do Centro Histórico de Évora. E eu estou orgulhoso.

Quinta-feira

Mudanças

José Ernesto d'Oliveira toma posse como Presidente no próximo sábado, às 15h, no Salão Nobre da Câmara Municipal. E, como é certo, dará início a uma série de reformas internas que prepararão o seu último mandato.

Como já tinha assumido ainda antes das eleições, há matérias ou áreas de actuação da Câmara que ficaram aquém do que era esperado. De forma a garantir uma melhor qualidade do serviço público prestado aos cidadãos o Presidente da Câmara será mais exigente e procederá a uma série de ajustes e mudanças internas com esse objectivo.

Terça-feira

Mau perder

Foram mais de dois meses sem crónicas, o que nos permitiu a todos descansar.
Não podia voltar a elas sem trazer o assunto que levou à sua interrupção: eleições.

Foram três e deram em resultados para todos os gostos.

Diz a democracia que ganha quem tem mais votos. Isso não impede que todos os partidos políticos comemorem no dia das eleições, o que faz da nossa democracia uma autêntica festa.

E é curioso que sobretudo os partidos menos votados pareçam ser os que mais entusiasmo sentem no momento da derrota eleitoral, o que faz perigar o próprio conceito de derrota eleitoral. Hoje ninguém perde em eleições.

Há contudo que exceptuar os eleitores:
Sobretudo os eleitores que deram a vitória a uns e não a outros, ou os que decidiram não ir votar permitindo assim que uns, porque movidos de uma certa militância religiosa, fossem uma maioria e eles, os abstencionistas, contribuíssem assim para o reforço da fé na vida política. Que não é o mesmo que maior confiança na política. E isso de religião e política nunca deu bom resultado.

E para tratar da saúde aos eleitores nada como Vasco Graça Moura.
Antes da vitória de José Sócrates nas legislativas nunca tinha visto o eleitor ser tão maltratado por um cronista. É que para Vasco Graça Moura a escolha de Sócrates para Primeiro-Ministro foi não só absolutamente vergonhosa como delirante e acrescentou que “só o mais profundo analfabetismo político, de braço dado com a mais torpe cobardia, explica esta vitória do Partido Socialista.”
É de um eleitor ficar com as orelhas a arder. Sobretudo se não tiver votado no PSD.

Mas não é a única novidade nesta relativização do processo democrático. E nem sempre o eleitor é responsabilizado. Aliás, muitas vezes é tratado como um simples tontinho, que se deixa levar pelo mal.

Em dia de eleições é sempre uma incógnita, por exemplo, saber o que vai comemorar o PCP. Depois de perder as autarquias de Viana do Alentejo, Aljustrel, Vila Viçosa e Beja (entre outras) a curiosidade aumentou.

Lá ouvi Jerónimo de Sousa a fazer uma leitura positiva dos resultados eleitorais autárquicos. E acrescentar que Beja foi perdida porque o PS se entendeu com algumas “forças da direita”. Para os comunistas os eleitores não costumam ter voto na matéria. Aliás, como se diz em Setúbal, se Votas na CDU quem escolhe o Presidente não és tu.

Menos simpático esteve Eduardo Luciano que também não sente que tenha perdido alguma coisa só porque perdeu as eleições. Eduardo Luciano tem para si que só não é Presidente da Câmara de Évora porque o PS “comprou consciências” e usou “as fragilidades sociais” a seu favor. Enfim, o candidato derrotado do PCP só não ganhou porque o outro lado é maléfico e enganou as pessoas.
Maniqueísmos e muito mau perder.

E vou até mais longe com a história de uma mãe fervorosamente comunista que divulgou embevecida uma carta escrita pela sua jovem filha, onde esta ofende sem pudor o eleito Presidente da Câmara pelos eborenses e os próprios eborenses que elegeram quem entenderam eleger.

Não é a má-educação da jovem que é preocupante, ela terá o seu tempo para perceber que, quando se é muito jovem, são maiores as probabilidades de repetir idiotices. A mãe sim, porque parece orgulhosa na verborreia da jovem filha. Como é que alguém consegue ficar tão contente com tão mau resultado?

Quinta-feira

Quando um se transforma em dois

Ficámos a saber hoje. Na ecografia em vez de um pequenote demos com dois. Quando a alegria é a dobrar.

Quarta-feira

Por falar em vândalos

Fica registado o patrocínio de um blogue de chafurda local à candidatura autárquica do PCP, anónimo como manda a pulhice.

Vandalização

Não há forma de manter os outdoors colocados nas freguesias. Umas horas depois da colagem rasgam-nos. E hoje a mandatária financeira da campanha encontrou o seu carro vandalizado. Há quem viva mal com a democracia. As acções ficarão sempre com quem as pratica.
Agora com licença que tenho de pedir nova colagem de outdoors vandalizados em Valverde, Bacelo, S. Miguel de Machede e Torre de Coelheiros.

Sexta-feira

Aquilo é tudo gente zangada

O PCP, em Évora, acredita que terá os votos dos zangados. Novidade? Zangados votam em zangados.