A fantasia de um Alentejo pitorescamente indolente substituiu injustamente a realidade dura das vidas feitas numa terra difícil.
Confundiu-se a virtude da paciência com a complacente preguiça.
Esta etiqueta de terra de bonomia pode até, em certa medida, ter sido útil para o imaginário do turista mas nem por isso é mais autêntica. E a serenidade com que o Alentejo aceita a marca é reveladora o seu bom carácter.
Há contudo uma ficção do Alentejo, que, por ser mais vivamente vulgarizada maior injustiça faz aos alentejanos, a da sua melancolia com a desgraça.
Quiseram as circunstâncias que a luta que esta terra travou com a ditadura a substituísse pelo ideológico fado da pobreza e da inutilidade do esforço, como o decretado destino do rebelde Sísifo. A alguém interessou a insistência no jugo.
Hoje, sempre que escuto as vozes proféticas da derrota e da miséria, percebo a saudade de algumas velhas ideias, mas de nenhuma realidade. É quase como defender que as coisas voltem ao que nunca foram.
Não que a fome não cá tenha feito das suas. Mas não há inevitabilidades. Fica provado com o acto dos que daqui tiveram de partir e dos que cá ficaram. Ninguém resignou.
Em todas as suas experiências de governação democrática esta terra procurou genuinamente o avanço. Contudo é impossível o progresso sem mudança.
O irlandês Bernard Shaw disse certa vez que os que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.
Digo eu que a ideologia cristalizada, convenientemente arvorada de revolucionária, não acompanhou as “saudades do futuro” dos governados. Prometia-o mas protelava. Depois o muro caiu deixando à vista tudo o que escondia.
E no meio desses escombros não deixa de ser imaginoso um persistente e miudinho queixume, nostálgico com o tempo em que havia muro.
Tão pitoresco o queixume que pode mesmo vir a tornar-se num bom produto turístico. Aproveite-se o registo da marca. Avance o merchandising. Venham os empregos. Pena é não ser nova a ideia.
Os meus parabéns ao Diário do Sul pelos seus genuínos 41 anos de resistência e persistência. Muito me honra o seu abrigo.
Confundiu-se a virtude da paciência com a complacente preguiça.
Esta etiqueta de terra de bonomia pode até, em certa medida, ter sido útil para o imaginário do turista mas nem por isso é mais autêntica. E a serenidade com que o Alentejo aceita a marca é reveladora o seu bom carácter.
Há contudo uma ficção do Alentejo, que, por ser mais vivamente vulgarizada maior injustiça faz aos alentejanos, a da sua melancolia com a desgraça.
Quiseram as circunstâncias que a luta que esta terra travou com a ditadura a substituísse pelo ideológico fado da pobreza e da inutilidade do esforço, como o decretado destino do rebelde Sísifo. A alguém interessou a insistência no jugo.
Hoje, sempre que escuto as vozes proféticas da derrota e da miséria, percebo a saudade de algumas velhas ideias, mas de nenhuma realidade. É quase como defender que as coisas voltem ao que nunca foram.
Não que a fome não cá tenha feito das suas. Mas não há inevitabilidades. Fica provado com o acto dos que daqui tiveram de partir e dos que cá ficaram. Ninguém resignou.
Em todas as suas experiências de governação democrática esta terra procurou genuinamente o avanço. Contudo é impossível o progresso sem mudança.
O irlandês Bernard Shaw disse certa vez que os que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.
Digo eu que a ideologia cristalizada, convenientemente arvorada de revolucionária, não acompanhou as “saudades do futuro” dos governados. Prometia-o mas protelava. Depois o muro caiu deixando à vista tudo o que escondia.
E no meio desses escombros não deixa de ser imaginoso um persistente e miudinho queixume, nostálgico com o tempo em que havia muro.
Tão pitoresco o queixume que pode mesmo vir a tornar-se num bom produto turístico. Aproveite-se o registo da marca. Avance o merchandising. Venham os empregos. Pena é não ser nova a ideia.
Os meus parabéns ao Diário do Sul pelos seus genuínos 41 anos de resistência e persistência. Muito me honra o seu abrigo.

