Quarta-feira

Quase não se pensa

Vejo amiúde a oposição na Câmara Municipal de Évora usar como argumento político a falta de transparência na acção do executivo camarário. É um argumento preguiçoso que só é desculpável a quem está de fora, desconhece os processos de decisão camarários e o circuito que faz uma qualquer proposta até que seja aprovada.

Mas mesmo para esses é sempre possível participar em todos os debates que bem entenda, bastando para isso recorrer aos vereadores da oposição, ao próprio executivo, cujo tempo é parcialmente ocupado a receber e ouvir as pessoas e a assistir e colocar questões em reuniões de Câmara e na Assembleia Municipal.

Depois acusações tão vagas como esta, sem que se concretize o que se receia, ficam-se por aí. É o mesmo que acusar que se duvida sem que se diga do quê.

Quase que ninguém tem desculpa, quanto muito preguiça.

Tenho quase a certeza que sim.

Terça-feira

A bem ou a mal


A minha opinião é a minha opinião e, com ela, não vinculo mais ninguém. Se fosse tão óbvio como parece seria escusado dizê-lo. Mas não é. Daí esta espécie de linha editorial ou declaração de interesses.


A propósito calha que conheço melhor o Estado que conheço os meus vizinhos. Por profissão mas sem vínculo. Precário mas livre, que é o que mais prezo.


O lugar-comum da crise é mesmo assim, comum. Nem vale aprofundar.


Acontece que já tivemos muito menos do que temos hoje mas também já tivemos muito mais e isso cria hábitos difíceis de perder. Daí que compreenda em absoluto o desconforto que causa ter recursos limitados.
Para quem os gere e para quem deles beneficia.


Ora a responsabilidade deste problema está nos que fizeram acreditar que o Estado resolveria todos os problemas, como se tivesse recursos ilimitados e eles proviessem de uma fonte de quem não deveríamos sentir pudor em explorar. O que resulta numa espécie de lenta autofagia.


A ideia diminuiu o papel do indivíduo, meteu-se na vida dele e habituou-o a uma vaga paternidade.


Só que quem olha para esse Estado do lado de dentro, rapidamente conclui que ele comporta-se da mesma forma que uma rede de abastecimento de água. Ela desperdiça uma boa parte dos recursos antes que cheguem à torneira. E quando estes não abundam resta a quem gere a coisa pública reduzir um pouco o caudal, esperando que a medida resolva o problema. Para muitos a estratégia é esperar que chova de novo e em quantidade suficiente para que se volte à falsa sensação que água é um bem ilimitado.


Mas estamos no limite. Daí que a questão só falsamente é ideológica e, por isso, deve ser posta no âmbito da razoabilidade.


Às fórmulas menos Estado ou mais Estado contrapõe-se a do Estado mais eficaz. Sobretudo porque só um Estado eficaz pode salvaguardar o interesse dos seus cidadãos.


E um Estado eficaz concentra-se na sua missão, zelando directamente pelas garantias, liberdades e direitos destes, como a saúde, a educação, a justiça, a segurança e a protecção social. Mas também lhe compete criar condições para a existência de uma iniciativa privada regulada e competitiva.


Mas o Estado que temos só a muito custo faz o que lhe compete. Primeiro porque em determinados aspectos rivaliza deslealmente com a iniciativa privada e o facto tem um custo para os contribuintes. Não só o faz de forma incompetente como se faz pagar bem caro.


Depois porque a própria estrutura pública suplanta em poder qualquer vontade política democraticamente eleita. E a despesa é sempre paga pelos reformistas.


O Plano de Estabilidade e Crescimento pode e deve transformar-se num instrumento que dote o nosso sistema de razoabilidade. Queiramos que a inevitabilidade se transforme numa oportunidade.


Ou, de outra maneira, não percamos peso só porque temos menos que comer mas sobretudo porque isso nos vai fazer bem.

Quinta-feira

A oportunidade do PEC

Os tempos não são fáceis.
O Estado está como a rede pública de água, desperdiça grande parte dos recursos antes de chegar às torneiras.
Remédio? Abre-se menos a torneira.
Pois eu acho que é uma boa altura para tratar da canalização.

Quarta-feira

Boutade

Há 100 anos o País fervilhava de republicanismo. Os portugueses invejavam o progresso da Europa. Pelo menos os portugueses das cidades, porque os do campo tinham outras coisas com que se maçar.

Para alguns coevos críticos, que exceptuam o regicídio, a falta de água canalizada e as epidemias de tuberculose, tudo o resto parece semelhante aqueles tempos. Mas o que são os velhos do Restelo que não uma respeitável criação nacional?

Para mim só a mentalidade pode ter sido mais lenta mas todos sabem como demora a mudar-se. E como temos pouca memória é bom consultar as velhas obras que, por não serem assim tão santas, merecem que se lhes toque com devida frequência.

Aquilino ou Eça, os meus favoritos. Um pragmático e o outro contundente.

Aquilino Ribeiro tinha uma boa para os convictos do queixume. Apontava-lhes o paradoxal espírito de superioridade dos ignorantes.

Eça estudava os costumes. Foi ele que deu um nome à mediocridade política do reino. Chamou-lhe Conselheiro Acácio.

Por isso e só em parte acho concreta a recorrência aos males lusitanos. Achamos muito e verificamos muito pouco. Que é isso que não falta de educação?

Oliveira Martins sentenciou em 1888: maus compêndios, piores professores e programas que até podiam ser excelentes, não fossem puras hipóteses burocráticas.

O Portugal de hoje continua a desejar o progresso mas ocupam-no com fait-divers, como se fosse feito de gente ignorante.

E é certo que hoje sabemos mais mas, provavelmente, não sabemos ainda o suficiente.

Assim respirem os que temem pelo fim do regime. Parece que ainda falta muito para o cumprir.

Terça-feira

Sociedade Recreativa e Dramática Eborense
COMEMORAÇÃO DO DIA MUNDIAL DO TEATRO TEATRO OLIMPO
Apresenta a sátira
O QUE HÁ MAIS SÃO HOMENS
27 de MARÇO de 2010 – 21,30 h(Sábado)
De C. Simões e L. Veríssimo
Direcção Artística e Encenação de Casimiro Simões
Entrada Livre

Sexta-feira

Só para adultos


No Intensidez, em Évora, esta sexta-feira, da 19 de Março, às 22:00 horas.

Terça-feira

O progenitor da crise

Não sei onde li isto, mas li. Que os japoneses procuram resolver uma asneira antes de se concentrarem em encontrar o culpado. Isso não faz da “terra do sol nascente” leviana. É que os japoneses são exímios em resolver os seus problemas. Ninguém como eles sofreu bombardeamentos nucleares. Contudo o facto não impediu que em menos de 50 anos o Japão se transformasse numa potência mundial. Ao que parece sem ressentimentos.

Nós, portugueses, habitualmente pouco pragmáticos, mais do que querer saber como ultrapassar obstáculos concentramo-nos nos culpados. E se tivermos parte no disparate o instinto de sobrevivência faz-nos imediatamente procurar culpáveis, que não é bem a mesma coisa.

Dito isto entendo que Portugal não se pode queixar do seu percurso enquanto nação. Em três décadas melhorámos radicalmente a nossa qualidade de vida. Provavelmente tivemos mais do que era possível ter. E embora o que somos seja, em parte, fruto do que conseguimos ser, existem também factores externos que nos condicionam. Parece óbvio.

A crise mundial, por exemplo, está a ser um embaraço à nossa ambição. Não temos a culpa mas a asneira está a fazer-se pagar caro.

Ora faz-se o que se tem de fazer e daí não podemos fugir. Depois e porque temos memória fraca poderá ser útil relembrar de quem é a responsabilidade deste problema. Porque a crise tem paternidade.

Foi criada pela voracidade especulativa dos mercados e ampliada pela nossa fé absoluta na mão invisível que cuida da regulação desses mercados. Maastricht evangelizou-nos.

Então é preciso voltar aos verdadeiros culpados lembrando-os e tratando que não saiam impunes.

Não bastava a atrapalhação de governos e respectivos países em enfrentar a asneira criada pela especulação. Os especuladores brincam agora com a dívida pública dos países europeus.

Primeiro a Grécia, depois uma tentativa com o nosso país. O assunto é tão grave que mereceu avisos de Durão Barroso, também ele um devoto. Só que isto já não vai lá com avisos.

Daí a utilidade de apontar culpados e agir. Porque estão a precisar de pedagogia e de regulação nos hábitos.
É que à primeira todos caem, à segunda cai quem quer. Daí para a frente já é burrice.

A Carolina e a Beatriz II


O Susana está que nem pode. Só tem de esperar mais um mês. A partir de 15 de Abril a família Costa pode contar com mais dois elementos. Estamos preparados para a berraria em dolby surround.

Sexta-feira

Eu também acho Proença, eu também acho.

Está convencido da razão de Sócrates?
Absolutamente convencido.
E acredita que existe uma campanha de alguns órgãos de comunicação social contra o primeiro-ministro?
Acho que, designadamente no primeiro mandato, o seu espírito reformista, dinamismo, coragem em enfrentar interesses instalados, sem dúvida, atingiu muitos interesses. E ele sofreu a reacção. Também não sou ingénuo ao ponto de pensar que os media e algum jornalistas em particular só se movem por interesses altruístas. Quase todos estão ligados a poderosos grupos com interesses poderosos. José Sócrates, por exemplo quando se lembrou de iniciar um processo para um novo canal de TV atingiu os interesses dos canais instalados. E não falo noutros casos porque posso ser mal interpretado, mas é evidente que há interesses muito concretos e visíveis ao primeiro-ministro com a tentativa de lhe retirar credibilidade. E também é evidente, em alguns meios e jornalistas, que a persistência com que, de forma falsa deturpada ou insinuatória, falaram de determinadas situações sem base em factos mas antes em boatos ou pequenos aspectos desgarrados mas que se lhes dá configuração ligante, acabaram por inventar uma série de casos que não têm consistência. Em relação aos processos que instaurei em nome de Sócrates, não tenho a mínima dúvida de que Sócrates não tem nada de reprovável a apontar e que essas notícias e reportagens foram construídas…
Mas uma campanha?
Não orquestrada, com maestro. Há várias, vários focos de interesses e alguns ódios pessoais. Não consigo ver de outra forma a persistência ou mesmo teimosia com que se continuam a fazer afirmações que não são verdadeiras e muitas vezes se fazem de forma insinuatória e lançam esta cortina.
Excerto de entrevista a Proença de Carvalho, advogado de José Sócrates

Quinta-feira

Animais desleais

Na arca de Noé viajavam uns animais de desconfiar: o cuco que a esburacou e o rato que se pôs a andar.
Eu só queria saber como pensa o rato safar-se.

Quarta-feira

Estes tipos não leram o Público de hoje?

A OCDE diz que o País está no rumo certo que assegura a confiança nos mercados.
Espantoso. Eu já tinha perdido a fé depois de ler os comentários ao PEC feitos por "especialistas" no Público de hoje.

Sexta-feira

Para lamentar


Good Night, and good luck não me sai da cabeça desde que o País político se meteu por estes ínvios caminhos de querer provar um alegado crime recorrendo a crime efectivo, o que, em resultado, tem representado continuadas violações dos direitos individuais e nos coloca perante as fragilidades na protecção do mais público de todos os segredos, o segredo de justiça.

E a origem do terror não está no Governo.
O que me parece é que, em nome da liberdade se ameaça a própria liberdade. Afinal uma caça às bruxas é uma caça às bruxas. O que implica muita lenha e muitas bruxas.

Assim começam as comissões parlamentares, com todos os ingredientes que fazem do Parlamento um local menos monótono. Mas se as ditas comissões servissem a verdade não tinham sido precisas oito para concluir verdade nenhuma na tragédia de Camarate.

Motivo? São instaladas na base de um pressuposto político-partidário que pretende apenas tirar vantagem política do adversário que, no caso, é só Primeiro-Ministro do País.

Alguém duvidará do teor das conclusões de uma Comissão maioritariamente composta pelo BE, PCP, PSD e CDS?

Até ao momento não vi José Sócrates negar-se a dar explicações. Não o vi intimidado com o facto de haver escutas às suas conversas privadas sabe-se lá nas mãos de quem. Não o vi ainda abandonar o barco como outros fizeram na primeira oportunidade.

Mas esta perseverança terá um limite.
E a ele chegado Sócrates sentir-se-á no direito de querer ver esclarecidas duas questões. Se os portugueses acham que este ainda tem condições para ser Primeiro-Ministro e se os portugueses querem que Sócrates tenha condições para Governar.

O que não se lhe pode pedir é que caminhe amarrado para o altar dos sacrifícios enquanto bezerros dourados aguardam que nos dobremos a louvá-los.

Quinta-feira

Porque

Com a ajuda do Mário julgo ter descoberto de onde tirou o Fernandes o mote da sua vida. A adaptação musical de um trabalho da Sophia de Mello Breyner

http://www.youtube.com/watch?v=IT_31oLD8eg

Quarta-feira

Isto promete

Já sei que vão dizer que o PS ataca o Rangel porque tem medo dele. O que me parece é que Rangel até fazia um grande favor ao PS se fosse eleito líder do PSD. Agora e comparado com o Passos Coelho, não ficam muitas dúvidas. Passos Coelho é quem pode vir a dar maior dor de cabeça aos socialistas (mesmo tendo em conta a sua grande fé no mercado).

Terça-feira