Quarta-feira

Adeus Mundial 2010.

Não fomos brilhantes no mundial. Para isso era preciso ganhá-lo. Mas também não nos portámos mal e não vale a pena deitar as culpas no Queiroz. Fez o que era possível fazer: deixou o País sonhar até aos oitavos de final. Ora incrédulos, ora eufóricos.
Somos assim, oito ou oitenta. Ontem a Espanha deixou-nos onde sabemos. Até 2012.

Segunda-feira

Fernando Nobre amanhã em Évora

Às 18.30 – Inauguração da Sede Distrital de Évora sita no Largo Alexandre Herculano nº. 8

Às 20.00 – Jantar com apoiantes no restaurante situado nos antigos celeiros da EPAC,

Às 22.00 – Presença no stand de candidatura instalado na Feira do S. João, seguido de visita aquele certame.

Estado e iniciativa privada

O Estado Central e as Autarquias têm estado empenhadas na promoção de programas de incentivos que apoiam a iniciativa privada. Outras instituições têm-se envolvido na criação de mecanismos que facilitem o acesso aos meios seja por via das acções de formação, seja pelo seu importante papel de assessoria aos empresários e futuros empresários na preparação das suas candidaturas aos programas de apoio.

Um dos problemas que tem de ser ultrapassado prende-se não só com a agilização dos processos como na rapidez com que o financiamento chega às mãos dos empreendedores. Neste aspecto e sob o meu ponto de vista o problema da lentidão das decisões afecta a própria capacidade de decisão dos empresários e tem criado alguns obstáculos nas respostas às oportunidades. E como sabemos o empresário vive das oportunidades. Tenho a convicção que este é um problema identificado e que as Instituições tudo têm feito para o superar.

Mas julgo que o maior dos problemas esteja ligado precisamente à questão das oportunidades. O Estado (e aqui incluo o poder local) não pode por um lado fazer o esforço (que está a fazer) de construir infra-estruturas, promover o emprendedorismo e facilitar acesso ao financiamento e por outro competir com a própria iniciativa privada. Muitas vezes a classe empresarial adjectiva esta concorrência de desleal.

Devo esclarecer que não deve ser confundido com concorrência desleal nenhuma das obrigações a que o Estado está vinculado e que se prendem com questões de serviço público já que a decisão dessa prestação por parte do mesmo Estado é sempre uma decisão política.

Contudo é desejável que a comunidade política decida quais devem ser os aspectos que o Estado deve prover necessariamente a todos os cidadãos. Tal facto não deve impedir que este recorra à iniciativa privada e a contrate para que preste ela determinado tipo de serviços com vocação ou onde se perceba que a dimensão das empresas, por uma questão de escala, possa ser uma mais-valia na prestação desses mesmos serviços.

O Estado tem-no feito gradualmente e espero que reforce ainda mais esta tendência. Será uma forma de incentivar e reforçar o papel da iniciativa privada na prestação de serviços às comunidades, criando verdadeiras oportunidades que serão certamente recebidas com responsabilidade e que contribuirão para a criação de mais riqueza e maior justiça social.

Terça-feira

Empreender aprende-se


Para um cada vez maior número de jovens mas ainda para um número insuficiente, face ao que são as nossas necessidades de desenvolvimento, será na Universidade que surge uma primeira oportunidade para se ser empreendedor.


Existe assim uma responsabilidade das instituições de ensino que ultrapassa a questão da formação académica e que é a de formar cidadãos dotados de capacidade que lhes permita “sobreviver e prevalecer” depois da universidade. Elas não estão sós nessa assumpção (a colaboração entre elas, entidades empresariais e associações de desenvolvimento é real e tem resultados).


Mas a capacidade de ter iniciativa não deve ser exclusiva dos que têm o privilégio da formação superior. Se bem que democratizado o acesso ao ensino superior a livre iniciativa, como é óbvio, não é exclusiva dos licenciados.


Muitos que estão fora do sistema já provaram e têm provado grande capacidade de criar emprego e riqueza. A formação em empreendedorismo pode e deve ser absolutamente abrangente porque o facto de se empreender não é coisa inata, aprende-se. E mesmo aqui as oportunidades serão partilhadas. Pelas instituições de ensino que ganham novos públicos e por todos aqueles que querem empreender mas não saberão como.


E se formos levados a acreditar no número de portugueses que respondeu a um estudo de opinião Eurobarómetro, lançado pela Comissão Europeia e que refere que 51% destes gostaria de trabalhar por conta própria, poderemos facilmente concluir que só não o fazem porque precisam de saber como.


Contudo repare-se que em 2002 esta vontade era bem superior, quando 71% dos entrevistados declarava que era seu desejo trabalhar por sua conta. Ainda assim uma taxa superior à verificada nos restantes países europeus.


A motivação de trabalhar por conta de outrem está ligada à estabilidade e às condições de emprego e a de trabalhar por conta própria é sobretudo motivada por sentimentos de independência e crescimento pessoal. O panorama económico actual permite compreender porque se teme mais arriscar e quem o faz confronta-se com as dificuldades de acesso ao financiamento.


Mas que tipo de empreendedores formar?


Hoje a qualidade dos nossos empresários está ligada à sua capacidade de adaptação e sucesso frente aos complexos desafios que se nos apresentam.


Assim como a qualidade dos nossos lideres.

E também me parece certo que não só os empresários de sucesso dependem da sua capacidade de liderança como os nossos líderes políticos não podem fugir à necessidade de gerirem as entidades que tutelam de forma empresarial, sobretudo porque numa sociedade de organizações como a que vivemos a empresa constitui o paradigma de todas as outras.


Assim os empreendedores que se construírem hoje deverão representar uma mudança de modelo. Em vez de burocratas ou avessos à mudança, os empreendedores de hoje terão de ser lideres, flexíveis, capazes de ver por detrás de cada ameaça uma oportunidade. Trabalhem para si ou para outros.


A questão da responsabilidade social também já não é nem pode ser exclusiva das instituições. A ética empresarial já não se resume apenas a um assunto do campo moral mas impõe-se mesmo como resultado do pragmatismo dos empresários. Trata-se não só de saber como ganhar mais dinheiro, sendo competitivo, mas como fazê-lo de forma sustentável.

Segunda-feira

Memorável

A vitória de Portugal por 7 a 0 à Coreia do Norte, no campeonato mundial de futebol, na África do Sul. Raul Meireles (29), Simão Sabrosa (53), Hugo Almeida (56), Tiago (60 e 89), Liedson (81) e Cristiano Ronaldo (87).

Uma exposição extraordinária

A Love Story, no Palácio de D. Manuel, até 31 de Agosto. Já é recordista em visitas.

Sexta-feira

Morreu Saramago, já toda a gente sabe

Mas eu não podia deixar passar a perda sem referência e deferência.

Estranhem o que não for estranho

anne frank huis

A Holanda[1], o meu país dilecto da tolerância, não passa de uma ideia que dele elaborei.


É o que depreendo da vitória do Partido da Liberdade de Geert Wilders e a vontade de uma maioria de holandeses que, segundo o escritor Rentes de Carvalho, residente na Holanda há 54 anos, estava farta do politicamente correcto dos Trabalhistas, agora apeados do poder.


Afinal os Holandeses não são os mais tolerantes. Iludiram-se que sim e iludiram-me a mim mas a sua tolerância é só indiferença, daquela que permite que se esmague a felicidade e inflija sofrimento a outros sem que se perca o sono com isso.


E o que justifica tudo isto? A crise, o desemprego, a insegurança e a falta da confiança generalizada. Aquela que nos leva a perceber com maior profundidade a importância que tem a generosidade das novas gerações que, se bem que prejudicadas pela ausência das garantias em que as fizeram acreditar, ainda assim confiam fervorosamente que poderão fazer melhor e se empenham com todas as suas forças. Em cada um dos seus países ou fora deles quando tem de ser.


O que tem justificado na história da humanidade cada um dos seus retrocessos civilizacionais? As crises resultado e resultantes da falta de sustento, da insegurança e da ambição de inúmeros déspotas mais ou menos esclarecidos. E o que o tem permitido é a indiferença de muitos.


Daquela indiferença que Thomas Mann traduziu em falta de humanidade. Que leva homens e mulheres a fazerem coisa nenhuma, a desdenhar de tudo e de todos, desprovidos de simpatia, tanto quanto letárgicos e que desistem de agir sobre o espírito dos outros, o que acaba por chocar o mundo tão convencido do seu próprio valor.


Será sempre melhor estar do lado do mundo mesmo que ele se afaste momentaneamente por nos achar ingénuos.


Eu devia ter percebido quando percorri as ruas de Amesterdão, entusiasmado com a coexistência pacífica de tanta diferença, que o que via e sentia não era tolerância mas apenas indiferença.


E agora, por causa dela, o medo tomou conta da Holanda.


[1] Os Países Baixos são frequentemente chamados de Holanda, o que é formalmente incorrecto, já que as “Holandas” do Norte e do Sul são duas de suas doze províncias). Visto no Wikipédia.

Terça-feira

A Vanguarda

Será a emigração má?

Dou por mim a pensar nisto na véspera de uma despedida de um irmão que parte para o Qatar. Juntar-se-á a outro que já percorre o mundo há mais de 10 anos.
Nós portugueses, somos emigrantes há mais de 500 anos e a nossa história está condicionada por esta apetência.

Precária situação económica, condições políticas desfavoráveis, busca de melhores oportunidades. Eis os motivos que sempre nos impeliram para fora.
Apesar de sermos poucos sempre olhámos para o País como demasiado pequeno para nós.

Primeiro para África e ilhas atlânticas com as conquistas, para Oriente como a descoberta do caminho marítimo para a Índia, Brasil pelas riquezas e oportunidades de negócio, para as possessões Espanholas no período filipino, para muitos países europeus durante a expulsão dos judeus portugueses, Américas por via do Brasil, novamente África com o incremento das políticas de colonização, de novo a Europa depois da II Guerra Mundial e um pouco por toda a parte em vésperas do 25 de Abril de 1974.

Quem se impressiona com o número de portugueses que actualmente procura uma oportunidade no estrangeiro que dirá do facto de só entre a década de 50 e a de 70 do século passado mais de um milhão e meio de portugueses ter saído para fora em busca de melhor vida?

E porque sublinhar sempre os aspectos negativos de uma epopeia que começa sempre que alguém decide procurar uma oportunidade fora do seu País?

É demasiada a pretensão de olhar para essas pessoas como gente de futuro, cosmopolita e feliz na diversidade? Ou chamar Pessoa substituindo o homem e a mulher desenraizada pelo cidadão plural que bebe de todas as culturas e de todas as civilizações, o miscigenado universal?

E se nos acharmos impotentes com a distância que separa familiares porque não dar a oportunidade aos que acolhemos no nosso país, também eles distantes dos seus, com as mesmas angústias e medos, a que possam contribuir para o nosso enriquecimento mais do que com as suas rendas e impostos, mas cultural e civilizacionalmente? Sermos simplesmente hospitaleiros.

Optimista e entusiasmado, decerto, mas não tanto quanto o que o meu jovem irmão. E é ele quem se despede. Como ele vão muitos. Só teremos perda se não retornarem. E esse pode ser o maior drama da nossa emigração.

Não o acto de ir mas o de não querer voltar.

Manuel Alegre

Confirmou e desconfirmou. Ficou adiada para data incerta a vinda de Manuel Alegre ao Clube Eborense. O adiamento já tinha sido declarado pelo próprio Clube, via facebook, faz uns 8 dias. Falhou-me ter dar conta da vinda e nada ter dito do cancelamento. As minhas desculpas aos que confiam nesta fonte.

Quarta-feira

A alternativa

Volto à carga, a crise tem um pai.
Mas ou não o reconhecemos ou esquecemo-nos dele. Daí que não sejam comuns as ligações entre a sua génese e os ataques especulativos às dívidas soberanas de países como Portugal.

Muitos apontaram que se tratava de um ataque ao euro por via dos seus elos mais fracos. Poucos se indignaram com o facto de estarmos de novo nas mãos da ganância que já tinha deixado o planeta à beira da catástrofe e a quem os Estados tiveram de socorrer, sob pena de eles próprios serem arrastados com o colapso da estrutura financeira internacional.

Nesta reacção confiei que a política se assumiria de novo como verdadeiro poder e que o mercado se submeteria à sua condição de instrumento capaz de ajudar a responder aos anseios da Humanidade. Enganei-me, com bem se vê.

Faltou regulação ouviu-se em uníssono. Excepção seja feita aos tímidos que acham que os Estados não servem para nada senão atrapalhar a livre iniciativa. Mas eu duvido que ela exista sem Estado. Ou até existirá mas não contemporiza com os mais fracos.

Fico com a impressão que o especulador, essa massa de gente onde conhecemos muito poucas caras, se atrapalhou um pouco com o resultado da sua procura desenfreada pelo lucro, esperou que os Estados emendassem os seus erros e cobrissem os buracos por eles criados e que agora sentiu de novo condições e oportunidades nas dificuldades dos mesmos Estados, a quem se reconhece a falta de alternativas senão as de dar resposta à emergência da crise.

A que recorrem então os Estados? Aos impostos que são o custo de viver em sociedade e à manutenção possível de investimentos que possam vir a ser uma oportunidade de futuro. A direita contudo clama pelo seu fim porque para ela são despesas. A sua lógica é sempre a do ganho sem contrapartida que não seja a da caridade, uma espécie de descarga da consciência. Para a esquerda radical o programa é o que sempre foi: o do quanto pior, melhor. Se estoirar, perfeito.

E é neste ponto em que nos encontramos.

Todos os governos em exercício pagam pela impopularidade das medidas que se vêm obrigados a impor aos seus cidadãos. O Governo de Gordon Brown foi o primeiro. Por cá será difícil sermos excepção. No Reino Unido os conservadores e os liberais chegaram a um entendimento e formaram um governo de coligação com um programa avassalador de corte da “despesa” estatal que, segundo estimado pela imprensa inglesa, eliminará mais de 300 mil postos de trabalho na função pública, abrangendo milhares de directores de serviços de saúde, médicos e enfermeiros ingleses.

Será isto apresentado como alternativa às medidas de contenção do Governo de José Sócrates?