Terça-feira

Regionalizar a custo zero

Qualquer coisa que se acrescente à ameaça de crise política é jogar gasolina para cima da fogueira e eu, como cidadão, desejo dos partidos políticos o que todos os cidadãos deles desejam: razoabilidade.

O certo é que no meio de tanto ruído, que é forma de tornar desinteressante o que realmente interessa, há quem faça pela razoabilidade o que o jogo político parece agora evitar. Chama-se incluir, negociar, concessionar, ajustar, enfim, procurar unir em torno de uma visão ou ideia que não se esgota na lógica partidária.

É necessário quando se tem sentido de Estado na defesa dos interesses do país. Não dos interesses do PS, do PSD, de qualquer corporação, sindicato, empresa ou agremiação. Do país.

E é com vontade de negociar que Capoulas Santos, que dispensa apresentações, introduz na agenda política nacional o tema da Regionalização. Aparentemente inusitado o momento, há um argumento que parece pesar na escolha dele para retomar este debate: o facto de ser um momento difícil para o País, que já testou tudo menos uma organização descentralizada, assente nas cinco regiões.

E há um segundo argumento de Capoulas Santos que arrasa com a ideia mais insistente dos que argumentam contra a Regionalização e que, julgo, acabou por pesar na decisão do não, no referendo de 8 de Novembro de 1998: a ideia de que a Regionalização é aumento da despesa.

Para o eurodeputado e candidato à Federação Distrital de Évora do PS Regionalização só a custo zero. Como? Reduzindo o número de cargos políticos de uma forma que os lugares criados sejam em número bastante inferior aos extintos e que enumera sem timidez. Assim mesmo, a Regionalização é uma condição para reduzirmos despesa.

Mas a nitidez das propostas vai bem mais longe.

Primeiro: uma regionalização total, recusando uma feita aos bochechos, como aquela ideia peregrina de experiência piloto.

Segundo: uma regionalização onde todos os partidos da oposição sejam incluídos no debate que definirá o próprio modelo de regiões.

E terceiro: uma Regionalização porque as pessoas querem e não porque se lhes impõe. Por isso defende que Regionalização só com referendo.

Este programa político que, suspeito, não sucumbirá ao mandato de dois anos, é transversalmente mobilizador. E, para dar o exemplo interno, Capoulas Santos acrescenta que é preciso começar por regionalizar o PS. Nem mais.

É de um fôlego assim que estamos todos precisados.

Quarta-feira

CAVACO SILVA OS TGV E O MAR

Recebi do António Brotas, a quem agradeço, o texto que publico integralmente:
Leio num título dos jornais de hoje que Cavaco Silva "critica anos a fio" de debate sobre o TGV.
Será que o economista Cavaco Silva não se apercebeu que não houve, salvo no interior de algumas poucas instituições como é o caso da Sociedade de Geografia de Lisboa, nenhum debate sobre os TGV em Portugal, mas sim um bloqueamento de todo o debate sobre os TGV para impor a solução da ponte para o Barreiro e a passagem dos TGV pela Ota?
Será que continua completamente desinformado sobre este assunto ao ponto de se não ter apercebido do problema da bitola e da necessidade absoluta e urgente de termos uma ligação à rede ferroviária europeia de bitola "standard" ?
O Governo (finalmente !) parece ter percebido que a solução da ponte para o Barreiro e do trajecto dos futuros comboios para o Norte pelo vale do Trancão, imposta sem qualquer espécie de estudos sérios, é uma solução com inúmeros problemas e caríssima, totalmente desaconselhada neste momento de crise, e que temos tempo para estudar outras possiveis travessias ferroviárias do Tejo, nomeadamente na direcção do Montijo e na zona de Alverca.
Num momento em que o governo toma uma decisão acertada e é urgente estudar global e sériamente o nosso problema ferroviário, Cavaco Silva Silva apela para que em Portugal se pense nos "portos do futuro" e, para isso, aconselha que paremos um pouco de discutir os problemas do TGV e do novo aeroporto.
Será que Cavaco Silva está informado do problema do "fecho da Golada" , isto é, da ligação por terra da Cova do Vapor ao Bugio, obra necessária para salvaguardar as praias de Costa e para evitar que se degradem as condições de entrada na barra do Tejo dos grandes navios, inteiramente ao alcance das nossas empresas, que tem preocupado instituições como a SGL e a Academia de Marinha, e que, adicionalmente, quando for feita, permitirá com custos relativamente diminutos fazer na zona da Trafaria um porto de águas profundas, que será o mais importante porto de Lisboa, e ainda, de Madrid depois de feita uma ligação ferroviária moderna à rede espanhola ?
É bom que o Presidente da República pense nestas assuntos , e o conselho que lhe posso dar, neste momento, é de que se inteire da muita documentação que sobre eles existe e tente saber o que foi exposto nos recentes encontros sobre o estuário do Tejo na Sociedade de Geografia de Lisboa, de que é Presidente honorário.

António Brotas
Membro da Sociedade de Geografia de Lisboa

Terça-feira

O risco de perder uma geração

O drama não é meu e a ansiedade que ele me provoca é o menos importante a ser evocado.

O facto é que a Organização Internacional do Trabalho prevê que mais de 80 milhões de jovens do planeta, aptos para trabalhar, não têm emprego. Esta circunstância gera uma sensação de inutilidade e alienação que pode evoluir para uma situação social explosiva.

Desde a crise de 2008 que este problema se acentuou.

No espaço de dois anos mais 15 milhões de jovens juntaram-se ao grosso dos sem esperança. E tudo indica que e apesar das melhorias previstas a partir de 2011, nada será como antes de 2008.

É como se uma geração tivesse tido azar em ter nascido no momento em que nasceu. Para todos eles parece condenada a aspiração que todos nós temos ou, pelo menos, temos todo o direito a ter: educação, saúde, uma casa, um carro, uma família, conforto e estatuto social.

A OIT admite que será caro motivar estes milhões de jovens que desistiram de acreditar na sua própria utilidade.

Mas não agir terá de certeza custos muito mais avassaladores.

O que é um sério aviso à elite política do mundo democrático. Porque não se concretiza aquilo que a democracia promete? Não dando as respostas que dela se espera, não estará ela própria a condenar-se?

Segunda-feira

Bons exemplos

É certo que Rudy Giuliani foi um Mayor popular em Nova York, sobretudo porque conseguiu reduzir substancialmente a criminalidade na cidade que nunca dorme. Mas Rudy Giuliani está longe de ser um exemplo progressista. Muito menos trotskista.
Pois o homem que se opunha ao casamento gay, defendia a energia nuclear, a expansão da saúde pública orientada pelo mercado, o aumento de tropas no Iraque e uma permanente redução de impostos aos mais ricos, é um modelo de Mayor para Miguel Sampaio.
Está provado. Todos os homens têm virtudes e Giuliani não é excepção.

Sábado

11 de Setembro

Todos os americanos dizem lembrar-se do que faziam quando assistiram ao primeiro embate numa das torres do WTC. Mas os europeus também assistiram à catástrofe em directo. Lembro-me que estava para sair de casa (da residência universitária Ponte de Ferro) e julguei assistir a um acidente aéreo. Não quis acreditar quando vi o segundo avião embater na segunda torre. O mundo mudou drasticamente naquele momento. Todos os que estavam comigo ficaram em silêncio. Ninguém queria acreditar. Ainda hoje é difícil.

Perlenbacher

Estava a saboreá-la até ler a tradução do rótulo. "Cerveja fabricada de acordo com o preceito alemão de pureza". Que tradução.

Quarta-feira

Capoulas Santos é candidato à Federação do PS de Évora

Está confirmada a candidatura de Capoulas Santos à Presidência da Federação do PS Évora.

Quinta-feira

Rotunda na Avenida das Piscinas

A Câmara Municipal de Évora deu início à execução da obra rotunda no cruzamento da Avenida Eng.º Arantes de Oliveira. O objectivo da obra é o descongestionamento da rotunda da Porta da Lagoa, permitindo a viragem à esquerda, ou inversão de marcha, a quem circula da Rua de Serpa Pinto ou da rotunda das Portas do Raimundo.

EMBRAER

O Governo aprovou ontem, em Conselho de Ministros, os incentivos a conceder à brasileira Embraer, que vai construir duas fábricas de produção de componentes para aviões em Évora.

As voltas de outros e a piada de oportunidade

Numa crónica assinada por Eduardo Luciano no Registo, que este titula "O regresso dos que não foram", nada de novo. Nem para o autor nem para mim que o leio. Muito mais adequado um "O regresso dos que não vão a lado algum".