Quarta-feira

O Orçamento

Apesar do desentendimento, previsível já que não estava a ver o Governo a governar com o Orçamento do PSD, esperamos tranquilamente pela abstenção do maior partido da oposição.

Segunda-feira

O XIV Congresso do PS Évora


XIV Congresso da Federação de Évora do PS (Viana do Alentejo - 23 de Outubro de 2010)



A bipolarização protagonizada pela direita e pelos comunistas em Évora em 1987 havia de retirar ao PS a sua representação parlamentar e colocá-lo numa situação sombria de que este só haveria de recuperar em 1991.


Em 1995 os socialistas eborenses engrossam o movimento que haveria de eleger António Guterres 1.º Ministro e iniciam um processo histórico que consolidou e reforçou a sua base eleitoral, ganhando sucessivamente as eleições legislativas e fazendo do Partido Socialista o mais votado no Distrito.


A par disso e apresentando os melhores candidatos o PS foi conquistando também sucessivamente mais autarquias e invertendo a balança a seu favor.

Note-se que o PCP chegou a deter 13 das 14 autarquias e que hoje lhe restam apenas 4 dessa totalidade. Quanto à direita o seu poder autárquico acabou por ser reduzido a zero.


Sem demérito para nenhum outro Vitor Martelo e José Ernesto d’Oliveira serão as figuras emblemáticas desta conquista no plano autárquico. O primeiro porque e desde 1976 até 2009 se manteve Presidente de Câmara da que chegou a ser a única autarquia socialista em todo o distrito. O segundo porque destronou o histórico comunista Abílio Fernandes da também histórica posse dos comunistas na Câmara de Évora. Estávamos em 2001 e o PCP via-se arredado do poder na Capital de Distrito alentejana, o que dura até hoje.


Este sucesso teve por base uma receita simples: empenho, coesão interna, bons dirigentes, bons candidatos e boas estratégias. Mas acima de tudo concretização. O capital político dos socialistas no distrito está assente na obra que se vê. Daí que o nível de confiança das pessoas no partido e apesar das dificuldades, continue a ser tão elevado.


Isto é um legado e um estímulo a Capoulas Santos, que viu a sua consagração como Presidente da Federação dos socialistas num Congresso historicamente participado, com todas as figuras de proa do PS a seu lado e com a aprovação da sua moção estratégica aprovada por unanimidade.


Capoulas Santos, político que dispensa apresentações, consegue assim dois feitos extraordinários neste processo: contar com todo o capital político e experiência dos seus antecessores (onde tem parte incontestável) e fazer uma renovação dos órgãos do partido, dando espaço à nova geração de políticos, altamente qualificada, nascida já neste quadro de sucessos do PS.


E prepara-se para estender esta influência positiva para lá das fronteiras do Distrito.
O PS, para o efeito, não tem outro dirigente tão bem posicionado.

O que é a OnGoing?

O Público diz que Agostinho Branquinho (PSD) trocou o Parlamento pela empresa depois de a criticar como deputado. O que é certo é que Branquinho dizia não saber o que era a ONGOING.
Temos a certeza que ficará a saber dela muito mais do que qualquer um de nós. Temos também a certeza que ficámos já a saber muito sobre Agostinho Branquinho. E nem precisamos de saber mais.
Emprestado do Câmara Corporativa.

Terça-feira

Entre a espada e a parede

Muitos se lembrarão de uma frase célebre utilizada por António Guterres em 1999, num contexto de tentativa de bloqueio da acção governativa, por via de duas moções de rejeição do programa de um governo minoritário, iniciativas do PSD e do Bloco de Esquerda que acabariam por ser chumbadas com o voto contra do PS e a abstenção do PCP e do CDS.

Guterres confessava na altura que escolheria a espada se encostado à parede.

José Sócrates escolheu a mesma expressão para se referir à opção que lhe resta caso a oposição persista na ideia de que o Governo deve deixar cair a sua própria proposta de orçamento e venha a governar com um orçamento da oposição. Resumindo, a oposição pretende infantilmente que o governo se responsabilize pela execução de um programa que não é o seu.

A circunstância em que governa José Sócrates é bem diferente da de Guterres mas o princípio tem a mesma pertinência. Sócrates governa em minoria mas não lhe basta um limiano para fazer aprovar o Orçamento de Estado para 2011. Depois a situação política e económica do país não tem paralelo com nenhuma outra da nossa jovem democracia.

Pelo que e se tivermos em conta que o interesse nacional exige a aprovação do documento, se tal não acontecer a José Sócrates não resta outra alternativa que não demitir-se. Só que e fazendo-o, não estará a devolver a voz ao soberano povo.

Porque Cavaco Silva está impedido constitucionalmente de dissolver o parlamento e convocar eleições, restando-lhe um governo de iniciativa presidencial. Ou seja, Cavaco Silva teria de ir buscar ao parlamento actualmente eleito um novo governo.

Ou pediria ao PS que nomeasse um novo Primeiro-Ministro, o que é hipótese improvável porque tal representaria a capitulação do partido que suporta o governo eleito e Sócrates é o líder do partido, o que não mudaria nada em termos de governabilidade;

Ou pediria ao PSD que se coligasse com o CDS e com o PCP ou com o Bloco de Esquerda, hipótese também improvável por motivos evidentes.

A improbabilidade de qualquer uma das hipóteses é verdadeiro touché, não a Sócrates que não teme escolher a espada mas a Passos Coelho que está encostado à parede.

Segunda-feira

Parque Tecnológico de Évora

Évora vai ver “nascer”, já no início do próximo ano, um Parque de Ciência e Tecnologia que irá albergar laboratórios da universidade daquela cidade, “uma incubadora municipal”, com capacidade para 30 empresas, e “áreas comuns”, revelou hoje à Agência Lusa o presidente do município, José Ernesto Oliveira.
Num investimento que ronda os dez milhões de euros, este projecto tem o intuito de fomentar a instalação de empresas tecnológicas e a transferência de conhecimento científico para o mundo empresarial.Situado no parque industrial eborense e financiado por apoios comunitários, este centro envolve também a criação de uma empresa gestora e é promovido pelo município e pela Universidade de Évora (UÉvora), com mais parceiros. Ler mais aqui»»»

Terça-feira

Uma metáfora simples

Vivemos tempos de tempestade. Porque ganhamos menos ou não ganhamos absolutamente. Porque está tudo mais caro e mais caro ficará. Porque fazemos contas e não sabemos quando conseguiremos honrar os nossos compromissos. Porque temos de os honrar. E porque temos de cortar no que não é essencial.

Nesta circunstância não existe um eles e um eu. Somos nós, enquanto portugueses, que enfrentamos estas gigantescas vagas. Estamos todos no mesmo barco. Amotinação, abandono ou mesmo quem se entretenha a fazer buracos no casco não podem ser tolerados.

Uma crise política neste momento, causada pela não aprovação do Orçamento de Estado para 2010, deixaria o País à deriva. E um País sem orçamento é um País exposto a muito pior do que vivemos. Eventualmente ao naufrágio.

Todos o sabemos, mesmo os que desonestamente dizem que não.

Os Partidos Políticos podem até comportar-se como se não houvesse amanhã. Mas a situação não está para o tacticismo e nenhum português perdoará a irrazoabilidade. O facto é que o Governo governa e está obrigado a decisões difíceis. A seu tempo será avaliado.

Esta incerteza não pode contudo tolher-nos os movimentos. Não é tão simples como esperar que venha melhor tempo. E aqui termina a metáfora.

O desenvolvimento económico é prioritário mas apenas como instrumento para o bem-estar das pessoas. Aos que defendem fanaticamente a redução da despesa como solução para os nossos problemas, uma receita antiga por sinal, há que contrapor com a preservação do carácter público das políticas sociais. É o que distingue os progressistas de todos os outros.

Porque não há desenvolvimento económico sem solidariedade e justiça social. E o garante desse compromisso é a componente pública das políticas sociais como a saúde, a educação e a segurança social. É esta componente que a direita considera de despesa.

É a sua privatização que é apresentada como solução para os nossos problemas.

É este o combate maior que os progressistas têm de travar.

Sábado

Capoulas Santos eleito com 98,9% dos votos

É oficial, Capoulas Santos foi eleito Presidente da Federação Distrital de Évora do PS.

Sexta-feira

Capoulas Santos e Cutileiro

Foto de Fcosta

Apesar de se tratar certamente de uma originalidade numa candidatura partidária, João Cutileiro, um independente e uma figura de referência nacional e internacional no meio cultural, é o mandatário de Capoulas Santos na candidatura à Federação Distrital de Évora do PS.


Segundo o candidato à liderança do PS-ÉVORA, "para além de ser uma enorme honra contar com o apoio de uma figura como João Cutileiro, pretendo desta forma dar um duplo testemunho simbólico da importância que, para o PS, têm os independentes e a cultura, na visão sobre o futuro do Alentejo que submeterei ao Congresso Federativo de 23 de Outubro e que está explicito na Moção de Orientação Política que apresentei aos militantes".


João Cutileiro é um dos mais conceituados escultores portugueses, conhecido em todo o mundo pelas suas obras onde têm especial destaque os nus femininos e as esculturas modernas que lhe conferem características próprias.


Acerca do seu percurso diz: "…a vida deu muitas voltas, fui para Inglaterra e, de repente, aquilo era demasiado pesado, e precisava de vez em quando vir carregar baterias. Como tinha uns amigos em Lagos, ia para a casa deles. Um dia comprei ali a minha própria casa e por lá fui ficando”.


Quando, com o turismo de massas, em Lagos, “ a maré subiu e eu já não tinha lugar na praia”, senti que tinha chegado a altura de partir". A paixão secreta pelo “charme de Évora” trouxe-o para, “ o lugar ideal para mim, uma cidade muito bonita, o sítio da minha infância”.


A sua obra foi muito influenciada pelo Alentejo. Segundo João Cutileiro, “se tivesse nascido em Nova Iorque ou Londres tudo o que fizesse era diferente”.


E, ao ser questionado sobre o que é que o Alentejo lhe deu e pode dar a quem se instale aqui, a resposta foi rápida “ Primeiro vistas largas, daqui vê-se muito longe"
[1].


[1] webb.ccdr-a.gov.pt

Segunda-feira

Os ungidos na República




Muitos dos juízos que se fazem da I República não são positivos, talvez porque, após a euforia e o idealismo inicial da sua instauração, o novo regime não tenha sido capaz de promover a estabilidade política e social que o país precisava. Em cerca de dezasseis anos de regime, Portugal passou por oito presidentes e quarenta e cinco governos. Não foi à toa considerado o regime parlamentar mais instável das democracias ocidentais[1].


E o certo é que a experiência antecedeu o estado autoritário mais longo da Europa ocidental, também ele muito eficaz na descredibilização da I República. A esta experiência de democracia parlamentar pode-se-lhe apontar fraquezas na resolução da dura crise económica e financeira, muito resultado da dívida herdada da monarquia, mas também das despesas com a guerra e a inflação. Mas poucos lhe apontam o comportamento dos políticos e a ineficácia dos partidos políticos. A excepção que conheço é a de Wheeler e de Vasco Pulido Valente.


A história não se repete e só a desonestidade intelectual leva a comparar esses tempos conturbados com os que vivemos hoje. A democracia tem feito bem ao país e em relativamente pouco tempo. E a génese dessa democracia não se pode colocar longe de 1910, mesmo e apesar de uma interrupção de 4 décadas, que serviram também de lição.


Mas mantém-se actual o debate em torno do prestígio das instituições, a fiabilidade dos nossos políticos e a qualidade da nossa democracia.


Não sendo o único factor que contribui para o problema do baixo status da política e dos políticos, a questão da não profissionalização da política será seguramente um deles. É que apesar de considerar a política como ofício e o político como profissional da vida pública não é assim que a sociedade os vê nem tampouco uma grande parte dos próprios políticos.


Robert Stevenson, escritor escocês, provavelmente resumiu o problema quando disse que a política talvez seja a única profissão em relação à qual se considera que nenhuma formação prévia é necessária. Porque é precisamente como actividade amadora e desinteressada que ela é considerada por governantes e governados. Essa matriz resulta eventualmente na origem do poder executivo, a monarquia e do poder legislativo, as câmaras dos nobres.


Era a gente nobre que era dado historicamente o peso e a responsabilidade de suportar e governar o povo. Daí que gratificar a sua acção fosse uma ideia inconcebível. Até ao século XIX e ao argumento cartista: na carreira pública o povo é o patrão.


Apesar do grande salto qualitativo que se deu de lá para cá, o “estigma do ungido” nas funções de governação perdura. E essa negação de carreira profissional à função política coloca os políticos e a política cá em baixo, na contabilidade popular que mede a confiança nas classes. O que, diga-se, afasta da actividade muitos e bons.


É que, e por não ser preciso, não se procura a qualificação e sem ela fica muito espaço para o superficial e para o pouco competente. Por via do voto e sustentado no populismo e na demagogia chega ao poder o temerário, o imponderado, o tirano, ou todos ao mesmo tempo.


E é interessante perceber que quando temos um profissional a governar ele seja atacado pelos seus pares precisamente por isso. Por ser profissional.


Ora eu acho que a política é um assunto demasiado sério para ser tomado de forma diletante.


Viva a República.


[1] Wheeler, Douglas L., Análise Social, vol. XIV (56), 1978-4.º, 865-872